Após manter o veto em Belo Horizonte, PT autoriza a aliança com PSDB em dois municípios
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Após manter o veto à aliança com o PSDB em Belo Horizonte (MG) mas com margem à parceria informal, o Diretório Nacional do PT autorizou nesta sexta-feira duas coligações com tucanos em municípios do interior do país.
O comando nacional autorizou que petistas e tucanos se unam em Açailândia (MA) e Cláudia (MT). Mas foi dado mais prazo para negociações à maioria dos casos apreciados hoje pela legenda. No total, o PT autorizou alianças com PSDB, DEM e PPS em 14 municípios.
No próximo dia 23, a Executiva Nacional do PT tem reunião marcada para dar a última palavra sobre as alianças consideradas polêmicas nos municípios com mais de 200 mil habitantes e onde o partido dispõe de tempo de rádio e televisão. Entre esses municípios estão Aracaju (SE), Contagem (MG), Governador Valadares (MG) e Cabo Frio (RJ).
Nesta sexta-feira, o Diretório Nacional do PT fixou duas premissas para negociar as alianças municipais: o partido de oposição ao governo federal que pretende se unir aos petistas não pode indicar a cabeça da chapa nem o candidato a vice-prefeito. A orientação é dar prioridade às coligações chamadas históricas --aquelas que estão com o PT na base aliada nacional.
O caso de Belo Horizonte foi tratado como uma situação excepcional porque o comando do partido afirma que há reflexos da resolução para 2010. Segundo petistas, foi avaliado o fato de o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), ser uma liderança nacional e pré-candidato à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2010.
Emoções
A reunião de hoje foi ocupada na maior parte do tempo pela discussão sobre a aliança PT com PSDB, PSB e PPS em Belo Horizonte. Embora mantida a ordem anterior de veto, houve flexibilização porque as palavras "proibida" e "veto" não foram citadas na resolução divulgada hoje.
Para os petistas, essa iniciativa demonstra que está assegurado o acordo de aliança branca com o grupo do governador de Minas Gerais.
A Folha Online apurou que o ministro Luiz Dulci (Secretaria Geral da Presidência), durante a reunião do diretório, fez um discurso categórico em defesa da manutenção do veto e contrário a qualquer iniciativa que se aproxime do PSDB. Para ele, flexibilizar uma posição seria fortalecer Aécio e fragilizar candidaturas do PT em 2010 para presidente da República e governador de Minas Gerais.
Petistas que acompanharam a reunião informaram que houve um grupo no partido destinado a evitar o desgaste ao prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel (PT) --que ao lado de Aécio negocia desde o ano passado a aliança em torno de Marcio Lacerda (PSB) como cabeça de chapa e do deputado estadual Roberto Carvalho (PT-MG) como vice-prefeito.
A idéia de não utilizar as palavras "veto" e "proibição" foi aplicada para garantir a possibilidade de parceria informal com PSDB. Segundo petistas, foi a fórmula encontrada para garantir o espaço político de Pimentel, que defendeu com veemência a aliança com os tucanos.
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