Em ano eleitoral, comércio ameaça divulgar nome de deputados que votarem a favor da CSS
RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Os deputados dispostos a atender ao apelo do governo e votar nesta quarta-feira favoravelmente à recriação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), batizada de CSS (Contribuição Social para a Saúde), enfrentarão a pressão de outdoors espalhados pelas capitais e entroncamentos rodoviários em todo país.
A campanha de divulgação dos nomes dos parlamentares e seus votos é feita pela CNCV (Confederação Nacional do Comércio Varejista) --que reúne 800 mil empresas e mais de 1.000 pontos de vendas.
"Fizemos esse mesmo trabalho quando houve a votação da CPMF no ano passado. Agora vamos retomar porque a população precisa saber como se vota no Congresso. E, o mais importante: separar o joio do trigo", disse o presidente da CNCV, Roque Pelizzaro Júnior. "Vamos manter a sociedade informada. Se a votação for na quarta-feira, na quinta os painéis estarão espalhados pelo Brasil afora", afirmou ele.
A partir de amanhã representantes das CDLs (Câmaras de Dirigentes Lojistas) estarão em Brasília. A idéia é planejar o protesto que as entidades pretendem fazer na quarta-feira pela manhã --horas antes de o projeto de lei complementar que cria a CSS ser votada.
Nesta quarta-feira será lançada a Frente Parlamentar do Comércio Varejista, ocasião que será transformada em manifestação contrária ao novo imposto.
Já o deputado Paulo Bornhausen (DEM-SC), que organizou a manifestação que reuniu cofrinhos e cartazes no plenário da Câmara em campanha contra a CSS, planeja um novo "protesto de criatividade", como ele chama. Com apoio do DEM, PSDB, PPS e PSOL, o deputado fará uma reunião amanhã para definir a estratégia.
"As pessoas que eu encontro na rua estão indignadas com a possibilidade de ser recriada a CPMF. Temos de levar essa reação à Câmara porque, além disso, há um conjunto de informações de desfavoráveis, como o retorno da inflação", afirmou Bornhausen. "Não vai ser fácil aprovar uma proposta dessas, como o governo gostaria, vai ter muita pressão", disse o deputado.
Na semana passada quando a CSS estava pautada para ser votada em plenário. Deputados da base aliada e da oposição se desentenderam em plenário. Houve empurra-empurrra e por pouco não ocorreu troca de tapas. O protesto com os cofrinhos e cartazes, organizado pela oposição, gerou reações dos aliados, que também levantaram cartazes e críticas.
Novo adiamento
Apesar dos esperados protestos da oposição, uma rebelião na base aliada do governo, conduzida pela bancada da saúde, pode adiar novamente a votação da CSS. A Frente Parlamentar da Saúde diz ter 243 deputados e calcula que pelo menos 160 deles integram a base governista e ameaçam não apoiar a proposta.
As maiores resistências foram identificadas entre deputados de PR, PMDB, PTB e PV, que prometem votar contra a nova CPMF se o governo incluir a contribuição no texto que regulamenta a emenda 29 (que amplia a verba para a saúde). A alíquota da CSS deverá ser de 0,1% --a da CPMF era de 0,38%.
Leia mais
- Temporão diz que CSS não é primordial e defende tributação maior para cigarros e bebidas
- Rebelião de aliados pode adiar votação da nova CPMF
- Governistas fazem corpo-a-corpo em busca de votos para aprovar nova CPMF
- Câmara adia votação da nova CPMF para semana que vem
- Deputados trocam empurrões no plenário da Câmara e quase saem aos tapas
Livraria
- Livro explica às famílias conceitos de tributos federais, estaduais e municipais
- Cientista traça perfil social e político da Câmara em livro
- Livro de Eugenio Bucci revela bastidores do poder em Brasília
- Livros abordam temas políticos, sociais e históricos e ajudam a entender o Brasil
- Livro reúne balanço de bens de políticos
Especial



avalie fechar
avalie fechar
A roubalheira praticada pelos políticos acampados no Congresso Nacional e por esse Brasil afora, nos enche de vergonha e de arrependimento por tê-los eleitos.
O governo emprestou dinheiro para o FMI, para a Bolívia, nos assalta com impostos criminosos embutidos nas mercadorias e ainda querem nos esfolar vivos com a maldita parente da CPMF.
Vão cobrar os sonegadores do IR e do INSS, reduzam as verbas destinadas a manter os nababos do Congresso e combatam a corrupção desenfreada que vai sobrar muito dinheiro, não só para a saúde como para todas as obras sociais que se fazem necessárias.
Até parece que existe uma curriola política, cujo papel é criar meios para extorquir a população brasileira.
avalie fechar