Brasil
02/06/2008 - 20h57

Beltrame recusa ajuda federal para investigar tortura a jornalistas no Rio

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colaboração para a Folha Online, no Rio

O secretário estadual de Segurança do Rio, José Mariano Beltrame, recusa ajuda do governo federal para as investigações da suposta tortura a uma equipe de reportagem do jornal "O Dia" por policiais que fariam parte de uma milícia na favela do Batan (zona oeste do Rio). Beltrame disse nesta segunda-feira que as investigações da Polícia Civil do Rio estão "bem adiantadas" mas que os envolvidos ainda não podem ser presos por falta de provas.

"Eu entendo que não há essa necessidade [da ajuda do governo federal] porque, com relação a esse caso e a outros que nós pretendemos chegar à solução, a polícia vem trabalhando bem e vem mostrando os resultados. Não podemos abrir mão de quem propõe essa ajuda, mas essa ajuda não pode ser fantasiosa, tem que ser objetiva. Não pode ser um anúncio pirotécnico, tem que ser uma ajuda concreta, objetiva, que venha de encontro ao que efetivamente a sociedade carioca necessita. Não adianta termos aqui ajuda burocrática. Mas nesse caso e em outros temos investigações bem adiantas", afirmou Beltrame.

"Só posso afastar as pessoas no momento em que tenho a suspeição concreta contra ela. Não posso simplesmente por uma denúncia vazia o fazer. E, com relação à denúncia dos jornalistas, não mexemos nessa situação [de prender os suspeitos] no sentido de poder colher a prova concreta para poder pedir a prisão dessas pessoas".

O secretário negou também haver demora para agir no caso e afirmou que as investigações já vêm sendo feitas na favela do Batan antes de sábado (31), quando, segundo ele, a polícia esteve no local.

"Estamos trabalhando há bastante tempo no caso. Só que não podemos fazer prova de um caso tão complexo desse em uma semana, dez dias. Esse crime é formado por uma série de desvios de condutas que no final substanciam o que a gente chama de milícia.

Ainda segundo o secretário, a presença de policiais em milícias em favelas no Rio já está "no seio da comunidade" do Rio.

"As situações que vêm ocorrendo aqui há décadas, nós não podemos extirpar isso, infelizmente, do seio da comunidade. Mas começamos a fazer o trabalho pelas milícias mais estruturadas e estamos chegando em outras menores. Não podemos esquecer o caso emblemático das milícias da zona oeste. No momento que nós debelamos em uma investigação de dez meses aquela milícia, no mínimo 20 a 30 milícias menores já recuaram nas suas ações".

 

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