Em 1º discurso, Marina Silva ataca Blairo Maggi por criticar combate ao desmatamento
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Em seu primeiro discurso no plenário do Senado desde que deixou o Ministério do Meio Ambiente, a senadora Marina Silva (PT-AC) criticou nesta quarta-feira o governador de Mato Grosso, Blairo Maggi (PR), pelas críticas às medidas de combate ao desmatamento do governo federal. Marina disse que o "erro é combater o que está funcionando" ao afirmar que a agenda de ações contra o desmatamento foi a que registrou "maiores avanços" enquanto esteve no cargo.
"O erro, sobre o que inclusive vou pedir licença para falar, de forma sempre respeitosa como sempre tratei o governador Blairo Maggi, é combater o que está funcionando, combater o combate ao ilegal. O acerto é apoiar as duas coisas: as práticas sustentáveis, lançadas no dia 08 com o plano Amazônia Sustentável. Espero que possam ser ampliadas e efetivadas", afirmou.
Marina disse que o governador não deveria ter "questionado as medidas", mas sim trabalhar conjuntamente com o governo federal em prol do meio ambiente. "Foi isso o que eu disse para ele, porque levamos o desmatamento em Mato Grosso para uma queda de 72%. Esse é um efeito inédito de governança ambiental. Que melhor sinal poderíamos dar aos brasileiros e para aqueles que, por interesse legítimo ou por questão não tarifária, tentam desconstituir o nosso grande potencial agrícola?", questionou.
Além de trocar farpas com Marina sobre os altos índices de desmatamento de Mato Grosso, Maggi também se desentendeu com o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) depois de rebater as críticas sobre o seu apoio à produção agrícola sem preservação ambiental.
O governador, que é um dos maiores produtores de soja do país, chegou a afirmar que "não se faz agricultura sem retirar a floresta" --o que irritou ambientalistas e o próprio ministro.
Demissão
No discurso, Marina reiterou que decidiu deixar o governo federal ao perceber que havia encerrado o seu "ciclo" de contribuição na área ambiental. A ex-ministra admitiu que enfrentou uma situação "adversa", mas necessária para "reconstituir a base de sustentação política" do governo para o projeto de desenvolvimento sustentável do país.
"Meu gesto foi um gesto de constituição para que não se tivesse nenhum tipo de retrocesso em relação às importantes conquistas que tivemos."
Marina disse que, ao perceber que o "acolhimento" no governo não lhe dava condições de operar uma agenda ambiental "complexa", entregou a carta de demissão.
"Eu sempre tive uma compreensão de que a causa é maior do que o cargo, e que o cargo deve estar a serviço da causa, inclusive para ser disponibilizado, se a sua disponibilização leva a um fortalecimento da causa."
A ex-ministra foi acolhida por parlamentares do governo e da oposição e prometeu, na base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ter a agenda ambiental como prioridade no seu mandato.
Leia mais
- Ibama vai fiscalizar restrição de crédito na Amazônia "por amostragem"
- Em 12 meses, Amazônia perdeu área equivalente a seis São Paulos
- Minc anuncia R$ 1 bi para quem desmata ilegalmente na Amazônia
- Minc nega que governo tenha afrouxado regra de "crédito verde" na Amazônia
- Governo afrouxa regra de "crédito verde" na Amazônia
- Ambientalistas internacionais vêem Minc com desconfiança
- Após divergências, Minc diz que pretende conversar com Blairo
- Minc diz que não vai ser "carimbador maluco" de licenças ambientais
Livraria da Folha
- Livro de Eugenio Bucci revela bastidores do poder em Brasília
- Livro explica a formação e o crescimento do PT; leia introdução
- Marcelo Leite faz raio-X da situação da Amazônia
- Livro apresenta 1001 maneiras de salvar o planeta
- Atlas mapeia as alterações climáticas no planeta e mostra como enfrentá-las
Especial


Ao invés de estarmos agora em 2009 discutindo possíveis candidatos e candidatas que disputarão a Presidência da República somente no último semestre de 2009 deveríamos sim aprofundar o debate na questáo da Segurança Nacional.Em primeiro lugar esperava-se que tal discussão. tão relevante para o presente e futuro do nosso país.nascesse no Poder Executivo e permeasse os integrantes dos demais poderes em especial o poder legislativo Federal e dai se alastrasse permeando as forças vivas da Nação como Imprensa,Rádio e demais veículos de comunicação.A hora é agora e o momento é somente nosso. É triste vermos que tal iniciativa já ocorre lá fora:como fez o NEW YORK TIMES que pergunta em uma reportagém: de quem seria a amazônia?ACORDA BRASIL...vamos fazer antes a lição de casa enquanto há tempo...
avalie fechar
avalie fechar
avalie fechar