Brasil
13/06/2008 - 10h06

Gravação liga lobista a governo Yeda, diz PF

Publicidade

GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre

A crise política que afeta o governo de Yeda Crusius (PSDB-RS) teve mais um capítulo ontem com a divulgação, pela CPI que investiga fraudes no Detran do Estado, de telefonema que mostraria a ação de um empresário tucano como lobista de empresas interessadas em negócios com o órgão.

Em novembro do ano passado, uma operação da Polícia Federal prendeu 13 pessoas suspeitas de desviar R$ 44 milhões do Detran, entre 2003 e 2007. A Justiça Federal abriu processo contra 40 acusados de participação nas fraudes, e uma CPI estadual foi aberta para apurar o caso, que já derrubou quatro membros do primeiro escalão do governo de Yeda.

Na conversa divulgada ontem, de novembro passado, o empresário Lair Ferst, ligado ao PSDB e pivô do suposto esquema, age como uma espécie de representante do Detran diante de uma empresa alemã interessada em fechar negócios com o órgão estadual.

Segundo a interpretação da Polícia Federal, Ferst acerta um encontro de empresários (que não tiveram os nomes divulgados) com o então presidente do Detran, Flávio Vaz Netto. A conversa contradiz a versão de Ferst, que nega ter atuado como lobista no Detran e os contatos com Vaz Netto. O grampo foi feito em 1º de novembro, cinco dias antes de ser deflagrada a Operação Rodin, que prendeu 13 pessoas, entre elas Ferst e Vaz Netto, suspeitas de participar da fraude.

"Vê qual a data que eles definirem que daí eu vou adaptar a agenda [de Vaz Netto, segundo a Polícia Federal]", disse Ferst na conversa com um interlocutor não-identificado.

Ferst disse ontem que a PF se baseia em suposições. Apontou "contradição forte" entre a interpretação do grampo e a investigação da polícia. Segundo ele, a conversa ocorreu quase seis meses depois que empresas de sua família deixaram de ser subcontratadas pelo Detran: "A PF interceptou meu telefone durante um ano e não há uma conversa com o Vaz Netto", declarou Ferst ontem.

O empresário voltou a negar envolvimento com as supostas fraudes no órgão. Sem citar o nome da empresa alemã, disse que os empresários procuraram Detrans em todo o país, mas que a reunião com funcionários do órgão no Estado não aconteceu.

Vice-governador

O vice-governador do Rio Grande do Sul, Paulo Feijó (DEM), depôs ontem à força-tarefa do Ministério Público que investiga possíveis desvios de recursos de estatais gaúchas.

Em duas horas e meia de depoimento, ele negou que tenha outras gravações de conversas com políticos, contrariando o que dissera na segunda, quando prometeu revelar os diálogos em "momento oportuno".

Na última sexta-feira, o vice-governador, inimigo político de Yeda, divulgou gravação de 22 minutos de conversa em que o ex-chefe da Casa Civil, Cézar Busatto (PPS), reconhecia que estatais gaúchas financiaram campanhas eleitorais.

A divulgação da gravação, feita por Feijó, provocou a queda de Busatto e acentuou a crise política no Estado.

Feijó disse que tudo o que sabe sobre os supostos desvios de recursos para financiar políticos se resume ao relatado por Busatto na conversa. O vice evitou a imprensa ontem.

Comentários dos leitores
adali adali (180) 14/11/2009 03h57
adali adali (180) 14/11/2009 03h57
Estou por me convencer que o povo riograndense por decadas votar no PSDB faz por merecer sim a ruina e o caos que instalou-e e assola o estado, na educação, na segurança e na saúde, o desemprego avaça galopante, as empresas a anos todo dia dão no pé e o estado vai de cada vez a pior com tanta corrupçao que esse partidinho PSDB deixa como sua marca registrada por onde passa, que o diga os paulistanos. sem opinião
avalie fechar
Monica Rego (343) 13/11/2009 22h01
Monica Rego (343) 13/11/2009 22h01
Ta escrito serra e maioria de governadores da oposição são os queiridinhos dos jornalistas!!!
Deve ser a mão aberta desta trupe com a direita da midia brasileira!!!
sem opinião
avalie fechar
ernani sefton campos (143) 13/11/2009 11h42
ernani sefton campos (143) 13/11/2009 11h42
É por essas e outras, que os TC's não podem ser constituídos por Políticos. São Incompatíveis, com a Filosofia do Negócio, que é FISCALIZAR, os Poderes.
Se tivessemos, FUNCIONÁRIOS de CARREIRA, Concursados e tal, não estariamos pasando essa VERGONHEIRA.
Talvez em algumj tempo, teremos mudança de rumos, nesta Orgia ,de Poder Tudo e fazer Tudo que não Podem .
Que sirva de exemplo, para os NOVOS Candidatos a este òrgão tão importante, do Brasil, nas tres esferas da Administração pública.
sem opinião
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (991)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca