Ivan Valente diz que briga no PSDB é fratricida e que estará no segundo turno em SP
WANDERLEY PREITE SOBRINHO
colaboração para Folha Online
O pré-candidado do PSOL à Prefeitura de São Paulo, deputado federal Ivan Valente, classificou de "fratricida" a briga interna no PSDB em torno da candidatura própria. Ele não cogita a possibilidade de ficar fora do segundo turno das eleições municipais de outubro e diz que o PT perdeu "radicalidade".
Segundo Valente, a divisão no PSDB está "acima dos interesses públicos" porque o governador José Serra e o ex-governador Geraldo Alckmin, pré-candidato a prefeito, já estão visando as eleições de 2010. "É uma luta fratricida, que mostra que o poder está acima dos interesses públicos", afirmou o pré-candidato à Folha Online. "São muitos interesses para 2008 e para 2010, porque em São Paulo a disputa é nacional."
Para ele, o apoio de Serra e dos vereadores tucanos ao prefeito Gilberto Kassab (DEM) é sinal de que há propostas distintas dentro do partido. "Se o Alckmin está disputando é porque tem propostas diferentes."
Radicalidade
Valente afirmou que se sente chocado com o PT, seu antigo partido, que vem negociando com partidos de ideologias muito distintas. "O que impressiona é que um partido possa estar negociado com dois, três partidos, mesmo que eles sejam adversários e até inimigos. Isso é chocante."
Valente diz que o PT não tentou fechar aliança com o PSOL porque sabe que receberia um "não". "O PT perdeu radicalidade", diz. Até agora a candidatura da ex-prefeita Marta Suplicy (PT) não conseguiu o apoio de nenhum partido.
Sobre sua viabilidade como candidato, o deputado acredita que ganhará votos com o decorrer da campanha, e nem cogita a possibilidade de não chegar ao segundo turno. "Eu vou para o segundo turno", diz.
Mas ele admite que sua candidatura tem como um dos principais objetivos mudar a imagem do PSOL, conhecido como um partido de mais protestos do que propostas. "Esse vai ser um teste para a popularidade, a capilaridade do partido e para mostrar que temos propostas para governar. O PSOL é um partido novo, programático, criou uma referência de esquerda nacional. A senadora Heloísa Helena está com uma margem de 14% a 19% de intenções de votos para presidente."
Valente conclui dizendo que, durante a campanha, vai lançar um desafio aos concorrentes. "Vou colocar um desafio aos outros candidatos de fazerem suas campanhas com recursos próprios, sem financiadores, como fornecedores da prefeitura e construtores com interesse na continuação da gestão. Aí reside o foco principal e a matriz da corrupção", disse. "Vamos desafiar a fazer campanha com poucos recursos, não aceitando dinheiro privado. Quero ver quem topa."
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