Policial que teria comandado tortura a jornalistas se entrega à polícia
LUISA BELCHIOR
colaboração para a Folha Online, no Rio
O inspetor policial apontado como o chefe da milícia que teria torturado uma equipe de reportagem do jornal "O Dia" na favela do Batan (zona oeste do Rio) se entregou à polícia no final da manhã desta segunda-feira. Identificado como Odinei Fernando da Silva, ele era considerado foragido desde o último dia 4.
Silva se apresentou à Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas), que investiga o caso, por volta das 11h30 desta segunda-feira, acompanhado de seu advogado, segundo informações da delegacia. Ele foi preso na hora e prestará depoimento no início da tarde de hoje ao delegado titular, Cláudio Ferraz.
O inspetor era lotado na 22ª Delegacia de Polícia (Penha), já respondeu por tentativa de homicídio e chegou a ser citado em relatório da Anistia Internacional sobre uso de brutalidade no sistema penitenciário quando era agente penitenciário, de acordo com a Polícia Civil.
Ele foi apontado pelas investigações da Draco como o chefe da milícia da favela do Batan. Também participou, segundo a polícia, da série de torturas aplicadas a uma equipe de reportagem do jornal "O Dia", que havia se infiltrado por 14 dias na favela do Batan para fazer reportagem sobre a rotina dos moradores sob o mando da milícia, em maio deste ano.
Além de Silva, Davi Liberato de Araújo, apontado pela polícia como o segundo na hierarquia da milícia da favela do Batan, foi preso no último dia 4.
Ele cumpria pena em regime semi-aberto por receptação. Na época, Araújo negou ter participação nas torturas e na milícia da favela.
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