Suposto chefe de tortura a jornalistas nega crime em depoimento
LUISA BELCHIOR
colaboração para a Folha Online, no Rio
Atualizado às 23h27
O inspetor da Polícia Civil Odinei Fernando da Silva, apontado como o chefe da milícia que teria torturado uma equipe de reportagem do jornal "O Dia" na favela do Batan (zona oeste do Rio), negou nesta segunda-feira envolvimento com o crime e com a milícia da favela, de acordo com a Draco (Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas), que investiga o caso.
Silva se entregou à polícia na manhã desta segunda-feira. Ele se apresentou à Draco com seu advogado por volta das 11h30.
Em depoimento, Silva negou ter qualquer participação com o crime e com a milícia do Batan, mas afirmou ter nascido e crescido na favela, segundo a Draco. Afirmou ainda, de acordo com inspetores da delegacia, que está sendo vítima de perseguição de um grupo criminoso ligado ao deputado estadual Chiquinho da Mangueira (PMDB) desde que fez denúncias contra o parlamentar.
O deputado Chiquinho da Mangueira negou as acusações feitas pelo inspetor e afirmou que não tem qualquer ligação com grupos criminosos que estariam intimidando Silva.
"Além da prisão, ele precisa ir para um hospital psiquiátrico. Nem sei quem ele é e está usando esse argumento para desviar do foco do criminoso principal que na verdade é ele", afirmou.
Além de Silva, Davi Liberato de Araújo, apontado pela polícia como o segundo na hierarquia da milícia da favela do Batan, foi preso no último dia 4. Ele cumpria pena em regime semi-aberto por receptação. Na época, Araújo negou ter participação nas torturas e na milícia da favela.
Para a Draco, os dois participaram da série de torturas aplicadas a uma equipe de reportagem do jornal "O Dia", que havia se infiltrado por 14 dias na favela do Batan para fazer reportagem sobre a rotina dos moradores sob o mando da milícia.
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