Após tomar posse, novo prefeito de Juiz de Fora anuncia mudanças no governo
REGIANE SOARES
da Folha Online
O novo prefeito de Juiz de Fora (MG), José Eduardo Araújo (PR), anunciou na noite desta segunda-feira as primeiras mudanças na sua equipe de governo. Dos 25 cargos do primeiro escalão da prefeitura em secretarias, fundações e autarquias, Araújo disse que pretende trocar pelo menos 15 nomes.
Araújo tomou posse hoje à tarde após a renúncia do prefeito Carlos Alberto Bejani (PTB), acusado de participar de um esquema de desvio de dinheiro público.
Bejani está preso desde o último dia 12, quando foi deflagrada a operação De volta para Pasargada pela Polícia Federal. A operação foi um desdobramento da operação Pasargada 1, deflagrada em abril e que também resultou na prisão do ex-prefeito.
Após tomar posse oficialmente do cargo na Câmara Municipal de Juiz de Fora, Araújo trocou o titular da Secretaria de Governo: sai Maria Luiza Morais de Oliveira, que vai para a Amac (Associação Municipal de Apoio Comunitário), e entra Florival Xavier.
Na Secretaria de Política Social, sai a ex-primeira-dama Vanessa Bejani e assume o sociólogo Paulo César Mariano. Outras mudanças também estão previstas nas secretarias de Finanças e Planejamento e Gestão Estratégica.
"Apenas estou aguardando confirmação das pessoas que já convidei para os cargos. Algumas pessoas vou ter que mudar porque também foram indiciadas [no mesmo processo de Bejani], e eu não vou trabalhar com indiciados", afirmou o prefeito, sem citar nomes.
Araújo adiantou que pretende manter a secretária de Educação, Regina Mancini, e o presidente da Fundação do Museu Mariano Procópio, Melo Reis.
Com pouco mais de seis meses de gestão, Araújo disse que pretende administrar com "transparência" para mostrar "tudo" o que está acontecendo na prefeitura. Ele quer analisar todos os contratos e convênios em andamento para ver se há alguma irregularidade.
"Já disse que pretendo fazer um choque de austeridade e de moralidade. Juiz de Fora é uma cidade de vanguarda. Isso não quer dizer que um ato isolado vá macular toda a cidade", afirmou Araújo.
Renúncia
Em carta protocolada na Câmara Municipal hoje pela manhã, Bejani pede a renúncia para ter mais tempo para se defender. A CPI deve apresentar ainda hoje o relatório final das investigações, que aponta a participação do ex-prefeito no esquema.
Na primeira etapa da operação Pasargada foram presos 16 prefeitos de cidades de Minas Gerais, Bahia e Distrito Federal por suspeitas de desvio ilegal de recursos do FPM (Fundo de Participação dos Municípios), que é repassado pela União. O prejuízo aos cofres públicos é estimado em R$ 200 milhões, em três anos.
De acordo com a Polícia Federal, o objetivo da segunda operação foi comprovar a origem do dinheiro apreendido na casa de Bejani. A PF suspeita que a origem do dinheiro seja ilícita. Na primeira etapa da operação Pasargada, a PF apreendeu R$ 1,1 milhão em dinheiro na casa e no sítio do prefeito petebista, além de cinco armas, sendo uma de uso exclusivo das forças federais.
Na segunda etapa da operação Pasargada, deflagrada no dia 12 de junho, a PF apreendeu oito veículos, além de R$ 230 mil em dinheiro.
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