Presidente da CPI do Detran acusa Yeda de proteger ex-secretário
da Folha Online
O presidente da CPI do Detran na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, Fabiano Pereira (PT), afirmou nesta terça-feira que o ex-secretário-geral de Governo de Yeda Crusius (PSDB), Delson Martini, foi levado ao cargo pela governadora para protegê-lo de investigações do Ministério Público durante a Operação Rodin, que investigou desvios no Detran-RS.
Martini prestou depoimento à CPI na segunda-feira (16) e negou as acusações que vem sofrendo. Durante o depoimento, que durou mais de seis horas, ele afirmou que seu nome foi usado indevidamente por terceiros.
Segundo Pereira, Yeda chamou Martini para ser seu secretário em fevereiro de 2008 para que ele pudesse ganhar foro privilegiado, interrompendo as investigações do Ministério Público. "Foi uma medida da governadora para protegê-lo", afirmou o petista.
No depoimento, Martini afirmou que não sabia que era investigado na operação.
Pereira também acusou Martini de ser contraditório durante o depoimento e de omitir fatos que comprovariam que sabia do esquema de desvios, como o e-mail que recebeu apontando as irregularidades no Detran. "As evidências falam mais alto", afirmou o deputado.
Vice
Na tarde de ontem, a comissão rejeitou o requerimento de convocação do vice-governador do Estado, Paulo Feijó (DEM). Após o requerimento ser rejeitado, o presidente da CPI formalizou um convite ao democrata. "Por coerência eu acho que ele deveria vir, ele foi uma das peças chaves", afirmou.
Feijó divulgou a gravação de uma conversa com o então chefe da Casa Civil gaúcha, Cézar Busatto, na qual este admitia o uso de estatais no financiamento de campanhas. A divulgação da gravação provocou a queda de Busatto e acentuou a crise política no Estado.
Nesta terça-feira os deputados esperam ouvir o empresário José Antônio Fernandes, apontado como um dos principais operadores do suposto esquema. No entanto, o depoimento pode ser adiado por problemas de saúde alegados pelo empresário.
A comissão tem até quinta-feira (19) para realizar os interrogatórios. Segundo o presidente da CPI, o relatório final das investigações devem ser entregues até o dia 3 de julho.
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