Brasil
18/06/2008 - 09h25

Limite de desmatamento não é tabu, afirma ministro

MARTA SALOMON
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Na primeira reunião com colegas ministros depois que assumiu a coordenação do PAS (Programa Amazônia Sustentável), Mangabeira Unger (Assuntos Estratégicos) levantou ontem a possibilidade de ajuste no limite de desmatamento fixado para a região da floresta, de até 20% da área dos imóveis rurais. "Não há nenhum assunto tabu", declarou o ministro ao se manifestar sobre o principal pleito do agronegócio.

O ajuste a que o ministro se referiu não depende, no momento, de mudança no Código Florestal, em discussão no Congresso. Mas lança mão de um dispositivo nunca usado, embora já previsto entre as regras em vigor, e que permite a redução da reserva legal, "para fins de recomposição", de 80% para até 50%. São duas as condições: indicação do zoneamento ecológico-econômico e aval do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente) e dos ministérios do Meio Ambiente e da Agricultura.

Hoje, Acre e Rondônia já têm leis estaduais de zoneamento. A reserva legal de 80% é amplamente descumprida. Segundo levantamento do Ministério do Meio Ambiente, só 3 dos 36 municípios que mais desmataram a Amazônia cumprem a regra de preservação de 80% das florestas. Em média, os municípios-alvo do combate ao desmatamento já perderam 50% de suas matas. Em Brasil Novo (PA), caso mais crítico, restam apenas 17,47% das florestas.

Segundo Mangabeira, a mudança de regras da reserva legal poderá ser discutida adiante, mas não de forma "atabalhoada". Ele considerou "exagerada" a interpretação de que restariam só 7% para o agronegócio na Amazônia Legal depois de descontadas a exigência de reserva legal e unidades de conservação. Essa conclusão aparece em estudo desenvolvido pela Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura.

Recentemente, o ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) disse ter obtido o compromisso do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que vetaria mudanças no Código Florestal caso o percentual de preservação da Amazônia seja reduzido.

Ministros

Minc participou da reunião "preparatória" de ontem com Mangabeira Unger, na qual também estiveram presentes outros ministros. Mangabeira definiu como prioridade do governo a regularização fundiária da Amazônia. "Precisamos tirar a região do caldeirão de insegurança jurídica", disse, sem dispor de números do percentual de propriedades irregulares. O ministro também defendeu a criação de um "cinturão" na área de transição entre cerrado e floresta, em que a população seria remunerada para desenvolver atividades produtivas "economicamente viáveis e ambientalmente seguras".

"O governo não encara a floresta como fronteira agrícola", insistiu, apesar de dados oficiais apontarem que a Amazônia Legal já responde por quase 40% de toda a produção de soja e carne do país. Diferentemente do que prevêem as medidas contra o desmatamento adotadas pelo governo, Mangabeira defendeu que as ações alcancem também pequenos produtores e assentamentos de reforma agrária. Não foram fixados prazos para os primeiros resultados do PAS.

Comentários dos leitores
Alcides Emanuelli (480) 10/10/2008 15h56
Alcides Emanuelli (480) 10/10/2008 15h56
Ao Gamarra, Carlos José dos Santos e Barata, suas palavras soam como suplicas, como lagrimas elas caem e secam na poeira, mas sempre resta um pingo de esperança pelo respeito a Natureza, continuar é viver e querer é lutar e nos obrigamos a continuar em nossas buscas do Bem para a humanidade.
Um breve relato de uma região que morei um dia e vivi, a Região do Rio Araguaia no Mato Grosso onde foram implantado mais de 30 projetos fundiarios na Época dos anos 70.
Como era a legislação, o interessado comprava 400 he e teria o direito de desmatar 50%, os outros 50% deveria ser preservação do serrado da região, mas eles desmatavam mais que os 50% para plantar o arroz sequeiro, tudo com emprestimos do Banco do Brasil, tudo com a supervisão de instituições publicas de agropecuarias.
O homem não tem limites em suas ambições e não respeita nada e quando alguem fala ele diz que é desenvolvimento, e vai destruindo tudo que vê pela frente por interesse financeiro o principal interesse são os financiamento do Banco do Brasil e a primeira coisa que faz quando toma um financiamento e trocar a camionete e comprar uma moto mais potente.
Agora vem algumas palavras para o Ministro Minc e para o INCRA, nunca vai existir preservação da natureza com desmatamento parcial nos lotes, se não fizerem reservas totais onde o homem não vai poder morar, nem destruir, a unica forma de conviver com essas áreas seria o extrativismo com a preservação total.
Se não for feito assim não há preservação.
sem opinião
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Diógenes Pereira da Silva (49) 02/10/2008 20h40
Diógenes Pereira da Silva (49) 02/10/2008 20h40
Tratar como desonesto alguém que é sabidamente honesto significa limitar ou até suprimir o benefício que se pode obter de um conjunto de fatores concretos, mas que por uma questão ou outra vem sendo massacrado pelos princípios vis cominado no cotidiano dos brasileiros. Ultimamente e diante os resultados dos acontecimentos recentes, tenho-me questionado sobre o que significa honestidade. Se o partido do Delegado Protógenes é mesmo o da honestidade. Certamente ele não tem pretensão política. Pois honestidade é uma palavra que não faz parte do dicionário de muitos políticos brasileiros! sem opinião
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Gamarra R (100) 02/10/2008 11h13
Gamarra R (100) 02/10/2008 11h13
ASSENTAMENTOS DO INCRA REPRESENTA 44% DOS DESMATAMENTOS NO PAÍS!
CADÊ O DEVER DE CASA SR. LULA & MINC?"
2 opiniões
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