Nenhum político com "ficha suja" foi eleito no Rio em 2006, diz presidente do TRE
MARCELO GUTIERRES
colaboração para a Folha Online
O presidente do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio de Janeiro, Roberto Wider, disse nesta quarta-feira que nenhum político com "ficha suja" foi eleito no Estado nas eleições de 2006 em função da "exigência firme" do Tribunal.
"O TRE, já em 2006, se posicionou de uma maneira muito firme, exigindo esse requisito da moralidade observada na vida pregressa. A discussão foi para o TSE, por se tratar de uma idéia nova, e houve um grande debate, mas sem decisão favorável. Aí eu disse 'o TRE fez a sua parte, agora é com vocês, eleitores'. Nenhum foi eleito. Nenhum! O eleitor foi conscientizado", disse Wider.
Amanhã e sexta-feira acontecerá na capital fluminense o 41º Encontro do Colégio de Presidentes dos Tribunais Regionais Eleitorais do Brasil. O presidente do TRE-RJ irá falar sobre as principais estratégias do Tribunal para as eleições municipais.
Para o presidente do TRE-RS, João Carlos Branco Cardoso, cabe aos partidos fazerem a triagem dos candidatos e, posteriormente, aos eleitores escolherem com consciência. Ele ressaltou que a Corte gaúcha ainda não tem uma posição a respeito sobre a divulgação ou não de "ficha suja".
"Essa triagem deve ser feita pelos partidos. Ele devem deixar de lado, nas convenções, a eventual densidade eleitoral de um candidato e olhar a questão ética. Eu acho que cabe aos partidos, em primeiro lugar, fazer essa triagem e em segundo lugar ao eleitor. Aí vai depender um pouco da memória do eleitor", disse Cardoso.
Já o presidente do TRE-PB, Nilo Luis Ramalho Vieira, diz ser favorável à divulgação das informações. "Se o eleitor precisa escolher, votar bem, ele precisa, no mínimo, saber em quem está votando. E essa informação [sobre as fichas] é muito boa para possibilitar ao eleitor fazer sua escolha corretamente", defendeu.
O TRE-PB foi o responsável pela consulta ao TSE sobre a possibilidade de divulgação ou não pelas Cortes da "ficha suja" dos candidatos.
Embora o TSE tenha decidido pela não-divulgação, Vieira considera que a consulta provocou debates na sociedade e no Congresso. Ele afirmou ainda que, caso os juízes eleitorais "fundamentem bem" as decisões, a Corte paraibana poderá acolhê-las.
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