Brasil
19/06/2008 - 07h32

Ibama multa em R$ 20 mi fazendeiro que desmatou área em terra indígena

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RODRIGO VARGAS
da Agência Folha, em Campo Grande

Fiscais do Ibama aplicaram multa de R$ 20 milhões a um fazendeiro que desmatou 4.016 hectares de áreas de preservação permanente na Terra Indígena Maraiwatsede, dos índios xavantes, no município de Alto Boa Vista (1.058 km de Cuiabá). Segundo os fiscais, a derrubada ocorreu entre os anos de 2003 e 2005, mas foi identificada somente agora por meio de imagens de satélite.

A autuação foi feita na fazenda Conquista --o nome do proprietário não foi divulgado--, uma das muitas áreas particulares abertas dentro da área de 165 mil hectares, homologada em 1998 para os índios. De acordo com os fiscais, as áreas de mata foram derrubadas para dar lugar a extensas lavouras de soja e arroz.

"A gente conseguiu chegar bem em tempo. O crime começaria a prescrever a partir do próximo ano", explica o analista ambiental Dalmir Comiran, do escritório regional do Ibama de Barra do Garças, na região do Araguaia (540 km de Cuiabá). Ele diz que as imagens utilizadas foram as obtidas pelo sistema de detecção Deter, do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais).

De janeiro a abril deste ano, segundo o levantamento, Maraiwatsede foi a área indígena com o maior número de pontos de possíveis desmates detectados (12) e de extensão de áreas abertas (3.241 hectares).

A Folha divulgou em maio que a área é uma das dez que enfrentam conflitos por terra no país. Informações do Ministério Público Federal dão conta de que grupos criminosos, ligados a políticos e produtores rurais, vêm fraudando documentos para dar posse a lotes dentro da área.

A multa aplicada ao fazendeiro vai ser cobrada administrativamente, após a concessão de prazo para defesa. Em março, o Ibama anunciou a criação de uma força-tarefa de procuradores para resgatar mais de R$ 1 bilhão em punições que, aplicadas a infratores ambientais, nunca foram pagas.

Comentários dos leitores
Felipe Zagalo (1) 24/06/2009 15h11
Felipe Zagalo (1) 24/06/2009 15h11
Tenho pela certeza que o sr. Reis sabe o que diz. Não posso recriminá-lo pelas suas palavaras, pois vivo na Amazônia e sei exatamente o que acontece nos dois extremos, do degradador e do ambientalismo, muitas das vezes radical. Não podemos negar que há pessoas sem nenhum preparo para respeitar as questões ambientais, mas também não podemos negar que a pobreza causa muito mais impacto negativo, seja socialmente como ambiental, portanto tenho que respeitar a opinião do Sr. Reis, pois Londres, Paris, Amsterdã, entre outras cidades ricas da Europa, Oceania, Canadá e EUA estão no topo do ecologismo, sendo modelos de preservação ambiental, depois de esgotarem seus recursos naturais, sendo assim foi fácil recuperar um Tâmisa, um Sena, mas veja se a indústria parou? Aqui na Amazônia existem pessoas sérias, existem fazendas de gado, muito melhores, na questão ambiental, do que muitas que conheci em São Paulo, existem muitas áreas agrícolas que respeitam as APP's, o que a gente não vê no oeste do Paraná. Então saudações ambientais sr. Reis e que Deus sempre o ilumine. sem opinião
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oldemar rodrigues (4) 23/06/2009 22h40
oldemar rodrigues (4) 23/06/2009 22h40
Esta é uma coisa razoavel que o Presidente Lula disse nestes ultimos dias de avalanches politicos negativos.
O Meio Ambiente é um bem de todos, produtores ou não. E nada mais justo que haja participação da classe produtora nas decisões para preservação ambiental , pois essa matéria sempre aconteceu de forma unilateral e eu sou testemunho disso, pois estou na area ambiental a 30 anos e com segurança digo que se essas areas não interagirem jamais teremos preservação de verdade.
Não devemos esquecer que o desenvolvimento é uma necessidade imediata de qualquer ser humano, seja ele ambientalista ou produtor, pois ambos respiram, comem, trabalhão. ao contrario das consequencias ambientais causada pelo desenvolvimento insutentavel que leva tempos para ser percebido levando varias gerações as vezes para se manifestar. Portanto a educação ambiental e a aplicação de leis adquadas feitas com a participação de ambas as partes seriam o ideal para os bons resultados na luta pela preservação ambiental.
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Rodrigo Vieira de Morais (86) 22/06/2009 17h49
Rodrigo Vieira de Morais (86) 22/06/2009 17h49
O problema não é desmatar, e sim o que o pessoal vai vazer da vida depois de desmatar a Amazônia. Vai viver de quê?
Aqui no sudeste e sul do país o que aconteceu foi um desmatamento desinfreado que não trouxe vantagem alguma.
Quem ganhou muito dinheiro com o desmatamento acabou vendendo sua propriedade e foi pra cidade viver de aluguel de imóvel.
Quanta área aqui no sudeste e sul é mal utilizada pelo produtor rural. Agora as áreas desmatadas valem menos que as áreas com reserva legal e APP.
O problema todo é renda para as pessoas, enquanto uma árvore valer mais deitada do que em pé não existirá preservação ambiental aqui no Brasil.
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