Governador de Rondônia quer CSS para combater desmatamento no país
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O governador Ivo Cassol (Rondônia) sugeriu nesta quinta-feira a criação de um imposto nos moldes da CSS (Contribuição Social para a Saúde) para financiar ações de combate ao desmatamento no país. Cassol disse que, ao invés de o governo federal atribuir aos Estados a responsabilidade pelo combate ao desmatamento, deveria levantar fundos para impedir a destruição das florestas.
"Não estão criando a CSS para financiar a saúde? Já que todos falam do desmatamento, por que não podemos ter um imposto com alíquota de 0,01%, 0,02%, não importa. Mas que possamos, com o fundo, estimular os proprietários de terras para serem os guardiões das florestas", defendeu.
Ao contrário de Cassol, o governador Blairo Maggi (Mato Grosso) criticou a criação do tributo como alternativa para financiar o desmatamento. "Eu penso que os recursos para a floresta devem vir dos proprietários de terras, dos índios, da comunidade internacional. A Amazônia é importante para todo o mundo, não apenas para o Brasil. Que os recursos sejam divididos por todos que vivem na região", afirmou.
Desmatamento
Durante audiência pública na Comissão de Meio Ambiente da Câmara, Maggi e Cassol rebateram os índices de desmatamento divulgados pelo Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que incluem os dois Estados entre os que mais desmatam no país. Cassol disse que os governadores não podem ser responsabilizados pela destruição das florestas, como acusa o Poder Executivo.
"Querem sempre culpar os governadores. O que houve na Amazônia não foi hoje, foi no passado. Se querem coibir o desmatamento, então que parem de falar em reforma agrária", criticou Cassol.
Maggi, por sua vez, sugeriu uma "checagem" dos índices de desmatamento divulgados pelo Inpe com o objetivo de mostrar que o Mato Grosso não tem ampliado a área de florestas devastadas no Estado. "Eu proponho uma checagem para mostrar que o Mato Grosso não tem acelerado o desmatamento, há uma diferença entre os números utilizados pelo governo."
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