PF prende três servidores públicos suspeitos de desviar recursos do PAC
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A Polícia Federal prendeu nesta sexta-feira três servidores públicos federais suspeitos de envolvimento em fraudes de empréstimos no BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e na Caixa Econômica Federal, dentro da Operação João de Barro. Os nomes dos servidores são mantidos em sigilo pela PF, mas os três são funcionários comissionados do Ministério das Cidades, Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba) e Secretaria do Tesouro Nacional.
A PF suspeita que os servidores agilizavam a aprovação de convênios e empréstimos nos dois bancos para a execução de obras em diversos municípios brasileiros --algumas previstas no PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Também há indícios de que os três poderiam antecipar informações a lobistas vinculados a empresas que executavam as obras do programa nos Estados e municípios.
Segundo a PF, um grupo de lobistas cooptava funcionários públicos para agilizar projetos e obras do governo por meio de convênios e financiamento às prefeituras. O grupo conseguia direcionar licitações para que empresas participantes do esquema fossem beneficiadas nas obras.
Os projetos acabavam executados com recursos inferiores aos liberados pelo governo, com a diferença sendo distribuída entre os participantes das fraudes.
O desfalque atingia as chamadas Transferências Voluntárias, que compreendem recursos financeiros repassados pela União aos Estados, Distrito Federal e municípios em decorrência da celebração de convênios ou empréstimos cedidos pela Caixa e BNDES. De acordo com a polícia, parte dessas transferências se destinavam a custear obras do PAC.
A PF também mantém em sigilo as empresas que participavam das fraudes, mas disse que são três grupos que reúnem o total de 60 empresas nos Estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Tocantins e Distrito Federal.
Deputados
O esquema de fraudes também incluiu a participação dos deputados João Magalhães (PMDB-MG) e Ademir Camilo (PDT-MG), que liberavam emendas parlamentares para a execução das obras. Os parlamentares devem ser denunciados à PGR (Procuradoria Geral da República) na segunda fase das investigações da PF por tráfico de influência, corrupção passiva, formação de quadrilha e concussão --se for confirmado o envolvimento dos deputados nas irregularidades.
No total, a PF identificou a liberação de R$ 700 milhões para as obras, além de mais de R$ 2 bilhões que estavam previstos para serem executados no esquema. Com a operação, a PF conseguiu impedir a liberação dos recursos previstos para outras obras do governo.
Na segunda etapa das investigações, a PF espera que a Justiça autorize mandados de prisão contra administradores de municípios envolvidos no esquema. Como o STF (Supremo Tribunal Federal) concedeu apenas a autorização para busca e apreensão de material na primeira etapa das investigações, caberá ao TRF (Tribunal Regional Federal) determinar a prisão dos administradores dos municípios.
A PF já executou 26 mandados de prisão de envolvidos no esquema até o início da tarde desta sexta-feira. O número pode aumentar até o final do dia, uma vez que a polícia ainda não terminou de executar todos os mandados previstos na Operação João de Barro.
No total, o TRF (Tribunal Regional Federal) de Governador Valadares expediu 38 mandados de prisão na operação.
Leia mais
- Deputados investigados devem ser indiciados pela PF por corrupção e tráfico de influência
- Justiça e Câmara autorizaram ação da PF em gabinetes de deputados, diz Tarso
- Tarso descarta vínculo político em operação contra desvio de verbas do PAC
- PF faz buscas em gabinetes de deputados durante operação contra desvio de verbas
- Polícia Federal realiza operação contra desvio de verbas do PAC
- PF investiga servidores do TCE em Minas Gerais
Livraria da Folha
- Frederico Vasconcelos ensina como investigar governos, empresas e tribunais
- Livro mostra como se tornar advogado, escolher carreira e conseguir primeiro emprego
Especial


Devemos aceitar tudo cegamente, afinal, Lula virou Deus.
Aceitem os esquemas de corrupção calados, senão serão taxados de pessimistas, "da oposição",etc.
Brasil esta super bem, super educado, super nos trinks.
Política hidem!
[]s
Eduardo.
avalie fechar
Isto queer dizer que fazem de tudo e inventam um pouquinho mais para justificar o injustificável.
É uma pena de que a corrupção tornou-se rotina do cotidiano principalmente político, que o eleitor nem mais liga para isso e consegue eleger sempre os mesmos, mesmo que possuam fichas sujas, participem de escândalos entre outros.
É LAMENTÁVEL, MAS FAZER O QUE, SE PRATICAMENTE NINGUÉM DÁ OUVIDOS À ÉTICA E À DIGNIDADE NA VIDA POLÍTICA DO PAÍS.
avalie fechar
avalie fechar