Filmagem atrai atenções de turistas no Congresso em semana de recesso branco
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
Com o Senado esvaziado esta semana em conseqüência do recesso branco decretado pelo senador Garibaldi Alves (PMDB-RN), a filmagem de um curta metragem atraiu as atenções de turistas que visitaram a sede do Legislativo nesta segunda-feira. O protagonista do filme, fantasiado de astronauta, chamou a atenção de curiosos ao rodar uma das cenas no curta na rampa principal do Congresso.
Apesar de ter o Congresso como cenário de parte do filme, a produtora do curta "Nada Consta 2", Clarissa Cardoso, disse que o roteiro não tem qualquer relação com o Congresso por se tratar de uma peça de ficção científica. "Nós só aproveitamos os pontos externos do Congresso porque o filme é rodado em Brasília. Não é protesto ou nada parecido", disse.
Garibaldi decidiu decretar "recesso branco" no Senado para que os parlamentares participem das festas juninas do Nordeste e das convenções partidárias para as eleições municipais de outubro. O presidente do Senado não vai cortar o ponto dos ausentes, assim como o plenário da Casa Legislativa não vai realizar votações ao longo da semana.
Ao contrário do Senado, na Câmara os deputados terão as atividades normais ao longo desta semana. O presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), prometeu descontar os salários dos deputados que não comparecerem às votações previstas para terça e quarta-feira. A pauta da Câmara está trancada por uma medida provisória e um projeto de lei com prazo de urgência constitucional vencido.
Apesar da convocação de Chinaglia, parlamentares da bancada do Nordeste estão dispostos a esvaziar as votações em conseqüência das festas juninas.
Nova CPMF
Com a pauta trancada e o esperado esvaziamento da Câmara, os governistas terão dificuldades para colocar em votação o último destaque da emenda 29 (que amplia os recursos para a saúde), considerado o mais polêmico pela base aliada. O destaque retira a base de cálculo da nova CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), batizada de CSS (Contribuição Social para a Saúde).
Na prática, o destaque apresentado pela oposição impede que o novo tributo incida sobre as movimentações financeiras do país.
Na semana passada, sem maioria no plenário da Câmara, os governistas pediram o adiamento da votação diante da possibilidade de não reunir os 257 votos necessários para derrubar o destaque da oposição. Se o destaque for aprovado, a criação do novo tributo seria prejudicada --uma vez que a CSS, com alíquota de 0,1%, vai incidir sobre as movimentações financeiras do país.
Os governistas anunciaram a obstrução à votação do destaque depois de reunirem somente 262 deputados para derrubar outro destaque apresentado pela oposição --que destinava à saúde 10% da receita total da União. Ao perceber que poderiam não reunir 257 votos em favor da CSS, a base aliada do governo desistiu da votação.
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