Brasil
24/06/2008 - 21h21

Veja fatos que marcaram o período de Ruth Cardoso como primeira-dama

da Folha Online

Longe de escândalos e marcada pela sua seriedade e sobriedade no período em que foi primeira-dama, Ruth Cardoso viu seu nome voltar à mídia recentemente pela divulgação de um dossiê com gastos do governo durante a gestão FHC (1995-2002).

A lista, supostamente montada a mando da Casa Civil para constranger integrantes do governo anterior, continha detalhes, fora da ordem cronológica, de diversos gastos, com ênfase nos feitos pela ex-primeira-dama e naqueles que envolvem bebidas e itens como lixas de unha.

17.out.2007 Bruno Miranda/Folha Imagem
A ex-primeira-dama Ruth Cardoso durante entrevista à Folha, em São Paulo
A ex-primeira-dama Ruth Cardoso durante entrevista à Folha, em São Paulo

A montagem do dossiê chegou a ser alvo de investigação de uma CPI no Congresso que investigou denúncias de gastos irregulares com cartões corporativos do governo.

Veja a seguir alguns fatos que marcaram o período de Ruth Cardoso como primeira-dama do Brasil:

Novembro de 1998

Durante visita à UniRio (Universidade do Rio de Janeiro), estudantes jogaram notas e moedas de real em sua direção protestando quanto a situação do ensino no país.

D. Ruth minimizou o protesto, afirmando que os manifestantes não tinham "representatividade do meio estudantil".

Setembro de 1998

Foi notícia na época a internação de D. Ruth no Hospital das Forças Armadas depois de uma crise de arritmia cardíaca no Palácio da Alvorada.

Na época com 68 anos, os médicos diagnosticaram na ex-primeira-dama um quadro de arritmia cardíaca, sem comprometimento das funções cardíacas.

Novembro de 1997

A então primeira-dama lançou em Brasília o projeto Voluntários, do programa Comunidade Solidária, para cadastrar pessoas interessadas em prestar serviços não remunerados em entidades sem fins lucrativos.

A iniciativa contou com um investimento de R$ 3 milhões do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) para a implantação dos centros de voluntariado.

Outubro de 1997

Em 1997, foi alvo de protestos de religiosos e órgãos ligados à igreja ao defender, às vésperas de uma visita do papa João Paulo 2º ao Brasil, a aprovação pelo Congresso Nacional da lei que regulamenta a realização de abortos legais em hospitais públicos.

Na ocasião, bispos da Igreja Católica acusaram D. Ruth de demagogia e agressão ao papa.

Setembro de 1997

Em visita à Inglaterra, a ex-primeira-dama e o então presidente FHC jantaram com a rainha Elizabeth 2ª.

D. Ruth foi presenteada pela rainha da Inglaterra com um serviço de chá de porcelana, enquanto FHC ganhou duas imagens antigas de Londres, um livro de imagens do Reino Unido e dois retratos da rainha com o príncipe Philip com moldura prateada.

Fevereiro de 2000

O carro da ex-primeira-dama foi furtado no Rio de Janeiro no bairro de Laranjeiras (zona sul do Rio). O furto ocorreu quando o motorista da primeira-dama, Gilberto de Souza Passos, jantava na casa de amigos.

O veículo foi achado pelo polícia por acaso menos de 72 horas depois. Ele estava estacionado sem sinais de arrombamento próximo a uma praça no Jardim Botânico (zona sul do Rio).

Dezembro de 2002

Com o mandato de FHC chegando ao fim, Ruth Cardoso anuncia que vai continuar atuando na área social ao ir trabalhar na Comunitas.

Na organização, a ex-primeira-dama assumiu o cargo de presidente de honra e deu seqüência ao trabalho que desenvolvia no comando dos projetos do Comunidade Solidária.

Comentários dos leitores
José Eduardo (29) 25/09/2008 21h29
José Eduardo (29) 25/09/2008 21h29
FHC e Serra não podiam ter escolhido melhor lugar para homenagear a falecida: a Fiesp do Paulo Skaff. sem opinião
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MRegina Boppre (1) 05/07/2008 03h14
MRegina Boppre (1) 05/07/2008 03h14
FLORIANOPOLIS / SC
Respondendo ao comentario (postado para mim, do n° 22), sobre a minha opinião, quero agradecer os elogios, mas a frase que ali citei não é minha, deixei a fonte bem clara.
Segue novamente: é de Beaumarchais. Tenho birra atavica de plágios rsrs e se quiser eu a cito "dinovo"
Sds
1 opinião
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Ellen . (106) 02/07/2008 10h45
Ellen . (106) 02/07/2008 10h45
Não é por acaso que os livros de auto-ajuda são os mais vendidos. Palavras tais como "cada grão ajuda a preencher um todo", "faça sua parte e limpe sua consciência", estão cada vez mais embutidas no imaginário social das pessoas - principalmente da classe média brasileira. Virou moda senhoras da elite virarem "sociólogas" e dedicarem-se ao exercício "do bem". Como cientistas que se alegram em examinar o comportamento de ratos em laboratórios, muitos satisfazem seus egos com atos que refocilam e logram com a situação.
São frases que cotidianamente observamos nos programas de auditório, frase de artistas, enfim, coisas que apenas contribuem para a continuidade da imensa desigualdade que existe em nosso país. Nos países desenvolvidos da Europa, não há Ongs e entidades de caridade, há um Estado forte que garante o Estado de direito e a igualdade de oportunidade. As elites brasileiras fazem questão de manter essa forma de pensamento, pois temem por um Estado realmente democrático, justo e igualitário. É muito melhor viver no luxo e dar esmolas ao ter que dividir. Este tipo de pensamento pode ser, a priori, uma forma "justa nos valores cristãos", mas na realidade, é ultrapassado, leviano e enganador.
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