PMDB e PDT vão evitar punição a deputados investigados na Operação João de Barro
RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
O PMDB e o PDT vão evitar a punição contra os deputados João Magalhães (PMDB) e Ademir Camilo (PDT), ambos de Minas Gerais, investigados pela Operação João de Barro, da Polícia Federal, que apura fraudes nas licitações do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Em nome da cautela, peemedebistas e pedetistas aguardarão as orientações do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), para tomar eventuais providências.
Magalhães ainda não procurou o líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), para prestar esclarecimentos. Internamente, a ordem de Alves é para que o assunto seja tratado como técnico e não com caráter político, uma vez que as investigações são conduzidas pela PF e ainda não foram concluídas.
A menos de quatro meses das eleições municipais, peemedebistas se esquivam de envolver o partido na defesa de Magalhães, uma vez que ele é acusado de liderar um esquema de fraudes de licitações em municípios do leste e do Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. O MPF (Ministério Público Federal) em Governador Valadares ajuizou a 25ª Ação de Improbidade Administrativa contra o deputado.
No caso de Adelmir, o deputado procurou o presidente e líder do PDT na Câmara, Vieira da Cunha (RS). Na conversa, o parlamentar negou qualquer envolvimento com irregularidades. Segundo o deputado mineiro, policiais federais, ao executarem a ordem de busca e apreensão no seu gabinete na Câmara, recolheram apenas documentos relativos a emendas parlamentares, nas quais destinava recursos para a região de Teófilo Otoni (MG) e municípios próximos.
As denúncias contra Adelmir ocorrem no momento em que outro deputado do PDT é acusado de irregularidades, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho da Força Sindical (SP). Acusado de desvio de recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico Social), Paulinho é investigado pelo Conselho de Ética da Câmara por quebra de decoro parlamentar.
A Operação João de Barro investiga suspeitos de integrar um esquema de fraude de contratos que desviava recursos públicos de obras realizadas em 119 localidades do Distrito Federal e de sete Estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Rio Grande do Norte, Minas Gerais, Goiás e Tocantins.
Algumas das obras investigadas estavam incluídas no PAC. A PF identificou a liberação de R$ 700 milhões por meio de emendas parlamentares ou convênios com ministérios. Magalhães e Adelmir tiveram seus gabinetes examinados na última sexta-feira por policiais federais.
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