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Brasil
23/06/2008 - 19h05

Senadores criticam "recesso branco" decretado por Garibaldi Alves

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Senadores da base aliada do governo e da oposição criticaram hoje o "recesso branco" decretado na Casa Legislativa nesta semana em conseqüência das festas juninas e das convenções partidárias para as eleições de outubro. Com os corredores do Senado vazios, os poucos parlamentares que compareceram à Casa nesta segunda-feira demonstraram insatisfação com a paralisia nas votações do plenário determinada pelo presidente Garibaldi Alves (PMDB-RN), com o aval dos líderes partidários.

"Eu acho um absurdo. As festas juninas são tradição em poucos Estados do Nordeste, mas para a população o dever do parlamentar é estar no Congresso atuando. Se levarmos em conta as quadrilhas que existem no país, não apenas as juninas, nunca mais vamos trabalhar, já que tivemos mensalão, sanguessugas, cartões corporativos", reagiu o senador Álvaro Dias (PSDB-PR).

O tucano disse que a "desculpa' das convenções partidárias para a escolha dos candidatos nas eleições municipais também não "cola", uma vez que ocorrem sempre nos finais de semana. "Essa desculpa é pior ainda, nenhum partido realiza convenções no meio da semana. Além disso, só teremos três senadores candidatos a prefeitos."

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) disse que seria "apropriado" para o Senado realizar votações no plenário nesta semana em vez de desgastar sua imagem com a folga junina. "O Senado estaria se fortalecendo e melhorando sua imagem se não suspendesse as sessões nesta semana. Se as festas juninas são tão importante para os senadores nordestinos, eu não vejo razão para suspender a semana inteira de trabalhos já que o São João será só na terça-feira", afirmou Suplicy.

O líder do PMDB, Vadir Raupp (RO), evitou criticar a "folga junina" porque participou da reunião de líderes com Garibaldi em que o recesso branco ficou acertado. Mas defendeu que entre agosto e outubro --quando o Congresso também terá os trabalhos suspensos em conseqüência das eleições municipais-- os senadores trabalhem ao menos às terças e quartas feiras.

O senador Romeu Tuma (PTB-SP) disse que o Congresso deveria trabalhar esta semana uma vez que os parlamentares reclamam sistematicamente da falta de oportunidade de votarem projetos prioritários --diante do excesso de medidas provisórias que trancam a pauta da Casa.

"Eu estou aqui, mas o recesso não é satisfatório. A gente reclama do excesso de medidas provisórias, mas não abre a pauta para votação. Como a decisão foi dos líderes, eles mandam mais do que a gente", afirmou.

Com o recesso branco, os senadores estão liberados para ficar fora de Brasília até sexta-feira, sem cortes em seus salários. Na prática, quando retornarem ao Congresso, terão poucos dias de atividades, já que entre os dias 17 e 31 de julho será o período de recesso legislativo e, em seguida, as campanhas eleitorais municipais.

Garibaldi disse, no entanto, que vai insistir para que a Casa vote as PECs (Propostas de Emenda Constitucional) dos precatórios, do fim do voto secreto, além de outros temas "relevantes" para a Casa antes do início do recesso parlamentar.

Ao contrário do Senado, na Câmara, o presidente da Casa, Arlindo Chinaglia (PT-SP), avisou que não vai haver recesso branco nesta semana, com direito a corte nos salários dos ausentes. Chinaglia pretende fazer sessões com votações em plenário, apesar do esperado esvaziamento da bancada nordestina em razão das festas juninas.

 

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