Yeda anuncia concurso para tentar amenizar crise no Detran
GRACILIANO ROCHA
da Agência Folha, em Porto Alegre
Numa tentativa de antecipar o possível conteúdo do relatório final da CPI que investiga corrupção no Detran (Departamento Estadual de Trânsito) do Rio Grande do Sul, a governadora Yeda Crusius (PSDB) anunciou nesta segunda-feira um pacote de medidas para reestruturar a autarquia, que inclui a abertura de concurso público para a contratação de pessoal e a criação de um mecanismo de fiscalização permanente no órgão.
A crise política decorrente do escândalo do Detran atingiu o núcleo do governo da tucana e provocou a queda de integrantes do primeiro escalão.
Em novembro do ano passado, a Polícia Federal deflagrou a Operação Rodin, prendendo 13 pessoas suspeitas de participaram do desvio de R$ 44 milhões do Detran entre 2003 e 2007. Em maio, 40 pessoas passaram a responder como réus em processo criminal aberto pela Justiça Federal.
Yeda disse ontem que vai enviar um projeto de lei à Assembléia Legislativa para alterar a estrutura do órgão, abrindo concurso para a contratação de 162 novos servidores. O objetivo é reduzir o número de serviços terceirizados, como o do processo de seleção dos candidatos a motoristas --de acordo com a Procuradoria, foi através de empresas prestadoras de serviço que o desvio ocorreu.
No pacote anunciado por Yeda, está prevista a implantação de uma coordenadoria de fiscalização para monitorar todos os processos do Detran. A transição de modelo deverá levar nove meses, segundo a governadora. O prazo está relacionado à legislação eleitoral, que restringe a contratação de pessoal nos meses que antecedem a eleição.
As medidas anunciadas são uma tentativa de enfraquecer o possível conteúdo do relatório final que a CPI do Detran, instalada na Assembléia Legislativa gaúcha, deverá apresentar no dia 6 de julho.
Concluída a fase de depoimentos da comissão, governistas e a oposição --liderada pelo PT-- disputam agora o que deve ou não entrar no relatório.
Enquanto o relator Adilson Troca (PSDB) pretende se ater a questões técnicas relacionadas ao Detran, a oposição, que tem 5 dos 12 votos da CPI, já indicou que deverá preparar um relatório paralelo pedindo o indiciamento da governadora e de ex-secretários por crime de responsabilidade.
Além dos problemas com a oposição, a governadora enfrenta pressão dos seus principais aliados na Assembléia, PMDB, PP e PTB, por mais espaço no governo. As discussões de uma reforma mais ampla no governo estão acontecendo no "gabinete de transição", montado há duas semanas pela tucana.
Yeda não falou em reforma de secretariado, restringindo-se a informar as posses dos tucanos José Alberto Wenzel na Casa Civil e de Mercedes Rodrigues na Secretaria Geral de Governo acontecerão amanhã. Na prática, eles já substituem Cézar Busatto (PPS) e Delson Martini (PSDB), que foram demitidos no dia 7.
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Especial


É desproporcional, a força com que estão querendo minar o governo dela.
O engraçado, é que são os mesmos grupos e partidos que antes governaram o Estado, e motivaram a saída de centenas de empresas de lá.
Por pura instabilidade economica e falta de visão estratégica.
São os mesmos!
E querem a boquinha de volta.
Será que os gaúchos caíram neste golpe?
Para o bem deles, tomara que não.
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