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Brasil
24/06/2008 - 17h56

Senadores querem votação conjunta para projetos contra candidatos com "ficha suja"

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online

Na tentativa de evitar a eleição de candidatos que respondem a processos na Justiça, os senadores Pedro Simon (PMDB-RS), Jarbas Vasconcellos (PMDB-PE) e Demóstenes Torres (DEM-GO) vão apresentar ao plenário do Senado na próxima terça-feira (1º) proposta para votação conjunta dos 26 projetos que impedem que candidatos com "fichas sujas" sejam eleitos. O objetivo dos parlamentares é aprovar no Congresso um texto único com regras mais duras para os candidatos a tempo de entrar em vigor nas eleições municipais de outubro.

Os senadores esperam ter o apoio do plenário para a reunião dos projetos, com o objetivo de colocar o novo texto em votação na terça-feira na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado. O novo texto impede a candidatura de políticos já condenados na Justiça, em qualquer instância, por crimes eleitorais, corrupção, improbidade administrativa ou com penas superiores a dez anos de detenção --como homicídios e estupros.

"O que vai acontecer é que vamos tirar os bandidos da política e os decentes vêm para cá. A política vai ter que ser algo das pessoas de bem. Se o Congresso tiver vontade, podemos votar rapidamente. A bola está aqui", disse Demóstenes.

O novo texto, relatado pelo democrata, também obriga o Poder Judiciário a julgar todos os processos contra candidatos até a data das convenções partidárias. Desta forma, os políticos que forem inocentados pela Justiça não terão suas candidaturas prejudicadas por eventuais disputas eleitorais.

"O Brasil é hoje o país da impunidade. O cidadão que estiver sendo processado, a Justiça terá que julgá-lo até a convenção. Sendo absolvido, ele será candidato. Se obrigarmos a Justiça a decidir, quem for condenado não poderá ser candidato", explicou Simon.

O senador citou como exemplo o deputado Paulo Maluf (PP-SP) ao mencionar que o parlamentar responde a sucessivos processos na Justiça que ainda não foram julgados em todas as instâncias --o que permite que ele seja eleito. "Tem gente que há 40 anos responde a processos na Justiça, mas nunca foram condenados em definitivo", disse Simon.

Os senadores argumentam que a "vida pregressa" deve servir de base para um político se torne candidato. Os parlamentares contam com o apoio de entidades como a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) e OAB (Ordem dos Advogados do Brasil).

Demóstenes, Simon e Jarbas esperam concluir a votação do novo projeto nas próximas semanas, antes do recesso parlamentar de julho, para que as regras entrem em vigor este ano. Os parlamentares reconhecem, no entanto, que vão encontrar resistências do próprios deputados e senadores para que a votação tenha celeridade, já que muitos respondem a processos na Justiça. 'Nós reconhecemos que vai ser difícil, mas no Senado podemos concluir a votação nos próximos 15 dias. Se a Câmara tiver vontade política, também pode dar pressa ao projeto', afirmou Demóstenes.

Polêmica

No início de junho, a CNBB e outras 40 entidades civis apelaram para que o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Carlos Ayres Britto, apóie o projeto que veta a participação de políticos já condenados em eleições --inclusive os candidatos cuja sentença definitiva ainda não tenha sido proferida, como consta no projeto relatado por Demóstenes.

Britto elogiou a iniciativa, mas ressaltou que o momento "não é de caça às bruxas" e, sim, de "caça aos votos". Depois de receber uma carta assinada conjuntamente por presidentes de TREs (tribunais regionais eleitorais) favoráveis à mudança, o presidente do TSE disse que vai permitir que candidatos concorram às eleições municipais de outubro mesmo que tenham 'ficha suja'.

Ayres Britto disse que respeita a posição dos TREs --que definiram que vão impugnar candidatos que respondem a processos na Justiça Federal, Estadual ou Eleitoral --mas ressaltou que o TSE vai seguir decisão anteriormente tomada que permite a candidatura de políticos que não tiveram os processos concluídos na Justiça.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Igor Bevilaqua (731) 25/11/2009 11h39
Afinal de contas o Amazonino Mendes é no estado do Amazonas o mesmo homem poderoso que o Sarney é no Maranhão e no Acre..., tem razão do "TSE" dar carta branca para que continuem "comprando votos" e recebendo "presentinhos e doações" de empresas interessadas nos cofres do estado..., o estado do Amazonas não foge hora nenhuma às regras brasileiras de corrupção. sem opinião
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Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Luís da Velosa (1426) 29/10/2009 21h00
Vamos aguardar o julgamento do caso Battisti pelo Supremo Tribunal Federal - STF. Isso é o correto. Não somos juízes e, se nos arvorarmos a sermos, será uma impropriedade, uma temeridade. sem opinião
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Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
Washington Marques (108) 29/10/2009 13h53
NÃO SE PODIA ESPERAR OUTRA COISA DO SENADO FEDERAL SE NÃO A DESOBEDIENCIA JUDICIAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE FAZ APOLOGIA A DESOBEDIENCIA JUDICIAL E A DESORDEM TOTAL. O QUE SE ESPERAR DE UMA INSTITUIÇÃO QUE TEM A FINALIDADE DE LEGISLAR E FISCALIZAR, PRATICA NEPOTISMO EXPLICITO, DESCARADO A PONTO DE DESOBEDECER UMA ORDEM JUDICIAL (DA SUPREMA CORTE DESTE PAÍS).
SRES. SENADORES A PERGUNTA É: O QUE VOCES ESTÃO FAZENDO COM A CONSTITUIÇÃO BRASILEIRA ? E ONDE VOCES QUEREM CHEGAR COM TANTOS ABSURDOS ??
2 opiniões
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