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Brasil
25/06/2008 - 10h30

Sou contra "qualquer restrição" à imprensa, diz procurador-geral

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LILIAN CHRISTOFOLETTI
da Folha de S.Paulo

O procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Fernando Grella Vieira, afirmou que discorda do entendimento de seus promotores eleitorais, que consideraram propaganda eleitoral antecipada as entrevistas com pré-candidatos. "Sou favorável à inexistência de qualquer restrição [à liberdade de imprensa]", afirmou Grella, que ressaltou ser uma opinião pessoal dele.

Há 87 dias no cargo, Grella diminuiu o número de assessores do procurador-geral, de 67 para 42, "o que trouxe uma economia mensal de R$ 100 mil", e quer criar novas vagas de procurador de Justiça. Leia abaixo trechos da entrevista à Folha:

FOLHA - A Promotoria eleitoral considerou algumas entrevistas com pré-candidatos uma propaganda eleitoral antecipada. Qual a opinião do sr. sobre isso?

GRELLA - A interpretação dada pelos quatro colegas que oficiam na 1ª Zona Eleitoral e que foi acolhida pelo juiz não é pioneira, já foi defendida em livro e em casos concretos e, acima de tudo, dá concretude a uma diretriz contida em resolução do TSE. O próprio presidente do TSE falou da possibilidade de rever essa norma. É um assunto extremamente polêmico, pois envolve confronto de princípios constitucionais de peso: a igualdade entre os candidatos e o direito à informação.

FOLHA - Qual o seu entendimento?

GRELLA - Pessoalmente sou favorável à inexistência de qualquer restrição, pessoalmente.

FOLHA - Por quê?

GRELLA - Porque não vejo muita utilidade nesse tipo de controle que o Estado quer se propor a fazer. Neste assunto, não deveria haver limitações ou restrições. Deveríamos reservar isso para situações em que houvesse um prejuízo demonstrado por um candidato. Mas é uma opinião pessoal minha, e acredito até que os colegas agiram corretamente, eles representam a concretização de uma norma do TSE.

FOLHA - Quando fala em norma do TSE, o sr. fala do artigo 24, que proíbe o candidato de falar de plataforma política em entrevistas para rádio e TV. O sr. entende que isso também se aplica a jornais e revistas?

GRELLA - É outro tema que o presidente do TSE entende que deveria haver uma distinção entre os meios de comunicação. Rádio e TV são concessões públicas, jornal, não.

FOLHA - Mas, na opinião do sr., o artigo 24 pode ser aplicado para jornais e revistas?

GRELLA - Não, acho que não, são meios distintos. Se tivesse de prevalecer uma linha, defenderia a ausência de restrições também para TV e rádio.

FOLHA - Um procurador disse que o sr. errou ao indicar as promotoras para a função eleitoral, pois elas não se enquadram nas normas fixadas pelo conselho do Ministério Público.

GRELLA - O critério que adotamos é o mesmo das últimas gestões do Ministério Público. Elas estão exercendo uma função temporária para auxiliar nos casos de propaganda eleitoral e vão continuar.

FOLHA - O sr. definiu que a prioridade do Gaeco, grupo de atuação especial do Ministério Público, será o crime articulado de dentro de presídios e que qualquer outro caso, inclusive os que envolvam agentes políticos, dependerá de "autorização expressa" do senhor. Por quê?

GRELLA - Essa medida fortalece o grupo, que deve ter uma área de atuação definida e não se ocupar com assuntos variados, dispersando sua força. Não é autorização expressa para investigar, mas para dizer se o Gaeco vai assumir um caso ou se ficará com o promotor natural. O procurador-geral só entraria quando houvesse um conflito. O que não posso é tirar um caso do promotor natural para passar para o Gaeco.

FOLHA - Isso não cria uma concentração de poder nas mãos do procurador-geral, tornando possível interferências políticas?

GRELLA - Não. Primeiro, não vou dizer sobre o mérito. Segundo, ninguém vai tirar caso do promotor natural e passar para o Gaeco nem o contrário. Só vou designar quando o promotor natural quiser transferir um caso para o Gaeco. Ao contrário do que possa parecer, é uma ação muito mais protetiva do Gaeco e mais respeitosa à independência funcional dos promotores. O papel do procurador-geral será de expectador, atuará em caso de conflito.

Comentários dos leitores
Marcelo Magalhaes (1) 11/10/2008 11h36
Marcelo Magalhaes (1) 11/10/2008 11h36
Que este jornal ex-sério sempre foi contra os evangélicos, não é novidade. O problema é saber e duvidar se essa seita, que se diz "evangélica", pode ser considerada Igreja. Um jornal formado por ateus e outras aberrações, contra uma seita formada e fundada por picaretas. Que briga! O inferno deve estar uma festa! 1 opinião
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Jimmy Junoy (2) 11/10/2008 10h05
Jimmy Junoy (2) 11/10/2008 10h05
Bem... não sou devoto da IURD mas, cá pra nós, a imprensa tem o dever e o direito de informar, mas não para dar opiniões que sejam pacíveis de condenar alguém ou denegrir a intedridade moral de alguém baseadas em conjecturas ou achismos ou filosofismos. Na minha modesta opinião devem haver sempre fatos concretos por tras de materias jornalísticas que envolvem a desintegridade moral de uma instituição porque senão onde vamos parar? Já li inúmeras matérias que apenas lançam dúvidas e denigrem pessoas e instituições e como já sabemos, a confiança é feito um travesseiro de plumas... suba numa torre num dia de tempestade e solte as plumas ao vento... e depois tenta resgatar todas novamente.... Nunca vc irá conseguir, Porisso muito cuidado ao "julgar" jornalisticamente. Gostareia apenas de relembrar aquele episódio que destruiu a vida de um casal de pedagogos que foram considerados pedófilos e que se revelou, anos depois tratar-se de um engano.... Enganos desse tipo destroem a vida de pessoas e instituições. 3 opiniões
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carlos moretti (1) 17/09/2008 22h47
carlos moretti (1) 17/09/2008 22h47
A bem da verdade esta Republica tem se transformado num grande assalto a mao desarmada, Onde os orgãos do governo com poderes arrecadatórios fazem suas leis de acharque Ao povo , seja no DETRAN,NO IPTU,NO MEIO AMBIENTE, NA HABITAÇÃO,NO DENIT ETC,ETC ...VENDO ESSA FESTA TODA ATÉ A JUSTIÇA ELEITORAL RESOLVEU PARTICIPAR , JÁ QUE O CONGRESSO E O SENADO SE OMITEM Então porque não fazermos as proprias leis para arrecadar seja para o fundo penitenciário ou não o dinheiro de alguma forma volta....Voces saberiam me dizer quanto custou a propaganda eleitoral no radio e televisão para o pleito de 2008...ou seria de graça igual o programa eleitoral .....Se não fosse demagogia seria legal , mas a consiencia que eles pedem para o povo na hora de votar, exeto nos grandes centros ..nas cidades pequenas onde a imprensa local sobrevive das migalhas da prefeitura ,se obrigam a só falar bem usam mordaça preta , e no processo eleitoral até juizes assumem posturas partidárias usando dois pesos e duas medidas em seus julgamentos ...A DIREITO DO POVO FICAR SABENDO O QUE ACONTEÇE NOS BASTIDORES DA POLITICA fica só na teoria pois se o juiz não te pegar na calunia , difamação ele te pega na injuria pois esta independe de voce estar falando a verdade basta só o bandido do colarinho branco se sentir injuriado e o povo não terá acesso as suas falcatruas . Eu vereador moretti indignado com a maior multa da história do Paraná e injuriado por uma sentença judicial parcial , desabafo neste espaço democratico 1 opinião
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