Brasil
25/06/2008 - 16h40

Corpo de Ruth Cardoso é velado em SP; enterro ocorre amanhã

da Folha Online

O corpo da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, 77, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, está sendo velado desde a manhã desta quarta-feira na Sala São Paulo, região central da capital paulista.

O enterro está previsto para a manhã desta quinta-feira, no cemitério da Consolação, no centro de São Paulo. A partir das 10h de amanhã, sairá o cortejo que levará o corpo até o cemitério.

Jorge Araújo/Folha Imagem
O corpo da ex-primeira-dama Ruth Cardoso está sendo velado na Sala São Paulo
O corpo da ex-primeira-dama Ruth Cardoso está sendo velado na Sala São Paulo

Na Sala São Paulo, o caixão está aberto e sobre o corpo de Ruth Cardoso tem uma bandeira do Brasil e uma bandeira dobrada de Araraquara, cidade onde nasceu a ex-primeira-dama. Ao lado do corpo estão dois lanceiros do regimento Nove de Julho da Polícia Militar. O local ficará aberto para visitação pública até as 21h de hoje.

Ruth Cardoso morreu às 20h40 desta terça-feira, em sua casa, no bairro de Higienópolis (SP). Segundo nota médica divulgada na noite de ontem, a ex-primeira-dama foi vítima de arritmia grave decorrente de doença coronariana.

Ela estava conversando com o filho Paulo Henrique, quando passou mal. FHC não estava em casa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Marisa Letícia também estiveram no velório de Ruth Cardoso. Eles chegaram por volta das 17h20 acompanhados pelos ministros Fernando Haddad (Educação), Dilma Rousseff (Casa Civil), Franklin Martins (Comunicação Social), Hélio Costa (Comunicações), Mucio Monteiro (Relações Institucionais), Miguel Jorge (Desenvolvimento), Edson Lobão (Minas e Energia), além da senadora e ex-ministra Marina Silva (Meio Ambiente), e do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

A passagem de Lula durou cerca de 40 minutos. Ele foi embora sem falar com a imprensa. O presidente cancelou sua agenda desta quarta-feira à tarde para comparecer ao velório. Lula e Marisa voltam ainda hoje para Brasília.

Com a morte de Ruth Cardoso, o comando nacional do PSDB cancelou as comemorações que faria hoje em Brasília pelos 20 anos de fundação do partido.

Apoio

Políticos e amigos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já passaram pelo velório. Entre eles o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), o governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB), o ministro Orlando Silva (Esporte), o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), o deputado Paulo Maluf (PP-SP), a petista Marta Suplicy, o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), além de secretários municipais e líderes partidários.

"Ruth foi uma mulher espetacular. É um exemplo para as mulheres que estão na vida pública", disse Maluf. "Estou muito sentida. Tinha muito respeito pela Ruth. Ela era uma intelectual brilhante, era muito respeitada em sua área. Como feminista, participamos por muitos anos de um grupo. Ela tinha consciência e ajudou seu marido como primeira dama, como não gostava de ser chamada", destacou Marta.

Aécio falou da relação de Ruth com FHC. "Conversavam sem precisar de palavras."

"A morte dela foi um impacto, uma surpresa para todos. A imagem que vai ficar é a de uma primeira dama que não sumiu na sombra do presidente da República. Ela tinha identidade, opinião, sentido e rumo para as coisas que dizia", afirmou o deputado federal Raul Jungmann (PPS-PE). "O partido todo sempre teve nela uma referência. Ela honrava o partido e era uma pessoa exemplar. Foi um exemplo de dignidade. Essa foi uma marca muito forte dela", afirmou o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

"O papel que ela teve foi de modernizar a política de assistência social no Brasil, revendo o papel um pouco do governo e fazendo com que o governo não fosse apenas um intermediário entre os necessitados e também a disposição da iniciativa privada e setores internacionais. Foi exemplar como primeira dama embora não gostasse muito dessa função", destacou o deputado federal Fernando Gabeira (PV).

"Perdemos uma grande primeira dama. Uma estudiosa que levou à frente um programa de grande alcance, que foi o Comunidade Solidária. Por isso mesmo, poderia ter maior visibilidade graças ao seu preparo e sua inteligência, mas ela preferiu ficar muito na retaguarda ajudando o presidente em termos de aconselhamento. Se constitui em uma perda para todos nós", disse o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN).

Fernando Henrique também recebeu telefonemas de Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos, e da mulher dele, a senadora Hilary Clinton, do rei Juan Carlos, da Espanha, do cardeal dom Claudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, no Vaticano, e do senador e ex-presidente José Sarney (PMDB-AP).

Política

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), decretou luto de três dias no Estado. Após a confirmação da morte, o tucano foi até o apartamento de FHC, em Higienópolis, para prestar solidariedade ao ex-presidente.

"A Ruth era uma pessoa muito especial, para sua família, para seus amigos, para nosso país. Um exemplo de dignidade, delicadeza, inteligência e carinho pelas pessoas. É uma dor imensa a que sinto nesse momento", disse o governador, durante visita ao apartamento da família.

Com a morte da ex-primeira-dama, o PSDB cancelou a sessão solene que estava marcada para hoje, às 11h, no Senado, para marcar os 20 anos de fundação do partido.

Para ele, "os brasileiros ficaram sem a presença de uma mulher generosa, forte e combativa, que sempre sonhou com um país mais solidário, rico e justo". "A Ruth Cardoso fará muita falta. Ela era muito querida e presente no partido", disse.

O presidente Lula também divulgou nota lamentando a morte da ex-primeira-dama. Ele disse que recebeu a notícia "com surpresa", além de afirmar que a morte de Ruth Cardoso representa uma "grande perda" para o país.

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) também decretou luto oficial de três dias no município.

Carreira

Nascida em 19 de setembro de 1930 na cidade de Araraquara, no interior de São Paulo, Ruth Correa Leite Cardoso foi professora de Antropologia e Ciência Política na USP (Universidade de São Paulo) e pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) em São Paulo.

Bacharel em ciências sociais pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, a ex-primeira-dama se casou em 1953 com Fernando Henrique, com quem teve três filhos.

Em 1972, recebeu o título de doutora em Antropologia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Anos depois, concluiu pós-doutorado na Universidade de Columbia em Nova York e também foi professora em universidades americanas e inglesas.

Durante o mandato de FHC (1995-2002), dona Ruth fundou o projeto Comunidade Solidária em 1995, uma ação de combate a pobreza e a exclusão social. Atualmente, fazia parte do conselho diretor da Oscip (organização da sociedade civil de interesse público) Comunitas, criada para para dar continuidade aos projetos do Comunidade Solidária.

Entre seus cargos de destaque, presidiu o conselho assessor do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) sobre Mulher e Desenvolvimento, foi membro da junta diretiva da UN Foundation e da Comissão da OIT (Organização Internacional do Trabalho) sobre as Dimensões Sociais da Globalização e da Comissão sobre a Globalização.

Tornou-se uma das das principais referências sobre antropologia no país, tendo escrito diversos livros sobre temas relacionados, como juventude, violência e cidadania.

Comentários dos leitores
José Eduardo (29) 25/09/2008 21h29
José Eduardo (29) 25/09/2008 21h29
FHC e Serra não podiam ter escolhido melhor lugar para homenagear a falecida: a Fiesp do Paulo Skaff. sem opinião
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MRegina Boppre (1) 05/07/2008 03h14
MRegina Boppre (1) 05/07/2008 03h14
FLORIANOPOLIS / SC
Respondendo ao comentario (postado para mim, do n° 22), sobre a minha opinião, quero agradecer os elogios, mas a frase que ali citei não é minha, deixei a fonte bem clara.
Segue novamente: é de Beaumarchais. Tenho birra atavica de plágios rsrs e se quiser eu a cito "dinovo"
Sds
1 opinião
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Ellen . (106) 02/07/2008 10h45
Ellen . (106) 02/07/2008 10h45
Não é por acaso que os livros de auto-ajuda são os mais vendidos. Palavras tais como "cada grão ajuda a preencher um todo", "faça sua parte e limpe sua consciência", estão cada vez mais embutidas no imaginário social das pessoas - principalmente da classe média brasileira. Virou moda senhoras da elite virarem "sociólogas" e dedicarem-se ao exercício "do bem". Como cientistas que se alegram em examinar o comportamento de ratos em laboratórios, muitos satisfazem seus egos com atos que refocilam e logram com a situação.
São frases que cotidianamente observamos nos programas de auditório, frase de artistas, enfim, coisas que apenas contribuem para a continuidade da imensa desigualdade que existe em nosso país. Nos países desenvolvidos da Europa, não há Ongs e entidades de caridade, há um Estado forte que garante o Estado de direito e a igualdade de oportunidade. As elites brasileiras fazem questão de manter essa forma de pensamento, pois temem por um Estado realmente democrático, justo e igualitário. É muito melhor viver no luxo e dar esmolas ao ter que dividir. Este tipo de pensamento pode ser, a priori, uma forma "justa nos valores cristãos", mas na realidade, é ultrapassado, leviano e enganador.
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