Brasil
26/06/2008 - 10h40

Corpo da ex-primeira-dama Ruth Cardoso é enterrado em São Paulo

MARCELO GUTIERRES
colaboração para a Folha Online

O corpo da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, 77, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, foi enterrado por volta das 10h30 desta quinta-feira no cemitério da Consolação, em São Paulo.

O velório de Ruth Cardoso ocorreu durante todo o dia de ontem na Sala São Paulo, na região central da capital paulista, com visitação pública. Durante a madrugada e a manhã desta quinta, apenas a família e os amigos próximos acompanharam o velório.

Na Sala São Paulo, a última homenagem à ex-primeira-dama foi feita hoje por um coral. O corpo deixou o local às 10h02, e o trajeto até o cemitério durou cerca de 15 minutos.

O ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), o ex-senador Joaquim Roriz (PMDB), o governador de Roraima, José de Anchieta Júnior (PSDB), dom Odilo Scherer, o líder do PV na Câmara, deputado José Sarney Filho (MA), o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) e o ex-ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Luiz Fernando Furlan passaram pelo velório na manhã desta quinta-feira, entre outros.

No final da tarde desta quarta-feira, a filha do casal que estava na Europa, Beatriz, chegou ao Brasil e foi ao velório. Acompanhado dos outros dois filhos e dos netos, o ex-presidente mostrava-se abalado e não falou com a imprensa.

Ruth Cardoso morreu às 20h40 de terça-feira, em sua casa, no bairro de Higienópolis (SP). Segundo nota médica, a ex-primeira-dama foi vítima de arritmia grave decorrente de doença coronariana. Ela estava conversando com o filho Paulo Henrique quando passou mal. FHC não estava em casa.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a primeira-dama Marisa Letícia também estiveram no velório. Eles chegaram no final da tarde, e ficaram por cerca de 40 minutos, acompanhados pelos ministros Fernando Haddad (Educação), Dilma Rousseff (Casa Civil), Franklin Martins (Comunicação Social), Hélio Costa (Comunicações), José Múcio Monteiro (Relações Institucionais), Miguel Jorge (Desenvolvimento), Edison Lobão (Minas e Energia), além da senadora e ex-ministra Marina Silva (Meio Ambiente), e do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Com a morte de Ruth Cardoso, o comando nacional do PSDB cancelou as comemorações que faria ontem em Brasília pelos 20 anos de fundação do partido.

Apoio

Durante todo o dia, políticos e amigos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso passaram pelo velório. Entre eles o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), o governador de Alagoas, Teotônio Vilela (PSDB), o ministro Orlando Silva (Esporte), o ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), o deputado Paulo Maluf (PP-SP), a ex-prefeita Marta Suplicy (PT-SP), o governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o ex-ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça), além de secretários municipais e líderes partidários.

À noite, FHC recebeu também o apoio dos deputados federais Aldo Rebelo (PC do B-SP), Rodrigo Maia (DEM-RJ) e ACM Neto (DEM-BA), do senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), da vereadora Soninha Francine (PPS-SP), do ex-governador Orestes Quércia (PMDB-SP), do médico Dráuzio Varela, e das atrizes Bruna Lombardi e Marília Pêra.

"Dona Ruth tinha pra nós o significado da luta pela democracia, da presença da mulher na resistência democrática do país. [...] De fato, a figura de dona Ruth representava a figura da unidade [entre os partidos políticos] na medida em que ela significava um momento importante que uniu amplas forças do povo brasileiro e da vida política brasileira na luta pela liberdade", disse Aldo Rebelo.

Para o deputado ACM Neto, a ex-primeira-dama é um exemplo a ser seguido por todos os políticos brasileiros. "Acho que todos os homens públicos devem ter o exemplo de Dona Ruth sempre presentes na sua atuação, especialmente o seu espírito solidário, a sua preocupação com a formação das novas gerações de brasileiros", afirmou.

Aécio falou da relação de Ruth com FHC. "Conversavam sem precisar de palavras." Emocionada, a atriz Bruna Lombardi disse que Ruth lançou uma "luz" sobre o papel da mulher na política brasileira. "Se perde uma mulher extraordinária, mas ganha-se um grande exemplo."

Fernando Henrique também recebeu telefonemas de Bill Clinton, ex-presidente dos Estados Unidos, e da mulher dele, a senadora Hilary Clinton, do rei Juan Carlos, da Espanha, do cardeal dom Claudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, no Vaticano, e do senador e ex-presidente José Sarney (PMDB-AP).

Política

O governador de São Paulo, José Serra (PSDB), decretou luto de três dias no Estado. Após a confirmação da morte, o tucano foi até o apartamento de FHC, em Higienópolis, para prestar solidariedade ao ex-presidente.

"A Ruth era uma pessoa muito especial, para sua família, para seus amigos, para nosso país. Um exemplo de dignidade, delicadeza, inteligência e carinho pelas pessoas. É uma dor imensa a que sinto nesse momento", disse o governador, durante visita ao apartamento da família.

Para ele, "os brasileiros ficaram sem a presença de uma mulher generosa, forte e combativa, que sempre sonhou com um país mais solidário, rico e justo". "A Ruth Cardoso fará muita falta. Ela era muito querida e presente no partido", disse.

O presidente Lula também divulgou nota lamentando a morte da ex-primeira-dama. Ele disse que recebeu a notícia "com surpresa", além de afirmar que a morte de Ruth Cardoso representa uma "grande perda" para o país.

O prefeito Gilberto Kassab (DEM) também decretou luto oficial de três dias no município.

Comentários dos leitores
José Eduardo (29) 25/09/2008 21h29
José Eduardo (29) 25/09/2008 21h29
FHC e Serra não podiam ter escolhido melhor lugar para homenagear a falecida: a Fiesp do Paulo Skaff. sem opinião
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MRegina Boppre (1) 05/07/2008 03h14
MRegina Boppre (1) 05/07/2008 03h14
FLORIANOPOLIS / SC
Respondendo ao comentario (postado para mim, do n° 22), sobre a minha opinião, quero agradecer os elogios, mas a frase que ali citei não é minha, deixei a fonte bem clara.
Segue novamente: é de Beaumarchais. Tenho birra atavica de plágios rsrs e se quiser eu a cito "dinovo"
Sds
1 opinião
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Ellen . (106) 02/07/2008 10h45
Ellen . (106) 02/07/2008 10h45
Não é por acaso que os livros de auto-ajuda são os mais vendidos. Palavras tais como "cada grão ajuda a preencher um todo", "faça sua parte e limpe sua consciência", estão cada vez mais embutidas no imaginário social das pessoas - principalmente da classe média brasileira. Virou moda senhoras da elite virarem "sociólogas" e dedicarem-se ao exercício "do bem". Como cientistas que se alegram em examinar o comportamento de ratos em laboratórios, muitos satisfazem seus egos com atos que refocilam e logram com a situação.
São frases que cotidianamente observamos nos programas de auditório, frase de artistas, enfim, coisas que apenas contribuem para a continuidade da imensa desigualdade que existe em nosso país. Nos países desenvolvidos da Europa, não há Ongs e entidades de caridade, há um Estado forte que garante o Estado de direito e a igualdade de oportunidade. As elites brasileiras fazem questão de manter essa forma de pensamento, pois temem por um Estado realmente democrático, justo e igualitário. É muito melhor viver no luxo e dar esmolas ao ter que dividir. Este tipo de pensamento pode ser, a priori, uma forma "justa nos valores cristãos", mas na realidade, é ultrapassado, leviano e enganador.
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