Internautas desaprovam multa eleitoral por entrevista de candidatos
da Folha Online
Leitores criticam a multa que a Justiça Eleitoral vem promovendo contra órgãos de comunicação --inclusive a Folha-- por causa de entrevistas com pré-candidatos e candidatos às eleições municipais. Dê também, no sistema de comentários da Folha Online, sua opinião sobre o assunto.
A maioria daqueles que comentaram o assunto até a manhã desta quinta-feira nove são contra a multa, enquanto apenas cinco concordam com a decisão da Justiça.
No dia 17 deste mês, a Justiça Eleitoral acolheu duas representações propostas pelo Ministério Público Eleitoral e decidiu multar a pré-candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, a Folha e Editora Abril. O juiz considerou entrevistas, integralmente jornalísticas, como "propaganda eleitoral" antecipada. Leia a íntegra da decisão.
A Folha, a Editora Abril e Marta recorreram da decisão e informaram que continuarão a publicar entrevistas ou promover sabatinas com candidatos, enquanto recorrem. O advogado da Folha, Luís Francisco Carvalho Filho, afirma que a sentença ignora o princípio constitucional da liberdade de imprensa, além de questionar se, no Brasil, existem temas proibidos de serem tratados publicamente.
Marta foi multada em R$ 42.564, enquanto o valor da multa para a Folha e a Editora Abril foi de R$ 21.282.
Outro juiz condenou ontem novamente a Editora Abril S.A., responsável pela revista "Veja São Paulo", a pagar R$ 21.282 por ter publicado outra entrevista com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), pré-candidato à reeleição --também multado.
Segundo o juiz, os veículos publicaram matérias que "exorbitaram do mero interesse jornalístico, exercida a liberdade de informação de modo inadequado, a ponto de caracterizar propaganda eleitoral extemporânea'. Não há nada nas entrevistas que caracterizasse propaganda, no entanto.
Leitores
Para Danny Yazbek, de São Paulo, "é incoerente a multa aplicada à Folha e Marta Suplicy, haja vista tratar-se de mera entrevista".
Carlos Lobitsky, também de São Paulo, diz ser contra a multa, que qualifica como um "verdadeiro ato de ditadura por parte da Justiça Eleitoral".
Já o leitor Miguel Ruiz, de Araraquara (SP), afirma que a multa é resultado de uma seqüência de erros. "O juiz manifestou-se em função de uma denúncia da promotoria, a qual parece não enxergar fatos semelhantes quando se trata dos outros pré-candidatos. Erra a promotoria, confirma o equívoco o juiz."
Entre os argumentos daqueles que defendem a multa aplicada pela Justiça Eleitoral, o leitor Marcos Pereira A. C., de Belo Horizonte (MG), diz que "numa democracia existem limitações legítimas aos direitos".
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