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Brasil
28/10/2002 - 08h40

Resultado em SP afeta status de Maluf no PPB

LILIAN CHRISTOFOLETTI
da Folha de S.Paulo

Com a vitória de Geraldo Alckmin (PSDB), o ex-prefeito Paulo Maluf, 71, corre o risco de perder o controle sobre o PPB de São Paulo. Maluf, contrariando a opinião dos deputados de seu partido, apostou no petista José Genoino no segundo turno.

Dos dez deputados estaduais e federais eleitos pelo PPB para o próximo exercício, nove não seguiram a recomendação de Maluf. Os dissidentes fizeram campanha em suas bases eleitorais para Alckmin e agora querem participar do governo.

Alckmin, que viu seu bloco de sustentação na Assembléia "emagrecer" após a eleição de 6 de outubro (o PSDB diminuiu de 24 para 18 cadeiras, o PTB, de 13 para seis, e o PFL, de nove para seis), irá precisar do apoio dos pepebistas, principalmente, para enfrentar o PT (que passou de 13 para 23 cadeiras).

O governador deverá dar espaço ao PPB no governo, minando ainda mais o já frágil comando de Maluf no partido após a eleição estadual -pela primeira vez, desde a disputa presidencial de 1989, o cacique pepebista ficou fora de um segundo turno.

Ontem, depois de votar, Maluf afirmou que sua opção por Genoino foi "coerente". "Não sou petista. Fui e sou antitucano", disse o ex-prefeito, que polarizou com Alckmin no primeiro turno.

Sua mulher, Sylvia, que votou no mesmo colégio que ele, também aderiu ao posicionamento de Maluf. "Voto com o meu marido. Tenho muitos vizinhos que também irão votar no PT." Sob a alegação de que o voto é secreto, o casal evitou revelar a preferência para a disputa nacional.

Crise
A derrota de Genoino não foi uma surpresa para Maluf. Segundo pessoas próximas, o ex-prefeito tem interesse em continuar polarizando com os tucanos e assim reconstruir o caminho para as próximas eleições.

Mas, para isso, Maluf terá de enfrentar as resistências de seus próprios partidários, que desejam o fim da hegemonia malufista em São Paulo e defendem, ainda que nos bastidores, a construção de novas lideranças.

Se a derrota de Genoino não o surpreendeu, a surpresa veio com o desligamento de um de seus mais fiéis aliados. O deputado federal Cunha Bueno, que disputou uma vaga para o Senado, pediu afastamento do partido. A interlocutores, Bueno considerou inconcebível o apoio de Maluf, ex-governador biônico pela Arena, ao ex-guerrilheiro petista.

Outro aliado de primeiro escalão, o deputado Delfim Netto (PPB) disse a interlocutores que não apoiaria Maluf em mais uma disputa eleitoral.

Veja também o especial Eleições 2002

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