Brasil
27/06/2008 - 19h30

Decisões contra jornais representam "censura de toga", diz especialista

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da Folha Online

As recentes decisões da Justiça Eleitoral contra jornais e revistas que publicaram entrevistas com pré-candidatos a prefeito de São Paulo representam a "censura de toga". A avaliação é da professora de Ciências da Comunicação Maria Cristina Costa, da USP (Universidade de São Paulo), em referência ao traje utilizado pelos juízes. Especialista em censura, a professora diz acreditar que a Justiça deve existir para que as pessoas usufruam dos seus direitos e não para fazer censura prévia.

"A Justiça está facultando o direito de uma pessoa de avaliar o que pode ir a público. Como é que um juiz pode saber o que se pode dizer a respeito de uma pessoa? [...] A Justiça está sendo usada como censura prévia, antes das coisas acontecerem, antes de se verificar os fatos", afirmou a professora.

Ontem, o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) liberou a publicação de entrevistas com candidatos e pré-candidatos.

Para Maria Cristina, a decisão é um "recuo muito bom". "É uma forma de a Justiça Eleitoral se redimir e colocar em discussão qual é o papel da Justiça: assegurar o direito de liberdade de expressão e ao mesmo tempo garantindo às pessoas o direito à resposta ou uma indenização em caso de danos", disse.

A publicação de entrevistas com pré-candidatos a prefeito entrou em discussão no último dia 17, quando a Justiça Eleitoral acolheu duas representações propostas pelo Ministério Público Eleitoral e multou a pré-candidata do PT à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, a Folha e a Editora Abril. A Justiça considerou as entrevistas realizadas com a ex-prefeita como "propaganda eleitoral" antecipada.

Em uma outra decisão, Editora Abril foi novamente foi multada por publicar entrevista com o prefeito Gilberto Kassab (DEM), também multado.

Com a decisão de ontem do TSE, candidatos e pré-candidatos às eleições municipais podem conceder entrevistas jornalísticas e participar de debates e encontros antes do dia 6 de julho, quando começa a propaganda eleitoral. Com a mudança, os entrevistados podem falar sobre suas propostas de governo sem que as entrevistas sejam consideradas propaganda eleitoral antecipada.

"A entrevista de um candidato em um período pré-eleitoral é extremamente esclarecedora, porque é na entrevista que o candidato vai falar aquilo que o público quer saber e não aquilo que ele quer dizer. E nós não ficamos numa posição passiva aceitando tudo o que eles querem falar, da maneira que querem falar e quando querem falar", disse Maria Cristina.

Retorno à ditadura

Para o advogado Everson Tobaruela, presidente da Comissão de Direito Político e Eleitoral da OAB-SP (Ordem dos Advogados do Brasil) de São Paulo, a proibição de publicação de entrevista com candidatos é uma forma de retornar à ditadura que existiu durante o regime militar.

"Nós não temos liberdade de imprensa, nós temos obrigação de informar o eleitor. E a informação que interessa o eleitor é quais são as propostas de governo. Isso [o momento atual] não é mais ditadura e nós estamos voltando para o regime militar, só que tecnicamente nas mãos de alguns juizes do tribunal eleitoral. Isso é muito ruim", afirmou.

Na avaliação de Tobaruela, o TSE "choveu no molhado" ao liberar que candidatos falem de seus programas de governo em entrevistas, pois a resolução que trata sobre propaganda eleitoral já permitia a "manifestação" dos políticos.

"Teoricamente, o TSE repetiu aquilo que já estava na resolução. A única mudança é que falava em 'manifestação' e eles inseriram 'entrevista'. Mas, tecnicamente, se você pode fazer a manifestação que é um ato unilateral é claro que a entrevista tem muito menos propósito [de propaganda], porque é muito mais de cunho jornalístico", afirmou.

Para o presidente nacional da OAB, Cezar Britto, a decisão do TSE de distinguir entrevista jornalística de propaganda eleitoral repõe o princípio democrático e constitucional de liberdade plena de expressão.

"A decisão do TSE afasta as nuvens sombrias de autoritarismo que ameaçavam ofuscar a campanha eleitoral e a gerar jurisprudência nociva e obscurantista. A vitória é da democracia e do povo brasileiro", afirmou Britto, por meio de nota.

Comentários dos leitores
Marcelo Magalhaes (1) 11/10/2008 11h36
Marcelo Magalhaes (1) 11/10/2008 11h36
Que este jornal ex-sério sempre foi contra os evangélicos, não é novidade. O problema é saber e duvidar se essa seita, que se diz "evangélica", pode ser considerada Igreja. Um jornal formado por ateus e outras aberrações, contra uma seita formada e fundada por picaretas. Que briga! O inferno deve estar uma festa! 1 opinião
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Jimmy Junoy (2) 11/10/2008 10h05
Jimmy Junoy (2) 11/10/2008 10h05
Bem... não sou devoto da IURD mas, cá pra nós, a imprensa tem o dever e o direito de informar, mas não para dar opiniões que sejam pacíveis de condenar alguém ou denegrir a intedridade moral de alguém baseadas em conjecturas ou achismos ou filosofismos. Na minha modesta opinião devem haver sempre fatos concretos por tras de materias jornalísticas que envolvem a desintegridade moral de uma instituição porque senão onde vamos parar? Já li inúmeras matérias que apenas lançam dúvidas e denigrem pessoas e instituições e como já sabemos, a confiança é feito um travesseiro de plumas... suba numa torre num dia de tempestade e solte as plumas ao vento... e depois tenta resgatar todas novamente.... Nunca vc irá conseguir, Porisso muito cuidado ao "julgar" jornalisticamente. Gostareia apenas de relembrar aquele episódio que destruiu a vida de um casal de pedagogos que foram considerados pedófilos e que se revelou, anos depois tratar-se de um engano.... Enganos desse tipo destroem a vida de pessoas e instituições. 3 opiniões
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carlos moretti (1) 17/09/2008 22h47
carlos moretti (1) 17/09/2008 22h47
A bem da verdade esta Republica tem se transformado num grande assalto a mao desarmada, Onde os orgãos do governo com poderes arrecadatórios fazem suas leis de acharque Ao povo , seja no DETRAN,NO IPTU,NO MEIO AMBIENTE, NA HABITAÇÃO,NO DENIT ETC,ETC ...VENDO ESSA FESTA TODA ATÉ A JUSTIÇA ELEITORAL RESOLVEU PARTICIPAR , JÁ QUE O CONGRESSO E O SENADO SE OMITEM Então porque não fazermos as proprias leis para arrecadar seja para o fundo penitenciário ou não o dinheiro de alguma forma volta....Voces saberiam me dizer quanto custou a propaganda eleitoral no radio e televisão para o pleito de 2008...ou seria de graça igual o programa eleitoral .....Se não fosse demagogia seria legal , mas a consiencia que eles pedem para o povo na hora de votar, exeto nos grandes centros ..nas cidades pequenas onde a imprensa local sobrevive das migalhas da prefeitura ,se obrigam a só falar bem usam mordaça preta , e no processo eleitoral até juizes assumem posturas partidárias usando dois pesos e duas medidas em seus julgamentos ...A DIREITO DO POVO FICAR SABENDO O QUE ACONTEÇE NOS BASTIDORES DA POLITICA fica só na teoria pois se o juiz não te pegar na calunia , difamação ele te pega na injuria pois esta independe de voce estar falando a verdade basta só o bandido do colarinho branco se sentir injuriado e o povo não terá acesso as suas falcatruas . Eu vereador moretti indignado com a maior multa da história do Paraná e injuriado por uma sentença judicial parcial , desabafo neste espaço democratico 1 opinião
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