Brasil
28/06/2008 - 08h53

28% dos que recebem Bolsa Família temem passar fome

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ANTÔNIO GOIS
da Folha de S.Paulo, no Rio

Ao investigar o grau de segurança alimentar dos beneficiados pelo Bolsa Família, a pesquisa do Ibase mostra que em apenas 17% dos casos eles estavam em situação total de segurança.

Outros 28%, no entanto, enquadravam-se no que se chama de insegurança leve: não passam fome ou deixam de consumir alimentos, mas temem que isso aconteça no futuro. Havia ainda 34% das famílias que se encontravam em estágio moderado de insegurança, ou seja, há restrição de alimentos consumidos, mas não há fome.

Em 21% dos casos, a insegurança alimentar foi considerada grave. "Não é necessariamente uma situação famélica como a que ocorre na África, mas são domicílios onde faltam alimentos em casa e, por isso, nem todas as refeições são feitas", diz Francisco Menezes, coordenador-geral da pesquisa.

Além de investigar a situação de segurança alimentar, a pesquisa afirma também que quase metade (49%) das mulheres que recebiam o benefício disse se sentir mais independente financeiramente. Outros 39% declararam que seu poder de decisão em relação ao dinheiro da família aumentou. O programa repassa os recursos, prioritariamente, às mulheres.

Em alguns casos, a pesquisa registrou que o pagamento do benefício foi o que permitiu à mulher se separar do marido.

"Repassamos os recursos para as mulheres por entender que elas fazem melhores escolhas para beneficiar a família, mas sabemos que essa política acaba tendo reflexos nas relações de gênero também", diz Rosani Cunha, do Ministério do Desenvolvimento Social.

Insuficiente

Apesar de, segundo a pesquisa do Ibase, o Bolsa Família ter impactos positivos na alimentação e não causar "efeito-preguiça", outras pesquisas mostram que uma das maiores dificuldades do programa é não conseguir beneficiar toda a população a qual ele se destina.

Dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios do IBGE de 2006 mostram, por exemplo, que, naquele ano, mais da metade dos domicílios mais pobres estava fora do programa e que famílias com menor necessidade estavam incluídas, enquanto outras com mais necessidade, não.

Em 2006, de um total de 8,2 milhões de residências que atendiam ao critério de renda do programa naquele ano (rendimento mensal per capita inferior a R$ 120), apenas 47% recebiam o benefício.

A mesma pesquisa mostrava também que o total de domicílios beneficiados naquele ano era de 8,1 milhões, mas que, desses, apenas 3,8 milhões tinham rendimento menor que R$ 120 per capita, o que sugere que uma parte dos domicílios estaria recebendo o Bolsa Família, enquanto outros de menor renda ficavam fora dele.

Na época, a pasta do Desenvolvimento Social alegou que o programa estava em expansão e que, após 2006, muitas famílias foram incluídas e outras que não deveriam estar recebendo haviam sido excluídas.

Comentários dos leitores
Saulo Mundim Lenza (432) 02/07/2009 09h36
Saulo Mundim Lenza (432) 02/07/2009 09h36
É uma medida meramente eleitoreira.
Verifiquem no mapa os currais eleitorais do atual (des)governo.
Deus nos acuda!!!
sem opinião
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sérgio dourado (183) 01/07/2009 20h50
sérgio dourado (183) 01/07/2009 20h50
Quer dizer que o gov. vai aumentar o "bolsa esmola"..Bom,assim ele garante mais bocas sedentas e famintas por mais 16 anos de poder do PT,caso a candidata "oficial" realmente ganhe,enquanto o seu "messias" enche mais a cara no poder... sem opinião
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marildo barros (1) 01/07/2009 20h22
marildo barros (1) 01/07/2009 20h22
É uma vergonha dar aumento ao bolsa familia, premiar quem nunca trabalhou e nem quer trabalhar, e não dar o reajuste adequado aos
aposentados e nem acabar com o fator previdenciario, para quem trabalhou a vida inteira.
Isto é bem próprio do presidente, que utiliza meios
escusos para ganhar votos e enganar os que se
vendem por pouca coisa. ISTO É UMA VERGONHA>
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