Brasil
30/06/2008 - 10h00

Sem projetos para florestas, país deixa de usar US$ 125 mi

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VALDO CRUZ
LEANDRA PERES
da Folha de S.Paulo, em Brasília

Dezesseis anos depois de acumular US$ 402,383 milhões em doações de países ricos, o governo brasileiro não gastou efetivamente cerca de 30% desses recursos destinados a financiamentos de projetos pilotos de preservação de florestas tropicais. Motivos: falta de projetos ou atraso na sua execução, devolução de dinheiro e mudanças de prioridades por parte dos doadores.

Criado na conferência Eco-92, no Rio, para durar dez anos, o PPG7 (Programa Piloto para a Proteção das Florestas Tropicais do Brasil) registra um saldo de US$ 125,761 milhões referente a doações que ainda não foram ou não serão aplicadas no programa que vai terminar em 2010, com oito anos de atraso, e sem que parte das experiências tenham sido transformadas em políticas públicas.

Desse dinheiro não aplicado no PPG7, US$ 52,724 milhões estão comprometidos com projetos em andamento e outros US$ 18 milhões não foram disponibilizados pelos doadores, defende-se o governo.

Mesmo assim, restam ainda US$ 49,182 milhões de saldo sem destinação, 12,22% do total doado que corre o risco de ser devolvido, além de US$ 5,849 milhões que foram efetivamente devolvidos por perda de prazo de aplicação do dinheiro em projetos pilotos elaborados para preservação de florestas tropicais. Isso num momento em que o novo ministro Carlos Minc (Meio Ambiente) busca doações para tentar financiar seus projetos.

Um dos projetos atingidos pela devolução de recursos é a primeira etapa do Resex, projeto que cria reservas extrativistas na Amazônia, cuja devolução chegou a US$ 5,6 milhões. Esse dinheiro, explica o governo, acabou sendo depois remanejado para outros projetos.

Além do dinheiro de doação estrangeira, o governo brasileiro também aplicou recursos financeiros e de cooperação técnica no programa. Ao todo, foram destinados US$ 57 milhões. Desse total, US$ 39 milhões já foram gastos e outros US$ 9 milhões estão alocados. Há um saldo de dinheiro brasileiro de US$ 7,899 milhões.

Entre os projetos com os maiores saldos, estão o que cria corredores ecológicos na Amazônia, o que estimula atividades econômicas sustentáveis entre povos indígenas e o da área da Mata Atlântica. São US$ 57,320 milhões, que deverão ser gastos até 2010.

"Grande parte da frustração com o programa é por causa de expectativas erradas. O PPG7 não foi pensado para resolver os problemas ambientais da região. São projetos pilotos, de pequena escala, com o objetivo de gerar insumos para políticas públicas", diz a coordenadora do PPG7, Nazaré Soares.

Na avaliação do governo, o programa obteve resultados importantes em áreas como a demarcação de reservas e áreas indígenas, onde 49 milhões de hectares foram demarcados e 101 terras indígenas homologadas com recursos de doadores.

Além disso, as experiências do projeto piloto de manejo florestal serviram de base para a legislação que trata do assunto. Soares cita o financiamento aos Estados para a criação dos órgãos de controle ambiental como um projeto de sucesso.

Novo programa

O governo se prepara para encerrar a maior parte dos projetos financiados pelos doadores internacionais no ano que vem. Está negociando com os governos de países como Alemanha, Japão e Inglaterra e com a União Européia para que direcionem as doações ao Programa Amazônia Sustentável.

Pelo novo formato, o Ministério do Meio Ambiente não será mais o responsável pelo repasse dos recursos. Definirá as políticas públicas e o dinheiro irá para o executor do projeto.

Um dos principais agentes do PPG7, o Banco Mundial reconhece que houve atraso na implementação do programa e diz que isso ocorreu porque, quando ele foi idealizado, o Ministério do Meio Ambiente estava sendo criado e muitos órgãos estaduais tinham acabado de ser montados".

O banco destaca que alguns de seus projetos tiveram êxito. Cita também a demarcação de terras indígenas e o apoio a cerca de 300 projetos de manejo comunitário de recursos naturais. Nas contas do banco, dos 23 projetos que monitorou do PPG7, envolvendo US$ 125 milhões, cerca de US$ 12 milhões foram devolvidos aos doadores.

Comentários dos leitores
M Mig (1468) 02/07/2009 18h05
M Mig (1468) 02/07/2009 18h05
Caro Paulo Cezar,
O povoamento da Amazônia não evita a bio pirataria, imagine um sujeito, que invadiu um pedaço de terra junto com outros, construiu a sua roça, vai a cidade mais próxima com alguma freqüência... não tem dinheiro, aí... chega um representante de uma industria estrangeira dizendo que quer contratar pessoal para um projeto de "levantamento" de espécies da região. Você acha que o esse individuo vai recusar a oferta?? Claro que não, muitas vezes ele nem sabe que está sendo usado. É assim que a bio pirataria chega a Amazônia.
A Amazonlinks, uma ONG com sede em Rio Branco, faz um trabalho de levar informação a população da Amazônia para tentar quebrar a relação empresas estrangeiras - população amazônica, inibindo assim a bio pirataria.
Voltando ao assunto, o que o governo federal quer e dar um pedaço de terra para os grileiros, legalizando assim a grilagem de áreas protegidas...... quando lula se desculpou alegando estar sofrendo pressão dso ruralistas para sancionar a MP ele já assinou o conhecimento dos malefícios da MP (foi assim como um "desculpa ai gente, mas eu vou cometer mais esse erro").
Outro ponto é possibilidade de venda das terras. Como isso vai beneficiar a Amazônia?? Isso só beneficia latifundiários
Lembrando: "Ruralistas pressionam Lula por MP que regulariza terras na Amazônia".
sem opinião
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paulo cezar (111) 02/07/2009 14h28
paulo cezar (111) 02/07/2009 14h28
Mig, "?? Falta de povoamento leva a pirataria?? Quem você acha que levou os bio piratas ao seu objetivo??
A riqueza da Amazôniza é usada por muitos que nem mesmo sabem disso, não só por um invasor que monta sua casa e devasta o quanto quer para seu uso. Para estes é só um pedaço de chão... Agora se o sr não consegue enxergar isso... paciência"... Quem levou os piratas ao seu objetivo foi um morador solitário que não tem como aproveitar o recurso em si para gerar renda, então ignorantemente vende por esmolas as informações que não pode aproveitar. O povoamento da amazônia ajudaria a diminuir a pirataria pois possibilitaria a exploração do recurso biológico aqui, sem a sua "venda" para estrangeiros. Essa afirmação se baseia no principio de que o povoamento trará , além de pessoas em si, organizações , como faculdades, universidades, associações, cooperativas todas elas excepcionais empreendedores da exploração desse tipo de recurso. Exploração sustentável.
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paulo cezar (111) 02/07/2009 14h22
paulo cezar (111) 02/07/2009 14h22
Mig, ""A AMAZONIA É NOSSA " você quer dizer que a Amazônia é de meia dúzia.... e não da população Brasileira, seus discursos destoam da sua opinião.
Se quiser fazer coro com o Ricardo e com o Ale... você é quem sabe, depois não reclame.".... A amazônia não é de meia dúzia, ela "esta" sendo aproveitada por meia dúzia. Por que ? Porque é "despovoada", e as pessoas não conseguem usufruir de suas riquezas. A amazônia , apesar de "estar" com meia dúzia, " é " nossa, e para efetivarmos essa "posse" temos que "povoa-la".....
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