Brasil
01/07/2008 - 12h32

Após missa, FHC chora e diz que sua família é "imensamente grata" ao carinho da população

MARCELO GUTIERRES
colaboração para a Folha Online

Muito emocionado e chorando, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou nesta terça-feira, após a missa de sétimo dia da ex-primeira-dama Ruth Cardoso, que sua família é "imensamente grata" ao carinho que recebeu da população.

"Eu não pude ler o que se escreveu sobre ela, mas sei que foi muita coisa. Nós sentimos o carinho do povo. Nossa família é imensamente grata. Infelizmente não posso dar um abraço e um beijo em cada um daqueles que se dirigiram calorosamente a Ruth. Eu não direi nada sobre ela, eu não posso e o Brasil entende", disse FHC.

A missa foi realizada na capela do Colégio Sion, no bairro de Higienópolis, em São Paulo, e contou com as presenças do governador de São Paulo, José Serra (PSDB), do prefeito Gilberto Kassab (DEM), do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB), da vereadora Soninha Francine (PPS-SP), do presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, e do presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP), entre outros.

Durante a missa, Serra citou um poema de Manuel Bandeira: "A Mário de Andrade ausente". "Eu vou sentir a sua falta, vou procurar por você e achar que você foi numa reunião na Cidade Tiradentes ou está com os netos em um sítio em Ibiúna", afirmou o tucano.

Ruth Cardoso morreu às 20h40 da última terça-feira, em sua casa, no bairro de Higienópolis. Segundo nota médica, a ex-primeira-dama, 77, foi vítima de arritmia grave decorrente de doença coronariana. Ela estava conversando com o filho Paulo Henrique quando passou mal. FHC não estava em casa.

O corpo de Ruth Cardoso foi enterrado na quinta-feira, por volta das 10h30, no cemitério da Consolação, em São Paulo. O velório ocorreu na Sala São Paulo, na região central da cidade.

Carreira

Nascida em 19 de setembro de 1930 na cidade de Araraquara, no interior de São Paulo, Ruth Correa Leite Cardoso foi professora de Antropologia e Ciência Política na USP (Universidade de São Paulo) e pesquisadora do Cebrap (Centro Brasileiro de Análise e Planejamento) em São Paulo.

Bacharel em ciências sociais pela Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, a ex-primeira-dama se casou em 1953 com Fernando Henrique, com quem teve três filhos.

Em 1972, recebeu o título de doutora em Antropologia pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. Anos depois, concluiu pós-doutorado na Universidade de Columbia em Nova York e também foi professora em universidades americanas e inglesas.

Durante o mandato de FHC (1995-2002), dona Ruth fundou o projeto Comunidade Solidária em 1995, uma ação de combate a pobreza e a exclusão social. Atualmente, fazia parte do conselho diretor da Oscip (organização da sociedade civil de interesse público) Comunitas, criada para para dar continuidade aos projetos do Comunidade Solidária.

Entre seus cargos de destaque, presidiu o conselho assessor do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) sobre Mulher e Desenvolvimento, foi membro da junta diretiva da UN Foundation e da Comissão da OIT (Organização Internacional do Trabalho) sobre as Dimensões Sociais da Globalização e da Comissão sobre a Globalização.

Tornou-se uma das das principais referências sobre antropologia no país, tendo escrito diversos livros sobre temas relacionados, como juventude, violência e cidadania.

Comentários dos leitores
José Eduardo (29) 25/09/2008 21h29
José Eduardo (29) 25/09/2008 21h29
FHC e Serra não podiam ter escolhido melhor lugar para homenagear a falecida: a Fiesp do Paulo Skaff. sem opinião
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MRegina Boppre (1) 05/07/2008 03h14
MRegina Boppre (1) 05/07/2008 03h14
FLORIANOPOLIS / SC
Respondendo ao comentario (postado para mim, do n° 22), sobre a minha opinião, quero agradecer os elogios, mas a frase que ali citei não é minha, deixei a fonte bem clara.
Segue novamente: é de Beaumarchais. Tenho birra atavica de plágios rsrs e se quiser eu a cito "dinovo"
Sds
1 opinião
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Ellen . (106) 02/07/2008 10h45
Ellen . (106) 02/07/2008 10h45
Não é por acaso que os livros de auto-ajuda são os mais vendidos. Palavras tais como "cada grão ajuda a preencher um todo", "faça sua parte e limpe sua consciência", estão cada vez mais embutidas no imaginário social das pessoas - principalmente da classe média brasileira. Virou moda senhoras da elite virarem "sociólogas" e dedicarem-se ao exercício "do bem". Como cientistas que se alegram em examinar o comportamento de ratos em laboratórios, muitos satisfazem seus egos com atos que refocilam e logram com a situação.
São frases que cotidianamente observamos nos programas de auditório, frase de artistas, enfim, coisas que apenas contribuem para a continuidade da imensa desigualdade que existe em nosso país. Nos países desenvolvidos da Europa, não há Ongs e entidades de caridade, há um Estado forte que garante o Estado de direito e a igualdade de oportunidade. As elites brasileiras fazem questão de manter essa forma de pensamento, pois temem por um Estado realmente democrático, justo e igualitário. É muito melhor viver no luxo e dar esmolas ao ter que dividir. Este tipo de pensamento pode ser, a priori, uma forma "justa nos valores cristãos", mas na realidade, é ultrapassado, leviano e enganador.
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