Procuradoria entra com seis ações contra acusados na máfia dos sanguessugas
MARCELO GUTIERRES
colaboração para a Folha Online
O Ministério Público Federal de Minas Gerais entrou nesta terça-feira com seis ações de improbidade administrativa contra prefeitos, ex-prefeitos e funcionários municipais por desvio de verbas públicas acusados na máfia dos sanguessugas de venda fraudulenta de ambulâncias. O prejuízo aos cofres públicos foi de R$ 15,5 milhões, segundo a CGU (Controladoria Geral da União).
O MPF afirma que as irregularidades previstas nas ações ocorreram nos municípios de Caratinga, Antônio Dias, Belo Oriente, Conceição de Ipanema, Periquito e Taparuba, todos na região leste do Estado.
Além da condenação dos envolvidos, a Procuradoria pede a devolução integral dos valores, pagamento de multas no valor correspondente a duas ou três vezes à quantia desviada e a suspensão dos direitos políticos dos suspeitos em até dez anos.
Segundo o MPF, os municípios foram beneficiados por emendas parlamentares de autoria do então deputado federal Cabo Júlio (PMDB).
A Procuradoria diz que ele se encarregava de "entabular contato com os prefeitos dos municípios destinatários dos recursos federais, orientando os administradores a procurarem pelo núcleo empresarial da quadrilha, a fim de definirem os detalhes das fraudes às licitações".
Caberia aos agentes públicos fraudar licitações para viabilizar a seleção da empresa indicada e a compra de ambulâncias por preço superior ao valor de mercado, segundo a Procuradoria. O MPF aponta a família Trevisan Vedoin como chefe do suposto esquema.
Outro lado
Procurado pela reportagem, o Cabo Júlio negou envolvimento no esquema. "Não tenho vínculos com prefeitos porque minha base eleitoral é a Polícia Militar."
Ele confirmou que algumas de suas emendas foram destinadas à compra de ambulâncias, porém afirmou que o Ministério da Saúde aprovou sem ressalvas tanto as emendas como a prestação de contas.
"A emenda era tratada diretamente com vereadores eleitos da mesma base eleitoral que a minha [de policiais militares]. Nunca tratei com prefeitos", disse Cabo Júlio, que é candidato do PMDB a vereador em Belo Horizonte.
A advogada da família Vedoin, Amanda de Lucena Barreto, diz que um de seus clientes afirmou em depoimento à Justiça que houve tratativas com o Cabo Júlio, que nega.
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