Governistas apresentam sugestões para tentar limpar pauta da Câmara até eleições
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
Mais uma vez o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), não conseguiu fechar nesta quarta-feira um acordo com os líderes partidários. Na tentativa de limpar a pauta de votações, os líderes dos partidos aliados ao governo vão propor ainda hoje uma série de medidas consensuais para serem votadas até as eleições.
Outra idéia dos governistas, que será apresentada em uma reunião com todos os partidos, é a de que os deputados trabalhem por três semanas em agosto e uma de setembro. Neste período, que antecede as eleições de outubro, seriam votadas as propostas já negociadas pela oposição e pela base aliada.
A disposição de tentar uma pauta consensual surgiu na manhã desta quarta-feira. Sem acordo na reunião de líderes, Chinaglia seguiu a proposta do líder do PSDB na Câmara, José Aníbal (SP), que sugeriu aos governistas que preparem suas prioridades.
Definições
Segundo Aníbal, a partir das sugestões apresentadas pelos aliados, os partidos de oposição poderão suspender a obstrução e votar as medidas pontuais. A oposição faz obstrução no plenário da Câmara em protesto contra a criação da nova CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), batizada de CSS (Contribuição Social para a Saúde).
Na relação preparada pelos governistas, estão entre as prioridades a votação de um destaque da CSS, a reforma tributária, o código florestal, cotas para as universidades públicas, o Super Simples, além das PECs (propostas de emendas à Constituição) que tratam da ampliação da licença-maternidade e que extingue o trabalho escravo.
O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), disse que as propostas dos aliados serão apresentadas ainda hoje a Chinaglia e aos líderes da oposição. Mas, segundo o peemedebista, há um esforço dos governistas para tentar votar antes do final do semestre legislativo --o recesso começa dia 18 e acaba dia 1º de agosto-- a CSS.
"Nós queremos votar a CSS [antes do recesso], isso significa 'querer'", afirmou Alves. Para o líder do PSDB, não há possibilidade de a oposição encerrar a obstrução. "Não dá para abrir a pauta e os governistas desestabilizarem", disse Aníbal.
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