Jobim nega que obras em morro no Rio de Janeiro têm caráter eleitoral
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O ministro Nelson Jobim (Defesa) negou nesta quinta-feira que as as obras realizadas no morro da Providência, região central do Rio de Janeiro, com apoio do Exército tenham objetivos eleitorais. Reiterando que os militares foram retirados do local por ordem judicial, Jobim defendeu a continuidade das atividades e criticou a exploração sobre a atuação deles na região.
"O Exército não tem absolutamente nada a ver com esse processo de explorações eleitorais. A questão é saber qual é o valor a ser garantido", disse o ministro, que presta depoimento em sessão conjunta, que reúne três comissões da Câmara dos Deputados --Direito Humanos, Relações Exteriores e Segurança Pública.
No último dia 14, três jovens do morro da Providência foram brutalmente assassinados por traficantes da favela vizinha --morro da Mineira. Um grupo de 11 militares, liderados por um tenente do Exército, é acusado de entregar os jovens aos traficantes. O caso está na Justiça Federal. Eles estão presos.
Por ordem da Justiça Eleitoral as obras do projeto "Cimento Social", de autoria do senador Marcelo Crivella (PRB-RJ), estão suspensas.
Jobim admitiu hoje que as obras na Providência foram iniciadas por inspiração no projeto de Crivella, mas afirmou que o importante não é interpretar o programa de forma eleitoral. "[Temos de questionar] o que importa é o processo eleitoral ou o bem-estar dos cidadãos?", reagiu o ministro.
Por uma hora, Jobim fez uma exposição sobre o projeto de Crivella. A sessão é acompanhada por deputados de vários Estados, mas apenas seis do Rio de Janeiro.
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