Brasil
08/07/2008 - 11h48

Investigação tomou impulso, diz Tarso sobre Operação Satiagraha

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O ministro Tarso Genro (Justiça) evitou nesta terça-feira comentar a operação da Polícia Federal contra corrupção e lavagem de dinheiro, que prendeu o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o investidor Naji Nahas e o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity.

A Polícia Federal é subordinada à pasta de Tarso. "De três anos para cá [a investigação] tomou impulso. Está sendo realizado tudo de acordo com a Polícia Federal, o Ministério Público e a Justiça, não tem nenhum fato novo", limitou-se a dizer o ministro.

A operação, batizada de Satiagraha, cumpre 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, e em Brasília. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Dantas foi preso no Rio, juntamente com sua mulher, cunhado e irmã, mas os nomes dos três ainda não foram divulgados. A Polícia Federal já apreendeu quatro carros importados, sendo que três deles possivelmente são de Nahas, além de documentos e um cofre.

Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.

Na apuração foram identificadas pessoas e empresas beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.

Para a prática dos delitos, o grupo possuía empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.

Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização atuava no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Os presos na operação devem ser indiciados sob acusações de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Eles devem ser transferidos para São Paulo, onde permanecerão na carceragem da Superintendência Regional da PF.

A operação conta com a participação de 300 policiais.

Comentários dos leitores
Paulo Silverio (1) 29/11/2008 17h37
Paulo Silverio (1) 29/11/2008 17h37
Isso é que é bom advogado, já inventou uma tese linguistica para afastar a credibilidade da Policida Federal. Ele refuta os argumento como um grande e bom sofista. sem opinião
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Igor Bevilaqua (163) 26/11/2008 07h31
Igor Bevilaqua (163) 26/11/2008 07h31
No "stf", órgão especialista em soltar bandidos ricos, ele vai conseguir com certeza a liberdade..., vejam o Daniel Dantas..., é só procurar a pessoa certa, na hora certa e em reuniões secretas tudo será resolvido, basta a escória júdice ser bastante generosa. O Daniel Dantas e sua escória júdice abriram o jogo e deixaram claro que na instância superior tudo se resolve. No (B)brasil, quanto mais "AUTORIDADES NOMEADAS", mais corrupção. 5 opiniões
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Vincenzo Jorge de Castro (71) 26/11/2008 07h30
Vincenzo Jorge de Castro (71) 26/11/2008 07h30
LEIAM O QUE O SR. DEOCLECIO CAMPOS ESCREVEU. O SR. DEOCLECIO TAMBEM É UM DESCRENTE DE NOSSOS COLARINHOS BRANCOS.
Deu na Folha on line em 19/11/08:
"O Ministério Público Federal em Belo Horizonte denunciou na segunda-feira (17) o empresário Marcos Valério e outras 26 pessoas --incluindo diretores e ex-diretores do Banco Rural-- por crimes relacionados ao mensalão mineiro. A denúncia apresentada refere-se a um suposto esquema criminoso que colaborou com a campanha à reeleição do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) ao governo de Minas em 1998.
......................
Segundo a denúncia da procuradoria, foram desviados cerca de R$ 3,5 milhões dos cofres públicos estaduais para a campanha à reeleição de Azeredo.
O empresário também é acusado de corromper um juiz eleitoral para favorecer Azeredo durante a mesma campanha. O sócio de Valério, Rogério Tolentino, também é acusado de participar do esquema."
Segundo relatório da PF: 110 mil reais foi para o bolso do senhor AÉCIO NEVES para caixa 2 de sua campanha a deputado federal na época. Então, quando afirmei e afirmo que Aécio Neves não tem condições morais para falar sobre ética, o fiz baseando-me em fatos. Pouco importa quem foi seu pai, avô, bisavô...Contra fatos não há argumentos. Quem utilizou dinheiro público para financiar campanha cometeu crime. E quem comete crime não tem moral para falar em ética. Como escreveu alguns colegas:" o pau que dá em Chico tem que dar em Francisco."
************ CADEIA NELES **************
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