Publicidade

Publicidade
Brasil
08/07/2008 - 12h51

Parlamentares que investigaram mensalão se dizem surpresos com prisões

Publicidade

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Parlamentares da CPI dos Correios que investigaram o escândalo do "mensalão" no Congresso receberam com surpresa nesta terça-feira a notícia da prisão do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, do investidor Naji Nahas e do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity. Os três foram presos pela Polícia Federal na Operação Satiagraha.

O esquema foi descoberto com base nos desdobramentos das investigações do caso "mensalão. O relator da extinta CPI dos Correios, deputado Osmar Serraglio (PMDB-PR), disse acreditar que ramificações do caso resultem em novos escândalos a serem descobertos pela PF e Justiça com os envolvidos no esquema.

"Há pendências em relação aos fundos de pensão. Tenho a convicção de que teremos também responsabilização no que diz respeito aos fundos", afirmou. Serraglio disse que a CPI suspeitava da ligação de Dantas com o publicitário Marcos Valério, mas não reuniu nenhum indício de envolvimento de Pitta e Nahas no esquema de desvio de recursos.

"Apuramos que o Marcos Valério agradava o Dantas na medida em que o presidente do banco Opportunity o aproximava daqueles que comandavam o esquema. A previ havia tirado o Dantas da sua direção, ele precisava se aproximar do governo. O Marcos Valério servia para isso e ele, em troca, contratava empresas do Marcos Valério", disse Serraglio.

O relator disse que a operação da PF mostra que os trabalhos da CPI não terminaram em "pizza", uma vez que vem trazendo resultados práticos na apuração de crimes contra o patrimônio público. Assim como Serraglio, o senador Delcídio Amaral (PT-MS), que foi presidente da CPI dos Correios, também comemorou os desdobramentos das investigações.

"Acho que outros órgãos como o Ministério Público, Supremo Tribunal Federal e Polícia Federal tiveram muito mais tempo para investigar do que nós. Era impossível a CPI ter o nível de profundidade que esses órgãos têm. Obviamente, muitas informações que saíram da CPI deram resultado", afirmou.

O deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), que foi um dos sub-relatores da CPI dos Correios, criticou a demora na investigação dos desdobramentos tanto pela PF quanto pelo Poder Judiciário. "Demorou até demais. Eram muitas frentes de investigações. A gente [CPI] sempre sustentou que o volume de recursos movimentados no valerioduto era muito maior, especialmente com o envolvimento de doleiros", afirmou Fruet à Folha Online.

A exemplo de Serraglio, Fruet disse que a CPI não reuniu elementos contra Nahas e Pitta, mas chegou a pedir o indiciamento de Dantas no final dos trabalhos. "A investigação tinha o Daniel Dantas no que diz respeito à operação de fusão da Brasil Telecom com a Oi. Mas tinha empresas, que a gente não tinha tempo de investigar, que contratavam empresas do Marcos Valério", afirmou Fruet.

Operação

A operação Satiagraha cumpre 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, e em Brasília. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.

Na apuração foram identificadas pessoas e empresas beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.

Para a prática dos delitos, o grupo possuía empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.

Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização atuava no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Os presos na operação devem ser indiciados sob acusações de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Eles devem ser transferidos para São Paulo, onde permanecerão na carceragem da Superintendência Regional da PF.

Comentários dos leitores
O Pacificador (203) 26/11/2009 13h31
O Pacificador (203) 26/11/2009 13h31
"Eleições internas do PT confirmam volta de mensaleiros ao comando do partido..."
É surpresa isso?
A natureza é assim mesmo...
Veja só: Flor do Pântano cresce aonde?
Pois é, com eles não poderia ser diferente...
sem opinião
avalie fechar
joao michelini (82) 26/11/2009 11h31
joao michelini (82) 26/11/2009 11h31
A partir da ANISTIA E DAS DIRETAS JA.
Surge uma NOVA CLASSE SOCIAL BRASILEIRA.. A DOS POLITICOS ...e que nos dias de hoje supera as demais classes. BAIXA, MEDIA E ALTA.
A CLASSE DOS POLITICOS PODE SER CONSIDERADA ALTA-ALTA - transferências de propriedades, sem exceção, foram conseguidas através de tácticas mafiosas, de assassinatos, de roubos generalizados, de apropriação de recursos do ESTADO, MUNICIPIOS, UNIAO E ESTATAIS,PRIVATIZAÇOES. Apropriadas pelas máfias privadas dirigidas por PARTIDARIOS ALIADOS com a corrupção. Esses novos multimilionários saqueam ESTADOS MUNICIPIOS A UNIAO E GRANDES EMPRESAS ESTATAIS em milhões de dólares.O MEXICO E O BRASIL, são os dois países que privatizaram os monopólios públicos mais lucrativos, os maiores e os mais eficientes. Do total de 157,2 mil milhões de dólares nas mãos de 38 multimilionários latino-americanos, 30 são brasileiros. Alguns acumularam suas fortunas obtendo contratos governamentais, e outros através DE INFLUENCIA POLITICA BENEFICIANDO-SE de relações políticas e suborno de empresas públicas.
E O RESTO É RESTO
Classe alta - Classe média - Classe baixa - Miseráveis
E a CLASSE DE OTARIOS COMO NOS ELEITORES, QUE PAGAMOS POR TUDO ISSO..., QUE SE LASQUE, RECORRER A QUEM SE DOMINARAO TUDO.
EXECUTICO - LEGISLATIVO E ATE O JUDICIARIO COM O STF DANDO LHES COBERTURA...
-----VOTO NULO NAS PROXIMAS ELEIÇOES NESTA CASTA DE MALANDROS---
55 opiniões
avalie fechar
J. Pimentel (70) 22/11/2009 11h21
J. Pimentel (70) 22/11/2009 11h21
Aos poucos estão desqualificando os crimes cometidos no emblemático caso do Mensalão. O mensalão "oficialmente" é uma contribuição mensal para que os deputados votassem com o governo. Na prática foi a forma de reeembolsar os deputados para cobrir seus compromissos de campanha. Esse dinheiro saiu de um CAIXA DOIS, ou seja, fora da contabilidade oficial, do mesmo caixa que financiou grande parte das campanhas, não só do PT. O Operador pricipal foi Marcos Valério, através de suas agências de propaganda, mas não foi o único com certeza, porque a movimentação financeira é muito alta para ficar concentrada apenas nas agências denunciadas. São dois crimes, na verdade, que já ficou em apenas um e, depois de tanto tempo já se pode colocar este caso no rol de impunidades que assola a dignidade do país. Com o apoio popular que tem, Lula tem assegurado essa impunidade, inclusive negando o inegável, fingindo desconhecer o esquema que não foi criado por ele, mas é uma prática tradicional da politica brasileira. A descaração do PT e seus aliados, que continuam dando as cartas no partido e na politica brasileira, é apenas um desses atos vergonhosos com os quais os brasileiros se acostumaram e, pelo apoio que teem dado ao atual governo, também apoiam essa "maracutaia", termo consagrado na língua portuguesa pelo próprio presidente Lula. É bom que se esclareça que não foi o PT quem criou essas práticas. A decepção é que acreditavamos que o PT fosse acabar com elas e não utilizá-las também. 2 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (2974)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca