Procuradoria aponta Greenhalgh como elo entre governo, Congresso e Daniel Dantas
FERNANDO ANTUNES
colaboração para a Folha Online
O Ministério Público Federal aponta o advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal pelo PT, como suposto elo entre o governo federal e o Congresso Nacional com o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, preso nesta terça-feira pela Polícia Federal durante a Operação Satiagraha --deflagrada nesta terça-feira com a finalidade de combater um suposto esquema de corrupção e lavagem de dinheiro.
Greenhalgh não foi localizado em seu escritório para comentar o assunto. O ex-deputado também não retornou os recados deixados pela reportagem.
Além de Greenhalgh, a Procuradoria também aponta Guilherme Sodré, ligado a Dantas, como suposto intermediador entre o Congresso, o governo e os investigados.
A PF e a Procuradoria pediram a prisão de Greenhalgh e de Sodré pela suposta participação de ambos na organização criminosa, mas o juiz federal Fausto de Sanctis entendeu que não existiam fundamentos suficientes para decretá-la.
Na investigação da PF, foram interceptadas ligações telefônicas envolvendo Greenhalgh que, segundo o procurador, tinha os apelidos de "Leg" e "Gomes". Sodré era chamado de "Guiga".
Segundo as investigações, o ex-deputado teria sido acionado por Dantas para descobrir informações de uma investigação da PF contra o banqueiro.
Segundo a Procuradoria, ao descobrir que estava sendo investigado, Dantas teria tentado subornar um delegado federal para que ele tirasse alguns nomes do inquérito da PF. O advogado do banqueiro, Nélio Machado, nega as acusações.
Segundo o procurador da República Rodrigo de Grandis, Greenhalgh teria utilizado suas influências para descobrir os procedimentos e os responsáveis pelas investigações na Polícia Federal.
"O Greehalgh participa desta articulação no sentido de descobrir onde está o procedimento que, por sua natureza e por determinação legal, é sigiloso", afirmou o procurador.
Prisões
Além de Daniel Dantas, a Polícia Federal prendeu o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o investidor Naji Nahas e outras 14 pessoas suspeitas por desvio de verbas, corrupção e lavagem de dinheiro.
A operação cumpre 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e em Brasília. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo. No Rio, a PF já cumpriu nove mandados de prisão e em São Paulo, oito.
"Essa organização criminosa tinha como seu líder o Daniel Dantas", disse Protógenes Queiroz, delegado da Polícia Federal responsável pelas investigações. "Nós nos deparamos, primeiramente com um grupo de pessoas e depois com uma organização criminosa muito bem estruturada", reiterou.
Dantas foi preso no Rio, juntamente com sua mulher, cunhado e irmã. Eles são transferidos para São Paulo. A Polícia Federal apreendeu quatro carros importados, sendo que três deles possivelmente seriam de Nahas, além de documentos e um cofre.
Também foi decretada a prisão preventiva de duas pessoas, que teriam, supostamente a mando de Dantas, oferecido, segundo o Ministério Público, US$ 1 milhão para um delegado federal que participava das investigações para que ele tirasse alguns nomes do inquérito. Uma delas, Hugo Chicaroni, foi presa hoje durante a operação. Na casa dele, a polícia teria encontrado R$ 1 milhão.
Investigações
Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.
Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.
Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.
Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).
Os presos na operação devem ser indiciados sob as acusações de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Eles serão transferidos para São Paulo, onde permanecerão na carceragem da Superintendência Regional da PF.
A operação conta com a participação de 300 policiais.
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Deu na Folha on line em 19/11/08:
"O Ministério Público Federal em Belo Horizonte denunciou na segunda-feira (17) o empresário Marcos Valério e outras 26 pessoas --incluindo diretores e ex-diretores do Banco Rural-- por crimes relacionados ao mensalão mineiro. A denúncia apresentada refere-se a um suposto esquema criminoso que colaborou com a campanha à reeleição do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) ao governo de Minas em 1998.
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Segundo a denúncia da procuradoria, foram desviados cerca de R$ 3,5 milhões dos cofres públicos estaduais para a campanha à reeleição de Azeredo.
O empresário também é acusado de corromper um juiz eleitoral para favorecer Azeredo durante a mesma campanha. O sócio de Valério, Rogério Tolentino, também é acusado de participar do esquema."
Segundo relatório da PF: 110 mil reais foi para o bolso do senhor AÉCIO NEVES para caixa 2 de sua campanha a deputado federal na época. Então, quando afirmei e afirmo que Aécio Neves não tem condições morais para falar sobre ética, o fiz baseando-me em fatos. Pouco importa quem foi seu pai, avô, bisavô...Contra fatos não há argumentos. Quem utilizou dinheiro público para financiar campanha cometeu crime. E quem comete crime não tem moral para falar em ética. Como escreveu alguns colegas:" o pau que dá em Chico tem que dar em Francisco."
************ CADEIA NELES **************
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