Brasil
08/07/2008 - 18h32

Senado adia para agosto votação do projeto que torna inelegíveis candidatos com "ficha suja"

GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O Senado adiou para depois do recesso parlamentar de julho a votação do projeto que torna inelegíveis candidatos com "ficha suja" na Justiça. Apesar da matéria ter sido aprovada nesta terça-feira pela CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado, os líderes partidários decidiram adiar a votação do texto no plenário da Casa diante da falta de consenso sobre a matéria.

A Folha Online apurou que parte dos senadores se mostrou contrária ao projeto por discordar da inelegibilidade para candidatos condenados apenas em primeira instância. Os parlamentares temem que candidatos sejam proibidos de disputar as eleições mesmo com o direito de recorrerem, na Justiça, à decisão tomada em primeira instância. "Eu acho perigoso que uma instância só seja suficiente. Precisamos de pelo menos uma decisão em duas instâncias para consolidar a inelegibilidade para não cometermos nenhuma injustiça", disse o senador Renato Casagrande (PSB-ES).

Diante da falta de consenso entre os líderes partidários, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), decidiu suspender a votação da matéria --embora seja favorável à votação no plenário nesta semana.

Os líderes também argumentam que o Senado não precisa ter pressa para analisar o texto uma vez que o projeto ainda vai tramitar pela Câmara, o que impede que entre em vigor nas eleições municipais deste ano. "É uma matéria polêmica, é um debate que não acaba nunca. Entra em discussão, demora muito tempo. Mesmo se passar por aqui, não entra na Câmara", disse o líder do DEM no Senado, José Agripino Maia (RN).

Sem esconder a posição contrária à votação da matéria, a senadora Ideli Salvatti (PT-SC) também defendeu o adiamento da votação. "É um projeto controverso, esbarra na Constituição pois é cláusula pétrea a presunção da inocência. Mesmo se fosse votado hoje, não valeria para essas eleições", afirmou Ideli.

Mudanças

Atualmente, a lei prevê que um político só pode ficar inelegível se for condenado em última instância --após ter seu processo transitado em julgado. Pela nova regra, o político não pode ser candidato se for condenado a crimes graves em qualquer instância.

O texto aprovado na CCJ estabelece que os candidatos que tiverem cometido crimes eleitorais, corrupção, improbidade administrativa ou aqueles com penas superiores a dez anos de detenção --como homicídios e estupros-- ficam proibidos de disputar as eleições por prazos fixados para cada delito.

O projeto prevê, por exemplo, que um candidato condenado por atos de improbidade administrativa deve ficar inelegível por até quatro anos depois de ter seu processo transitado em julgado. O prazo de inelegibilidade para condenados por crimes como gastos ilícito de recursos de campanha é de oito anos a contar a realização da eleição na qual tal conduta tenha sido praticada.

O projeto ainda obriga que governadores, prefeitos e presidente da República, assim como seus respectivos vices, devem deixar os cargos quatro meses antes das eleições se forem candidatos à reeleição. Outra mudança proíbe que parlamentares renunciem aos seus mandatos no Congresso Nacional para escaparem da cassação.

O texto determina que os deputados e senadores cassados por quebra de decoro parlamentar, assim como os que renunciam aos seus mandatos durante o processo no Conselho de Ética, devem ficar inelegíveis por oito anos.

Comentários dos leitores
LUIZ CARLOS DE FOGGI (19) 04/09/2008 22h48
LUIZ CARLOS DE FOGGI (19) 04/09/2008 22h48
SR. DANIEL ALENCAR, COMO SEU PAI, O MEU TAMBÉM NÃO TEVE CONDIÇÕES DE ESTUDAR, SEMPRE TRABALHOU, NUNCA DEIXOU FALTAR NADA EM CASA, DEU-NOS ESTUDO, E MAIS IMPORTANTE, ENSINOU-NOS VALORES MORAIS, PRINCIPALMENTE COM SUA CONDUTA, COMO ALIÁS A MAIORIA DOS PAIS, QUE NÃO DESEJAM OUTRA COISA A SEUS FILHOS. PORÉM O SR. PRESIDENTE DA REPÚBLICA, ACIMA DE TUDO, E POR RESPEITO A SEU CARGO, NUNCA, MAIS NUNCA MESMO DEVERIA TENTAR FAZER APOLOGIA POR NÃO TER ESTUDADO E TER CHEGADO A SER PRESIDENTE. NÃO BASTASSE ISTO, VEM A PÚBLICO FALAR QUE É FAVORÁVEL A SE FUMAR EM TODOS OS LUGARES, ESQUECENDO-SE QUE O MINISTÉRIO DA SAÚDE, VEM FAZENDO A MUITO TEMPO, CAMPANHA SOBRE OS MALEFÍCIOS DO FUMO, ALÉM DO QUE ESTE MESMO MINISTÉRIO DEVE TER GASTO MUITO DO "NOSSO DINHEIRO " NESTA CAMPANHA. AGORA EU LHE PERGUNTO: QUEM NÃO ESTA RESPEITANDO O CARGO DE PRESIDENTE? 10 opiniões
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Francisco Ernesto Guerra (308) 04/09/2008 22h34
Francisco Ernesto Guerra (308) 04/09/2008 22h34
Esta notícia de que candidatos, além de promessas, assinam compromissos, é por demais importante. Porém não deve ser levada a sério!
Não custa de lembrar do triste exemplo de José Serra. Este homem sem caráter, pequeno de idéias e princípios e sem nenhuma honra, prometeu verbalmente e depois por escrito declarou que não ia renunciar. Assinou e reconheu firma. Nada disso adiantou. Renunciou!
As razões da renúncia não foram as forças ocultas e nem as forças terríves, como as do Jânio Quadros. Foram muito claras. Eram as desmedidas e doentias ambições em ser presidente do Brasil.
Achava e acha o Duce da Moóca, que sendo governador estaria mais perto do seu sonho da presidência.
Portanto não acredite nestes políticos hipócritas.
sem opinião
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Francisco Ernesto Guerra (308) 04/09/2008 21h34
Francisco Ernesto Guerra (308) 04/09/2008 21h34
Recomendo para aqueles bicudos, tucanos de carteirinha, que forem ao tal jantar do Serra que tome as seguintes precauções:
1. Apenas coma a comida após o provador (aquele que come primeiro, para saber se não está envenenada) e o Sr. José Serra comê-la.
2. Use por baixo da camisa um colete de aço, reforçado nas costas. Certifique-se e confirme se colete é a prova de punhal.
3. Mesmo que o convite seja mais caro, procure sentar-se de frente para José Serra (nunca ao lado).
Que Deus lhe acompanhe. Não esqueça que sua família lhe aguarda em casa.
Boa sorte!
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