Brasil
08/07/2008 - 23h02

Procuradoria acusa Dantas de tentar oferecer US$ 1 milhão para delegado

da Folha Online

O Ministério Público Federal acusa o banqueiro Daniel Dantas, dono do grupo Opportunity, preso nesta terça-feira pela Polícia Federal durante a Operação Satiagraha, de tentar oferecer US$ 1 milhão para um delegado federal. A tentativa de suborno seria para que o nome de Dantas e de integrantes da sua família fosse retirado de um inquérito da PF sobre supostas operações ilícitas. O advogado do banqueiro, Nélio Machado, nega as acusações.

Segundo a denúncia, o dinheiro teria sido oferecido ao delegado federal Vitor Hugo Rodrigues Alves por duas pessoas, supostamente a mando de Dantas, segundo reportagem do "Jornal Nacional". Uma delas, Hugo Chicaroni, já foi presa durante a operação. No apartamento de Chicaroni, em São Paulo, a PF teria apreendido R$ 1,3 milhão.

O outro emissário de Dantas seria, segundo a reportagem, Humberto José da Rocha Braz --também conhecido por Guga--, assessor de Dantas e ex-diretor da Brasil Telecom, empresa que pertenceu ao grupo Opportunity.

Ainda segundo o "JN", para conseguir provas, os delegados simularam que aceitariam o suborno parcelado. O restante do dinheiro seria pago ainda nesta semana.

O advogado de Dantas já entrou com habeas corpus no STF para libertar o banqueiro. A prisão temporária do banqueiro é válida por cinco dias, podendo ser prorrogada. Além de Dantas, a PF também prendeu hoje o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas.

O grupo Opportunity foi fundado por Dantas em 1993. O banqueiro ganhou notoriedade ao se associar com o Citigroup, para se tornarem sócios do consórcio que venceu a concessão de telefonia que criou a Brasil Telecom. Depois iniciaram uma disputa societária que só terminou com a venda da empresa para a Oi (ex-Telemar) no início deste ano. Durante essa disputa foi acusado, entre outras coisas, de espionagem.

Operação Satiagraha

A operação da PF investiga suposta prática dos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras. Os policiais cumprem 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e em Brasília. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

Dantas foi preso no Rio, juntamente com sua mulher, cunhado e irmã. A PF apreendeu quatro carros importados, sendo que três deles possivelmente são de Nahas, além de documentos e um cofre.

A Justiça decretou as prisões temporárias de dez pessoas ligadas a Dantas: Verônica Dantas (irmã e parceira de negócios), Carlos Rodemburg (sócio e vice-presidente do banco Opportunity), Daniele Ninio, Arthur Joaquim de Carvalho, Eduardo Penido Monteiro, Dorio Ferman, Itamar Benigno Filho, Norberto Aguiar Tomaz, Maria Amália Delfim de Melo Coutrin e Rodrigo Bhering de Andrade.

Do grupo de Nahas, foram decretadas a prisão de mais dez pessoas: Fernando Nahas (filho), Maria do Carmo Antunes Jannini, Antonio Moreira Dias Filho, Roberto Sande Caldeira Bastos, os doleiros Carmine Enrique, Carmine Enrique Filho, Miguel Jurno Neto, Lúcio Bolonha Funaro e Marco Ernest Matalon e o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, cliente dos doleiros, que teve operações financeiras ilegais interceptadas pela PF.

A PF e o Ministério Público pediram ainda a prisão do advogado Luiz Eduardo Greenhalgh, ex-deputado federal, por sua suposta participação na organização criminosa, mas o juiz federal Fausto de Sanctis entendeu que não existiam fundamentos suficientes para decretá-la.

Defesa de Dantas

O advogado Nélio Machado acusa representantes do setor público de perseguirem seu cliente. Ele disse acreditar que a operação da PF é decorrência da briga societária envolvendo Brasil Telecom e a Telecom Itália.

"Sei que há documentos na Itália que deixam comprometidos personagens comprometidos com o governo brasileiro, e esse episódio pode ter gerado uma vingança contra o meu cliente", afirmou, no Rio.

Machado negou ligação direta de Dantas com Nahas e Pitta. Ele admitiu que Nahas prestou serviços à Telecom Itália na disputa judicial entre a empresa e a Brasil Telecom. O advogado disse ainda que não há motivos para que Dantas seja preso por supostas ligações com o esquema do mensalão.

"Se houvesse alguma ligação do meu cliente com o mensalão, ele teria sido denunciado pelo STF", observou. Machado, no entanto, admitiu que Marcos Valério intermediou contratos de publicidade com a Telemig e a Brasil Telecom.

Nem o advogado de Celso Pitta nem o do investidor Naji Nahas se pronunciaram até a publicação desta reportagem.

Investigações

Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.

Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.

Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.

Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Os presos na operação devem ser indiciados sob as acusações de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Eles serão transferidos para São Paulo, onde permanecerão na carceragem da Superintendência Regional da PF.

A operação conta com a participação de 300 policiais.

Comentários dos leitores
Charles de Almeida (49) 10/10/2008 18h05
Charles de Almeida (49) 10/10/2008 18h05
Parabéns, Júlio Moraes. Seu comentário é de uma lucidez brilhante. Temos que lutar para que tudo isso seja colocado em prática em nossa Educação. Muitos políticos descompromissados com a Nação já caíram e devemos tentar evitar que os que ainda estão na esfera do poder não contaminem os que estão entrando, afim de varrermos de nossa história essa praga chamada corrupção. Não podemos nos deixar convencer pelas mídias tendenciosas, movidas e financiadas pelo capitalismo inescrupuloso. Com um Ensino melhor, teremos bons eleitores no futuro. Consequentemente, serão eleitos políticos de melhor caráter e que trabalhem, de fato, pensando no país. Isso pode render bons frutos para todos, incluindo nossos filhos. Parabéns, de novo, pelo seu comentário. É raro ver aqui alguém falar com tamanha lucidez. sem opinião
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Antonio Fouto Dias (1714) 10/10/2008 17h45
Antonio Fouto Dias (1714) 10/10/2008 17h45
APENAS UMA OBSERVAÇÃO:

Por qual motivo será que o chefe do Valérioduto é preso e não acontece o mesmo com aqueles que participaram do esquema de corrupção ou desvio de recursos?
IMPUNIDADE, PURA IMPUNIDADE!!!
sem opinião
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JULIO MORAES (1) 08/09/2008 14h31
JULIO MORAES (1) 08/09/2008 14h31
O que mais estamos precisando fazer neste paìs, é um revolução cultural. Investir maciçamente na criança, como fez o Japão, após guerra. Precisamos urgentemente reeducar os educadores, dando-hes alem dos cursos que já possuem, os cursos de psicologia infantil e pedagogia logosófica.Os educadores docentes terão que estar sintonizados com os educadores pais, para que não haja distorsão no ensino. As crianças precisam de tempo integral nas escolas, de manhã, as aulas didáticas e á tarde, esportes de todo tipo possivel, porque alem de o governo estar cumprindo com sua obrigação, que é de dar educação profícua às crianças, estará tambem praticando a medicina preventiva no país. Paralelamente vamos punir com rigor os salteadores dos cofres públicos, os politícos corruptos, o crime organizado, que já está quase sendo oficiliado no país e eu tenho certeza absoluta que o patriotismo não habita o coração desses abutres e tenho tambem certeza que muitos estão lucrando com esses crimes e com essa educação mediocre de hoje, que desperdiça a mente de nossos filhos e netos. 9 opiniões
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