Brasil
09/07/2008 - 08h48

Ligação entre Pitta e Nahas ajudou a repatriar US$ 1 mi

CONRADO CORSALETTE
da Folha de S.Paulo

A relação entre o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o megainvestidor Naji Nahas, agora acusados na Operação Satiagraha, não é nova. Ela foi o ponto de partida de uma investigação que conseguiu repatriar, dois anos atrás, US$ 1 milhão depositado em contas abertas em paraísos fiscais.

Eduardo Anizelli/Folha Imagem
Ex-prefeito de SP Celso Pitta afirma estar "surpreso" e nega ligação com banqueiro
Ex-prefeito de SP Celso Pitta afirma estar "surpreso" e nega ligação com banqueiro

O dinheiro, de acordo com o Ministério Público Estadual, teria origem nos supostos esquemas de desvios de verbas de obras públicas durante a administração do ex-prefeito em São Paulo, entre 1997 e 2000. Naji Nahas seria o responsável por enviar o dinheiro ao exterior.

Tais afirmações foram feitas aos promotores paulistas pela ex-mulher de Pitta, Nicéa Camargo, no dia 11 de dezembro de 2001. Apesar de os dois acusados negarem veementemente o esquema, foi a partir desse depoimento que as autoridades brasileiras conseguiram rastrear o caminho de parte do dinheiro supostamente desviado e, por fim, repatriá-la.

O Ministério Público paulista diz que ainda não é possível relacionar o esquema denunciado por Nicéa ao desbaratado agora pela Polícia Federal.

As autoridades envolvidas na Operação Satiagraha, porém, não descartam a possibilidade de Pitta ainda estar resgatando quantias de suas supostas contas do exterior, já que foi visto mais de uma vez no escritório de Nahas para pegar dinheiro.

Entre 1999 e 2000, a ex-primeira-dama de São Paulo virou pelo avesso a vida do então prefeito, com diversas acusações de desvios de verbas públicas. Pitta chegou a ser afastado do comando da prefeitura durante 18 dias, mas conseguiu recuperar a cadeira por meio de recurso judicial.

Pitta chegou à prefeitura da maior cidade do país com o aval de seu antecessor, o hoje deputado Paulo Maluf (PP), de quem era secretário de Finanças. A atuação como auxiliar de Maluf rendeu a ele uma condenação na Justiça, que saiu este ano, por seu envolvimento no escândalo dos precatórios. Pitta conseguiu o direito de recorrer da sentença em liberdade.

Também no início do ano, o ex-prefeito foi condenado novamente, desta vez por fazer propaganda irregular durante sua gestão. A sentença, à qual ainda cabe recurso, o condenou a devolver R$ 13 milhões aos cofres municipais. Além disso, Pitta ainda responde a outras ações por supostas ilegalidades cometidas quando estava no comando do município.

"Consultor"

Depois que deixou a prefeitura, ele ainda tentou incursões na vida pública. Candidatou-se duas vezes para a vaga de deputado federal, a última delas pelo PTB, mas não se elegeu.

Pitta apresenta-se hoje como "consultor financeiro empresarial". Questionados ontem pela Folha, seus advogados não souberam dizer quais são os clientes do ex-prefeito. Durante alguns anos pós-prefeitura, ele trabalhou no mesmo escritório de um velho conhecido, o advogado Edvaldo Brito, secretário de Negócios Jurídicos durante sua administração.

A relação do ex-prefeito com megainvestidor nunca foi rompida. A proximidade entre eles pôde ser constada em 1996, um ano antes de o ex-prefeito assumir a cidade: ele foi ao casamento da filha de Nahas.

Aos 61 anos, Pitta tem hoje uma nova mulher, a empresária Rony Golabek, proprietária de loja que importa roupas.

Há dois anos, quando preparava sua candidatura à Câmara dos Deputados, o ex-prefeito declarou em entrevista: "Já paguei todos os pecados que uma pessoa pública pode pagar".

Arte/Folha
Arte/Folha/
Comentários dos leitores
Charles de Almeida (49) 10/10/2008 18h05
Charles de Almeida (49) 10/10/2008 18h05
Parabéns, Júlio Moraes. Seu comentário é de uma lucidez brilhante. Temos que lutar para que tudo isso seja colocado em prática em nossa Educação. Muitos políticos descompromissados com a Nação já caíram e devemos tentar evitar que os que ainda estão na esfera do poder não contaminem os que estão entrando, afim de varrermos de nossa história essa praga chamada corrupção. Não podemos nos deixar convencer pelas mídias tendenciosas, movidas e financiadas pelo capitalismo inescrupuloso. Com um Ensino melhor, teremos bons eleitores no futuro. Consequentemente, serão eleitos políticos de melhor caráter e que trabalhem, de fato, pensando no país. Isso pode render bons frutos para todos, incluindo nossos filhos. Parabéns, de novo, pelo seu comentário. É raro ver aqui alguém falar com tamanha lucidez. sem opinião
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Antonio Fouto Dias (1714) 10/10/2008 17h45
Antonio Fouto Dias (1714) 10/10/2008 17h45
APENAS UMA OBSERVAÇÃO:

Por qual motivo será que o chefe do Valérioduto é preso e não acontece o mesmo com aqueles que participaram do esquema de corrupção ou desvio de recursos?
IMPUNIDADE, PURA IMPUNIDADE!!!
sem opinião
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JULIO MORAES (1) 08/09/2008 14h31
JULIO MORAES (1) 08/09/2008 14h31
O que mais estamos precisando fazer neste paìs, é um revolução cultural. Investir maciçamente na criança, como fez o Japão, após guerra. Precisamos urgentemente reeducar os educadores, dando-hes alem dos cursos que já possuem, os cursos de psicologia infantil e pedagogia logosófica.Os educadores docentes terão que estar sintonizados com os educadores pais, para que não haja distorsão no ensino. As crianças precisam de tempo integral nas escolas, de manhã, as aulas didáticas e á tarde, esportes de todo tipo possivel, porque alem de o governo estar cumprindo com sua obrigação, que é de dar educação profícua às crianças, estará tambem praticando a medicina preventiva no país. Paralelamente vamos punir com rigor os salteadores dos cofres públicos, os politícos corruptos, o crime organizado, que já está quase sendo oficiliado no país e eu tenho certeza absoluta que o patriotismo não habita o coração desses abutres e tenho tambem certeza que muitos estão lucrando com esses crimes e com essa educação mediocre de hoje, que desperdiça a mente de nossos filhos e netos. 9 opiniões
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