Brasil
09/07/2008 - 09h06

Governo não vê prejuízo para fusão Brasil Telecom-Oi

da Folha Online

Reportagem de Valdo Cruz e de Leonardo Souza publicada nesta quarta-feira na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal) informa que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a Oi não temem que a prisão do banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, prejudique a fusão com a Brasil Telecom.

Segundo a reportagem, isso poderia ocorrer se a Operação Satiagraha, deflagrada ontem pela Polícia Federal, tivesse acontecido antes de 25 de abril, quando a Brasil Telecom assinou com a Oi o compromisso de venda da empresa.

A ação da PF ocorreu no meio da negociação da fusão entre a Oi e a Brasil Telecom, que já foi controlada por Dantas. Antes de fechar o negócio, por exigência da Oi, Dantas já havia assinado contrato de venda de sua parte na empresa, por mais de US$ 1 bilhão, segundo cálculos de especialistas.

Ontem, Dantas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas foram presos pela Polícia Federal durante a Operação Satiagraha. A ação investiga suposta prática dos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras.

Os policiais cumpriram 24 mandados de prisão e 56 de busca e apreensão nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador e em Brasília. Os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo.

O Ministério Público Federal acusa o grupo do banqueiro Daniel Dantas de ter movimentado, entre 1992 e 2004, quase US$ 2 bilhões por meio do Opportunity Fund, uma offshore no paraíso fiscal das Ilhas Cayman, no Caribe.

Segundo a Procuradoria, além de evasão de divisas e formação de quadrilha, as investigações apontam que o grupo de Dantas teria cometido também gestão fraudulenta, concessão de empréstimos vedados (empréstimos entre empresas do mesmo grupo) e corrupção ativa.

O advogado de Dantas entrou contem com habeas corpus no STF para libertar o banqueiro e negou ligação direta de Dantas com Nahas e Pitta.

Machado admitiu que Nahas prestou serviços à Telecom Itália na disputa judicial entre a empresa e a Brasil Telecom. O advogado disse ainda que não há motivos para que Dantas seja preso por supostas ligações com o esquema do mensalão.

Investigações

Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF (Supremo Tribunal Federal) para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.

Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.

Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.

Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Os presos na operação devem ser indiciados sob as acusações de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Eles serão transferidos para São Paulo, onde permanecerão na carceragem da Superintendência Regional da PF.

Arte/Folha Imagem
Comentários dos leitores
Carlos José dos Santos (54) 11/10/2008 13h03
Carlos José dos Santos (54) 11/10/2008 13h03
Quanto dinheiro gasto com investigação, prende solta, prende solta, prende solta, prende solta.
É preferível a decretação oficial do fim da Justiça do que essa pseudo justiça.
Se todos tivessem a certeza de que a justiça no Brasil não funcionaria tanto para o rico quanto para o pobre, cada um ia fazer sua propria justiça, não ficando esperando uma justiça que não funciona para todos.
Cada um procuraria se garantir com a justiça das proprias mãos.
Com Essa pseudo justiça que temos, o cidadão de bem sais prejudicado, pois fica esperando uma justiça que não vem enquanto os maus continuam agindo e se beneficiando da impunidade.
Que venha a Justiça Divina....
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Charles de Almeida (49) 10/10/2008 18h05
Charles de Almeida (49) 10/10/2008 18h05
Parabéns, Júlio Moraes. Seu comentário é de uma lucidez brilhante. Temos que lutar para que tudo isso seja colocado em prática em nossa Educação. Muitos políticos descompromissados com a Nação já caíram e devemos tentar evitar que os que ainda estão na esfera do poder não contaminem os que estão entrando, afim de varrermos de nossa história essa praga chamada corrupção. Não podemos nos deixar convencer pelas mídias tendenciosas, movidas e financiadas pelo capitalismo inescrupuloso. Com um Ensino melhor, teremos bons eleitores no futuro. Consequentemente, serão eleitos políticos de melhor caráter e que trabalhem, de fato, pensando no país. Isso pode render bons frutos para todos, incluindo nossos filhos. Parabéns, de novo, pelo seu comentário. É raro ver aqui alguém falar com tamanha lucidez. sem opinião
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Antonio Fouto Dias (1722) 10/10/2008 17h45
Antonio Fouto Dias (1722) 10/10/2008 17h45
APENAS UMA OBSERVAÇÃO:

Por qual motivo será que o chefe do Valérioduto é preso e não acontece o mesmo com aqueles que participaram do esquema de corrupção ou desvio de recursos?
IMPUNIDADE, PURA IMPUNIDADE!!!
sem opinião
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