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Brasil
09/07/2008 - 16h17

Ministro da Justiça critica pedido de prisão contra jornalista da Folha

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

O ministro Tarso Genro (Justiça) criticou nesta quarta-feira o pedido de prisão e busca e apreensão expedido pela Polícia Federal contra a jornalista da Folha Andréa Michael em meio à Operação Satiagraha. Tarso disse que, apesar de não conhecer detalhes do inquérito, o pedido não tem "nenhum conforto" porque tira a "centralidade" das investigações.

"O objetivo desse inquérito, magnificamente cumprido pelo delegado, foi verificar crimes graves contra o sistema financeiro com todas as suas características. Pelo que eu concluí da manifestação da procuradoria, do juiz, o pedido não tinha nenhum conforto, o que confirma esta minha avaliação que a perda de centralidade pode prejudicar o objetivo do inquérito", afirmou.

Os mandados foram pedidos pelo delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que acusou a jornalista de ter passado dados sigilosos para advogados de Daniel Dantas, que está sob investigação. A Justiça Federal, no entanto, rejeitou os pedidos do delegado.

Em 26 de abril, a Folha publicou reportagem de autoria de Michael intitulada "Dantas é alvo de outra investigação da PF". O texto descrevia detalhes da apuração e antecipava a operação que foi deflagrada ontem pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal.

Em comunicado divulgado ontem, a Folha repeliu as insinuações contra a jornalista. O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, também criticou o pedido da PF ao compará-lo com práticas do "regime soviético".

"O pedido de prisão preventiva nesse caso já suscita inúmeras indagações. Por que a prisão preventiva num caso como esse? Se se imputa à jornalista a prática de uma infração, qualquer que ela seja, qual justificativa para a prisão preventiva? Ela poderia fugir? Ela poderia dar cabo às provas? Aqui os senhores já percebem claramente o abuso do próprio pedido de prisão preventiva."

Espetacularização

Tarso rebateu as críticas de Mendes de que houve "espetacularização" dos agentes da PF na Operação Satiagraha. Mas reconheceu que a presença de câmeras de uma emissora de TV durante a prisão do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, flagrado de pijamas, extrapolou o código de conduta da instituição.

"Não houve [espetacularização] por parte da instituição. Houve erro de alguém que permitiu aquele fato. Não é de responsabilidade da instituição, mas a instituição assume a responsabilidade de investigar", afirmou Tarso.

Mendes disse nesta terça-feira que a "espetacularização das prisões [na operação da PF] é evidente e dificilmente compatível com o Estado de Direito". Segundo o presidente do STF, o "uso de algema abusivo terá de ser discutido" no país. Na semana passada, Mendes havia dito que o vazamento de informações sigilosas pela PF é "coisa de gângster" e "terrorismo lamentável".

Comentários dos leitores
Luís da Velosa (1447) 02/12/2009 19h41
Luís da Velosa (1447) 02/12/2009 19h41
Vou sair do Brasil, antes que ele saia de mim. Siga-me, quem for brasileiro! sem opinião
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Antonio Fouto Dias (2796) 02/12/2009 19h27
Antonio Fouto Dias (2796) 02/12/2009 19h27
O STF livrar Azeredo no julgamento do processo do mensalão mineiro, só irá piorar as coisas e nem só isso, poderá também estar manifestando à população uma idéia de que até mesmo no poder judiciário possam existir conclusões protecionistas e tendenciosas em julgamento de processos envolvendo políticos.
Se até o STF se manifesta de uma forma que se dê para tais suposições, quanto não poderá ser o alívio dos corruptos, falcatrueiros, superfaturadores e utilizadores de caixa2, entre outros?
OS POLÍTICOS, EM OCORRENDO O REFERIDO NA MATÉRIA, ESTÃO SE SENTINDO NÃO SOMENTE COM SENSAÇÃO DE ALÍVIO, COMO TAMBÉM A CERTEZA DE UMA IMPUNIDADE SEM DIMENSÕES.
sem opinião
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Antonio Fouto Dias (2796) 02/12/2009 16h48
Antonio Fouto Dias (2796) 02/12/2009 16h48
Justiça deve ser aplicada igualmente para todos, se foram indiciados 40 mensaleiros e Azeredo praticou o mesmo ato, não há porque ele também não responda por seus atos.
O esquema é o mesmo e a base de sustentação em todas as questões dos esquemas de corrupção é a mesma, valerioduto em Minas, valerioduto no governo PTista e valerioduto no Distrito Federal, em todos existem a participação principalmente, de empresas prestadoras de serviços por concessão pública.
Se todos agem da mesma forma, não há motivos para responderem por ilícitos diferentes e muto menos serem julgados diferentemente, o que está faltando é um aparelhamento no poder judiciário, para que haja agilização na conclusão dos processos.
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