Dirceu nega envolvimento com Dantas e reclama de vazamento de informações da PF
colaboração para a Folha Online
O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu comentou nesta quarta-feira em seu blog o episódio da prisão do dono do banco Opportunity, Daniel Dantas, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e do investidor Naji Nahas. Segundo o ex-ministro, mais uma vez seu nome foi envolvido em algo que ele "nada tem a ver".
Segundo reportagem publicada nesta quarta-feira pela Folha, o nome de Dirceu é citado no inquérito da Operação Satiagraha, deflagrada pela Polícia Federal na terça-feira (8). Pelas informações divulgadas, não é possível saber o eventual papel do ex-chefe da Casa Civil no suposto esquema.
Em seu blog, Dirceu reclama do "vazamento ilegal de informações" sigilosas e se diz perseguido pela mídia.
"Reafirmo que sou inocente e aos vários leitores que via blog, perguntam-me a respeito, esclareço de vez: não tenho qualquer relação pessoal, de amizade, profissional ou de negócios com nenhuma dos três e Daniel Dantas não é cliente nem do meu escritório de advocacia e nem da minha empresa de consultoria", escreve Dirceu.
Em comentários publicados ontem no blog, internautas pediam que o ex-ministro comentasse o assunto.
Investigação
Segundo a PF, as investigações da Operação Satiagraha começaram a partir do desdobramento do inquérito do mensalão no Supremo Tribunal Federal. O escândalo provocou o afastamento de Dirceu da Casa Civil, que mais tarde teve o mandato de parlamentar cassado pelo plenário da Câmara.
Na apuração da PF foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.
Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.
Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).
Os presos na operação devem ser indiciados sob as acusações de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha.
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