Marta muda de estratégia e poupa adversários em dia de campanha
MARINA NOVAES
colaboração para a Folha Online
Adotando um tom menos crítico e mais tranqüilo em relação à pré-campanha, a candidata petista à Prefeitura de São Paulo, Marta Suplicy, visitou pontos das zonas oeste e sul da cidade neste feriado, conversou com a população, mas evitou criticar os principais adversários: o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o tucano Geraldo Alckmin.
Segundo Marta, este deve ser o tom de sua campanha. "Vocês podem me testar à vontade", disse aos jornalistas, questionada sobre o abandono das críticas aos concorrentes. De acordo com a candidata, a campanha eleitoral deve se concentrar na "apresentação de propostas" e não na troca de críticas. "Você não acrescenta nada criticando os adversários", disse.
O discurso é bem diferente do adotado pela petista nas últimas semanas, quando a candidata vinha acusando a gestão PSDB-DEM de enrolação social e de improvisação nas propostas.
A ex-prefeita não quis comentar a prisão do ex-prefeito Celso Pitta nesta terça-feira (8) durante a Operação Satiagraha, da Polícia Federal, e evitou associá-lo ao prefeito Kassab, como fez durante a convenção do PT, no último dia 29, em que se referiu às escolas de lata criadas, segundo ela, pela gestão Pitta-Kassab. O prefeito foi secretário de Celso Pitta (1997-2000).
"Se na ocasião tiver sentido, sim [irá continuar a associar Kassab ao Pitta]. Mas não nessa situação, porque não tem nada indicando [a ligação dos dois]", afirmou.
Recentemente, Kassab afirmou que sua participação no governo Pitta de foi pequena. "Minha atribuição nesse governo foi a elaboração do Plano Diretor da cidade de São Paulo", disse. E lembrou que no período em que ficou na secretaria contou com a ajuda de Jorge Wilheim, secretário de Planejamento Urbano no governo Marta.
Eleitorado
Apesar do tom ameno adotado hoje, a candidata afirmou estar disposta a conquistar o eleitorado de "todos os adversários" nestas eleições, e não apenas o de Kassab. Segundo a última pesquisa do Datafolha, caso Alckmin enfrente Marta no segundo turno, 78% dos eleitores do atual prefeito devem votar no candidato tucano.
"Eu não tenho que me focar no eleitorado de Kassab. Eu quero o voto também do eleitorado do Alckmin. Não tem porque o eleitorado do Alckmin resistir a mudar esse voto", disse.
Segundo a candidata, a migração dos votos deve ocorrer pela "reavaliação" de sua gestão e pela avaliação das propostas petistas. "Eu acho que eu tenho que falar para todas as candidaturas [referindo-se aos eleitores dos adversários], e propor um plano para a cidade e uma reavaliação do que foi feito e do que a gente pode fazer. [...] Para que a população que hoje vota no Kassab e no Alckmin possa reavaliar e votar na gente", afirmou.
A candidata visitou as comunidades do Jardim Edith, na zona sul da cidade, do Jaguaré e do Jaguará, ambos na zona oeste da capital paulista. Acompanhada de um carro de som, ela ressaltou as obras do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) do governo federal, em uma agenda focada no tema habitação.
Em Jaguaré, a candidata almoçou com o elenco do filme "Família Vende Tudo" --como o ator Lima Duarte-- do diretor Alan Fresnot, que gravavam na região.
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