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Brasil
10/07/2008 - 11h19

Tarso diz que decisão da Justiça de soltar Dantas foi "jurídica e técnica"

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RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O ministro Tarso Genro (Justiça) defendeu nesta quinta-feira a prisão dos envolvidos na Operação Satiagraha da Polícia Federal. Ele elogiou a ação dos policiais e negou que a libertação de alguns acusados vá prejudicar o andamento do processo ou interferir nas investigações.

A reação do ministro ocorreu no dia seguinte à decisão do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, pela liberação do empresário Daniel Dantas, de Verônica Dantas (irmã e parceira de negócios), e de mais nove pessoas presas na terça na ação policial. A decisão do STF não beneficia o megainvestidor Naji Nahas e o ex-prefeito Celso Pitta.

Tarso disse que a concessão do habeas corpus foi "jurídica e técnica". E evitou um confronto direto com o presidente do STF.

"O fato da concessão do habeas corpus é um processo jurídico e técnico, apreciado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, que temos de prestigiar", disse Tarso, que vem discordando publicamente de algumas opiniões de Gilmar Mendes.

No entanto, o ministro evitou polemizar com o presidente do STF. "Não temos nenhum juízo negativo [sobre a decisão de Gilmar]. Nem podemos impor um juízo a respeito de um ato independente de um Poder", disse Tarso. "A Polícia Federal prende, ela não prende sem necessidade. Essas prisões não são arbitrárias."

Prejuízos

Tarso negou que a libertação de Dantas e outras dez pessoas envolvidas na Operação Satiagraha prejudique o andamento do processo. "Não compromete o trabalho da Polícia Federal. É um direito que o presidente do Supremo Tribunal Federal tem [de autorizar a libertação] e que a lei permite", afirmou.

Segundo o ministro, a prisão --como a definida durante as investigações da operação da PF-- tem objetivos bem definidos, como garantir a preservação de documentos, impedir interferências e fazer contraposições.

"A Polícia Federal prende, salvo equívoco que ocorra, o objetivo é de salvaguardar documentos para o processo probatório ou impedir que a pessoa interfira no processo de inquérito ou de fazer a contraposição", disse Tarso.

Divisões

O ministro rebateu ainda as informações de que há várias divisões na Polícia Federal que, inclusive, teriam discordado da Operação Satiagraha. Segundo ele, o diretor-geral da PF, Luiz Fernando Corrêa, tem comando único e não permite divisões.

"Não há nenhuma divisão na Polícia Federal. O Luiz Fernando tem comando firme e unitário. As operações são feitas de maneira adequada e depois revisadas", disse Tarso. "Se estivéssemos no regime soviético, essas informações não sairiam. Mas no regime democrático [isso é normal]."

Tarso reiterou sua defesa à ação policial e elogiou a atitude da PF. "O fato concreto da operação é que a quadrilha foi desmantelada e os prejuízos ao país neutralizados", disse, "Esse pessoal dificilmente vai se reunir de novo", reiterou.

Investigações

Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.

Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.

Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.

Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Os presos na operação devem ser indiciados sob as acusações de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha.

Comentários dos leitores
Santos Júnior (328) 06/12/2009 16h34
Santos Júnior (328) 06/12/2009 16h34
Boa Bolinha!Bem que eu desconfiei que esta defesa do ministro Toffoli ao Azeredo era armação petista.Quem quiser que duvide que o Toffoli foi colocado no STF pelos interesses do PT.Muito lamentável. sem opinião
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Bolinha da Lulu (745) 06/12/2009 14h08
Bolinha da Lulu (745) 06/12/2009 14h08
Manchete;
"Para isentar Azeredo, Toffoli usa defesa dos petistas no mensalão"
Exatamente o que pensei. Ele inocenta o Azeredo para poder isentar os mensaleiros. Nada como algo pré organizado e predeterminado pelo Lulla. LAMENTÁVEL. É ISSO QUE É UM JUIZ DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.O famoso "adivogadu di porta di cadeia"
Ainda bem que ele não agiu no caso do Battisti, senão ele teria ficado aqui sem a interferência do Lulla.
Ele defenderá todas as idéias do PT. Senado vocês fizeram a maior bobagem da sua história destruíram o sistema judiciário do Supremo.
sem opinião
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Cassio Tavares (762) 05/12/2009 11h44
Cassio Tavares (762) 05/12/2009 11h44
Antonio Clarel, que isso ? Quem gosta do Presidente Lula é quem recebe do governo ? Credo. A pesquisa DataFolha, da maior credibilidade ( nem os senadores da oposição duvidam ) constatou que 73 % dos profissionais liberais ( médicos, engenheiros, advogados, economistas, dentistas e profissionais de centenas de outras categorias ) declaram considerar o o governo atual e seu presidente, regular, bom ou ótimo. Voce acaba de ofender a milhares ou talvez milhões de profissionais liberais do nosso país de receber dinheiro do governo para se declararem a favor do atual governo. Eu, como profissional liberal ( engenheiro ) repudio veementemente essa sua afirmação. Não sou funcionário público, nunca fui, não trabalho para nenhum orgão público de nenhum governo, não sei nem que é o presidente do PT e de nenhum outro partido em meu estado ( região sudeste ), não sei nem onde fica a sede de nenhum desses partidos em minha cidade. Mas que coisa, caramba. Essa oposição sem discurso, sem rumo, sem voto, e até sem candidato ( ninguém quer se arriscar ) procura um factóide a cada dia, que logo caem no vazio, insiste irracionalmente em querer atingir o presidente, por falta completa de dados concretos. A Revista (IN)VEJA da semana passada fez uma reportagem atacando o genro do presidente. A justiça, atenção, a justiça, já arquivou a denuncia por absoluta falta de provas. Êta desgraceira. A tempo Clarel. Voce não respondeu o que eu coloquei no comentário anterior. Coragem e responda. 2 opiniões
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