Diretor-geral da PF nega politização na Operação Satiagraha
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília
O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, negou nesta quinta-feira uma possível politização em torno da Operação Satiagraha --que prendeu o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta, o investidor Naji Nahas, o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, e outras 14 pessoas suspeitas por desvio de verbas, corrupção e lavagem de dinheiro.
Corrêa também negou que a libertação de alguns dos envolvidos iniba a ação policial. "Qualquer interpretação política da ação da Polícia Federal não [nos] inibe porque nós nos pautamos pelo rigor técnico, pela legalidade e pela investigação dos fatos. Nós não somos motivados por qualquer outro fator, muito menos político", disse Corrêa.
O diretor da PF evitou comentar sobre a decisão do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, que ontem definiu pela liberação do empresário Daniel Dantas, de Verônica Dantas (irmã e parceira de negócios), e de mais nove pessoas presas na terça na ação policial.
"Nós atuamos em um ponto estritamente técnico, então comentários [políticos] não são objeto de análise", afirmou Corrêa. Em seguida, ele disse que as prisões dos envolvidos nas denúncias têm um caráter específico, que é processual. "A natureza dessa prisão é processual, além dela ter esse papel para cumprir a formação da prova, nós temos de cumprir a decisão judicial."
Algemas
O uso de algemas, registrado nas imagens de TV e também em fotografias estampadas nos jornais, incomodou autoridades federais que criticaram publicamente o método.
Porém, Corrêa defendeu hoje a atuação da PF e disse que o método foi correto. Segundo ele, o debate é gerado porque envolve denunciados que têm alto poder aquisitivo.
"O uso de algemas é uma regra geral. É uma questão de segurança, de padrão procedimental, isso causa algum debate por causa do nível social dos presos", disse Corrêa. "Nosso tratamento é o mesmo [para todos]. Tratamento igual a todos perante à lei."
No entanto, o diretor afirmou que eventuais incorreções ocorridas durante as prisões e nas investigações da Operação Satiagraha estão sendo apuradas. Ele sinalizou também que se forem descobertas irregularidades não ficarão impunes.
"O sucesso de uma operação não tem o condão de legitimar qualquer desvio de conduta de servir e a inobservância de procedimentos internos", disse.
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Manoel de Brito Oliveira
Ilha Solteira-SP
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