Brasil
11/07/2008 - 01h08

Celso Pitta e Naji Nahas deixam a carceragem da Polícia Federal em SP

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DEH OLIVEIRA
colaboração para a Folha Online

O ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e o investidor Naji Nahas deixaram por volta de 0h50 desta sexta-feira a carceragem da Superintendência da Polícia Federal de São Paulo, onde estavam presos desde terça-feira durante a Operação Satiagraha.

Eles foram soltos por decisão do presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, que nesta quinta-feira estendeu a Pitta, Nahas e mais nove pessoas o habeas corpus que havia concedido ao banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, na quarta à noite.

O investidor e o ex-prefeito assinaram um documento no qual alegam que não sofreram maus-tratos na carceragem da PF, evitando assim passar pelo exame de corpo de delito no IML (Instituto Médico Legal).

Na decisão, Mendes considerou "desnecessária" a prisão dos suspeitos, pois não há ameaça às provas colhidas durante a operação da Polícia Federal.

Além de libertar Pitta e Najas, Mendes estendeu a decisão a outras nove pessoas que tiveram a prisão decretada pela PF e que também pediram extensão do habeas corpus ao STF: Roberto Sande Caldeira Bastos, Miguel Jurno Neto, Carmine Enrique, Carmine Enrique Filho, Antonio Moreira Dias Filho, Maria do Carmo Antunes Jannini, Fernando Naji Nahas, Marco Ernest Matalon e Lucio Funaro.

Dantas

No começo da manhã de ontem, o empresário Daniel Dantas, Verônica Dantas (irmã e parceira de negócios), e mais nove pessoas foram beneficiadas por um habeas corpus do STF (Supremo Tribunal Federal) e deixaram a prisão.

À tarde, o juiz da 6ª vara de São Paulo decretou a prisão preventiva de Dantas. Ele foi detido em um escritório na avenida Nove de Julho, e levado para a Superintendência da PF, onde chegou às 16h50.

Segundo a PF, a ordem de prisão foi solicitada pelo órgão em razão de documentos encontrados nas buscas realizadas na terça-feira e de oitiva de uma testemunha que teriam fortalecido a suposta ligação entre o preso e a prática do crime de corrupção --suborno-- contra um policial federal que participava das investigações.

Operação Satiagraha

A Operação Satiagraha investiga a suposta prática dos crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras.

A PF prendeu 17 pessoas dos 24 mandados de prisão expedidos. Também foram apreendidos documentos, computadores, veículos e dinheiro em espécie que ainda está sendo contabilizado. Somente em um local foram apreendidos cerca de R$ 1,1 milhão.

Investigações

Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.

Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.

Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.

Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).

Os presos na operação devem ser indiciados sob as acusações de lavagem de dinheiro, corrupção, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha.

Comentários dos leitores
J. Pimentel (68) 22/11/2009 11h21
J. Pimentel (68) 22/11/2009 11h21
Aos poucos estão desqualificando os crimes cometidos no emblemático caso do Mensalão. O mensalão "oficialmente" é uma contribuição mensal para que os deputados votassem com o governo. Na prática foi a forma de reeembolsar os deputados para cobrir seus compromissos de campanha. Esse dinheiro saiu de um CAIXA DOIS, ou seja, fora da contabilidade oficial, do mesmo caixa que financiou grande parte das campanhas, não só do PT. O Operador pricipal foi Marcos Valério, através de suas agências de propaganda, mas não foi o único com certeza, porque a movimentação financeira é muito alta para ficar concentrada apenas nas agências denunciadas. São dois crimes, na verdade, que já ficou em apenas um e, depois de tanto tempo já se pode colocar este caso no rol de impunidades que assola a dignidade do país. Com o apoio popular que tem, Lula tem assegurado essa impunidade, inclusive negando o inegável, fingindo desconhecer o esquema que não foi criado por ele, mas é uma prática tradicional da politica brasileira. A descaração do PT e seus aliados, que continuam dando as cartas no partido e na politica brasileira, é apenas um desses atos vergonhosos com os quais os brasileiros se acostumaram e, pelo apoio que teem dado ao atual governo, também apoiam essa "maracutaia", termo consagrado na língua portuguesa pelo próprio presidente Lula. É bom que se esclareça que não foi o PT quem criou essas práticas. A decepção é que acreditavamos que o PT fosse acabar com elas e não utilizá-las também. 1 opinião
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Santos Júnior (299) 22/11/2009 11h07
Santos Júnior (299) 22/11/2009 11h07
Sr Pacificador, o sr Luiz Inácio não arrisca fala essas mentiras para pessoas como nós e sim para os seus bolsistas que trocam o voto por esmolas, portanto, não se espante quando o vosso presidente sair por ai parafraseando bizarrices!! 2 opiniões
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Manoel Brito (2) 22/11/2009 11h03
Manoel Brito (2) 22/11/2009 11h03
Excelentissimo Ministro Joaquim, Nós Brasileiros Agreditamos na sua Transparência, e Competência , estamos ao seu lado.
Manoel de Brito Oliveira
Ilha Solteira-SP
sem opinião
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