Brasil
12/07/2008 - 08h31

Greenhalgh ofereceu a banqueiro plano para tentar melhorar relação com o PT

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CONRADO CORSALETTE
RANIER BRAGON
da Folha de S.Paulo

Procurado por Daniel Dantas no final do ano passado, o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalgh ofereceu um plano para tentar melhorar a relação do banqueiro com o PT: se dispôs a tentar acordos com integrantes do partido que movem ações contra Dantas, num passivo judicial que vem desde a época das privatizações do governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).

Tal relato foi feito pelo próprio Greenhalgh a colegas petistas nos últimos dias. Não há registro de que tenha obtido êxito. O responsável por sua contratação foi o braço direito de Dantas, Humberto Braz, que está foragido desde que a Polícia Federal iniciou as prisões da Operação Satiagraha.

Greenhalgh foi pego no grampo da PF pedindo ajuda ao chefe-de-gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, justamente após Braz ter constatado que estava sendo seguido por investigadores da operação. Carvalho se prontificou a ajudar o colega, o que motivou os policiais a também pedirem a prisão de Greenhalgh por atuar em favor do banqueiro no Palácio do Planalto. A Justiça, no entanto, negou o pedido.

Logo depois de estourada a operação da PF, o ex-deputado petista ligou para o ministro da Justiça, seu colega de sigla Tarso Genro. A Folha apurou que o diálogo foi duro. Segundo relatos de quem conversou com Greenhalgh nos últimos dias, ele teria dito a seguinte frase a Tarso: "Se eu fosse o ministro, não faria isso com você".

A assessoria do Ministério da Justiça não quis comentar. Disse apenas que Tarso orientou Greenhalgh a formalizar as reclamações que tinha a fazer.

Segundo o advogado Nélio Machado, responsável por defender Dantas, o ex-deputado petista também trabalhará no caso. Segundo ele, Greenhalgh ligou para Tarso na condição de advogado e "cidadão", e não como alguém que mantém relações políticas com o governo.

Na versão apresentada por Gilberto Carvalho, Greenhalgh não o informou de que Braz era ligado ao banqueiro Daniel Dantas. Em telefonema, Greenhalgh pediu a Carvalho que checasse se a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) investigava Braz.

Na conversa, o ex-deputado ainda pede ao chefe-de-gabinete que procurasse Luiz Fernando Corrêa, diretor-geral da Polícia Federal.

Carvalho teria dito que não falou sobre o caso com o diretor-geral da PF. Ele estava de férias e retornaria ao trabalho na segunda-feira. Até as 19h de ontem, ele não havia respondido recados da Folha.

Por meio de sua assessoria, Corrêa disse que se encontra freqüentemente com Carvalho, mas que nunca nenhum ministro o procurou para perguntar sobre investigações.

Anteontem, por meio da assessoria, Carvalho admitiu que recebeu Greenhalgh no Palácio do Planalto, ao menos por três vezes neste ano.

Histórico

Dantas tentou se aproximar do PT tão logo Lula assumiu o governo, em 2003. Queria manter a influência sobre os fundos de pensão das estatais e o controle da Brasil Telecom.

A CPI dos Correios, concluída em 2006, identificou que três empresas de telefonia controladas por Dantas irrigaram em mais de R$ 150 milhões as contas do "valerioduto", no escândalo do mensalão.

Humberto Braz, que é acusado pela PF de tentar subornar policiais a fim de tirar o nome de Dantas das investigações da Satiagraha, foi apontado pela CPI como um dos elos entre o banqueiro e o partido na época.

Além de Greenhalgh, outros quatro advogados ligados a petistas foram contratados por Dantas nos últimos anos.

Procurado ontem pela Folha, Greenhalgh não quis falar. Em nota anterior, o ex-deputado disse ter atuado na defesa de Dantas "nos estritos marcos da legalidade e da ética".

Os outros advogados contratados pelo banqueiro nos últimos anos afirmam que atuaram de forma estritamente técnica. "Quando fui contratado, em 2004, eu não havia advogado para nenhum petista", disse José Luís Oliveira Lima, hoje advogado de José Dirceu. Antonio Carlos de Almeida Castro, amigo de Dirceu, disse que atuou "em dois contratos de porte com a Brasil Telecom".

Comentários dos leitores
Saulo Mundim Lenza (597) 07/11/2009 21h49
Saulo Mundim Lenza (597) 07/11/2009 21h49
O Azeredo tem culpa e, sabe disso.
O resto é conversa fiada.
Esse cara não é confiável.
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Monica Rego (335) 07/11/2009 19h49
Monica Rego (335) 07/11/2009 19h49
Nada como um dia atraz do outro lavem mais um tucano se fazendo de vitima, nunca fazem nada nem as privataria é deles a lista de furnas é falsa a pasta rosa também a reeleição um golpe atraz do outro e os cars fingindo de morto mas em tempo devido vamos eleger uma mulher!!!!
DILMA2010!!!!!!!!!!
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Jamais numa hora como esta um politico teria uma palavra. Politicos são simultaneamente pessoas de uma, 1/2, 1/4, 1/8 de palavra. Cuidado se por interesse politico uma mentira passa rapidinho a ser uma pretença ou dita pura verdade. O sentido comum politico é tão unilateral que seus efeitos jamais representarão a vontade democratica. A sociedade dos partidos politicos ja pressupõe na sua formação uma pré divisão onde os mesmos conceitos passam a ser tratados como pré conceitos.
O povo necessita ter a coragem de enchergar claramente as ações isentas das paixões e tendencias que de forma pura constroem a vida comunitária, dando sustento às necessidades de trabalho, moradia, saude , educação. Um politico envolvido em uma trama das chamadas mensalinho ou mensalão, cnstrução de castelos, farra das passagens, gastos excessivos com cartões corporativos em beneficio proprio, atos secretos, não estão sequer intencionados no bem comum do povo. Dizer se agora depende do parecer técnico do STF é assumir de pronto que o sentido técnico nos seus entremeios poderá assumir algo diferente do real sentido comum. Jamais teria existido qualquer desvio de dinheiro como foi mencionado pelo ministro relator no STF se o fato gerador " o governador do estado de Minas Gerais na época não estivesse concorrendo à reeleição e a SMPEB, a DNA, o Duda Mendonça não estivessem no comando das operações a por aprovação do proprio governador". Esperamos a resposta tecnica da palavra inteira responsavel do STF.
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