Será muito difícil para Daniel Dantas provar inocência, diz Tarso
da Folha Online
O ministro Tarso Genro (Justiça) disse em entrevista publicada neste domingo na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal) que considera "muito difícil" que o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, consiga provar sua inocência. Para o ministro, há "farta prova dentro do processo" e está "praticamente comprovado" que tentou subornar um delegado da Polícia Federal, além da descoberta de crimes financeiros.
Na entrevista concedida a Valdo Cruz e Simone Iglesias, Tarso evitou acirrar a polêmica com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Gilmar Mendes, sobre as operações da PF. O ministro concordou com presidente do Supremo que houve "espetaculosidade" na Operação Satiagraha, mas defendeu o uso de algemas nos presos.
Como chefe da Polícia Federal, o ministro defendeu o trabalho do delegado Protógenes Queiroz, responsável pelas investigações que resultou na prisão de Dantas, do investidor Naji Nahas, do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e mais 14 pessoas. Com exceção do consultor Hugo Chicaroni, que continua preso em São Paulo, todos já foram soltos.
"Protógenes fez um trabalho brilhante de natureza técnica, independentemente de ter cometido equívoco ou não", disse Tarso na entrevista.
Operação Satiagraha, da Polícia Federal, que investiga os crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras.
A reportagem completa está na edição deste domingo na Folha, que já está nas bancas.
Investigações
Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.
Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.
Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.
Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).
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Manoel de Brito Oliveira
Ilha Solteira-SP
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