Brasil
13/07/2008 - 09h07

Protestos contra STF geram mal-estar e dúvidas no Judiciário

Publicidade

FREDERICO VASCONCELOS
ANA FLOR
da Folha de S.Paulo

O confronto entre o ministro Gilmar Mendes e o juiz federal Fausto Martin De Sanctis no caso Daniel Dantas pode evoluir para um conflito institucional e é certo que haverá iniciativas na esfera do Ministério Público Federal, prevendo-se representação criminal por suposto crime de responsabilidade de Mendes. Podem ser apenas sinais do calor da hora, mas dificilmente o episódio tenderá para uma acomodação, pelo fato de a queda de braço ter causado um mal-estar como há muito não se via.

O presidente da Academia Paulista de Direito Criminal, Romualdo Sanches Calvo Filho, afirma que o episódio deixou "a população e o mundo jurídico perplexos".

São conhecidas as divergências entre Mendes, MPF, Polícia Federal e juízes de primeira instância. A capacidade de o presidente do STF decidir contra o clamor público e sem se preocupar com opositores é admirada por magistrados e criminalistas. Ao criticar, por exemplo, a pirotecnia da PF, Mendes também condena a atuação de juízes que determinam interceptações telefônicas prolongadas e prisões que considera desnecessárias.

Agravou nesse episódio o fato de o magistrado haver "atropelado" instâncias recursais, reforçando o sentimento de que medidas tomadas por juízes de primeira instância podem ser facilmente derrubadas nas Cortes Superiores.

Esse fato pode ter estimulado a adesão de juízes federais ao assinarem o manifesto da magistratura. A questão é polêmica, mas os que se opõem ao ministro concordam com a avaliação do advogado Walter Ceneviva, que, em artigo na Folha, considerou que "há bons motivos processuais para sustentar que ainda não havia chegado a hora de a mais alta corte do país se manifestar".

O juiz aposentado Wálter Maierovitch chega a sugerir que não está descartada a idéia de pedido de "impeachment" do presidente do STF.

Os procuradores da República articularam-se em apoio a De Sanctis antes dos magistrados. A iniciativa dos juízes, por sua vez, antecedeu a solidariedade prestada pelas entidades da magistratura. Incomodou aos procuradores, por exemplo, o fato de Mendes afirmar que "não é a primeira vez que o juiz federal titular da 6ª Vara Criminal da Subseção Judiciária de São Paulo, Fausto Martin De Sanctis, insurge-se contra decisão emanada desta Corte".

O procurador da República Celso Três diz que não é a primeira vez que o presidente do STF decide pelo habeas corpus, atropelando outras instâncias.

O manifesto da magistratura federal da Terceira Região, formalizando "indignação" e "discordância" com a determinação de Mendes de encaminhar cópias de sua decisão no caso Dantas para o Conselho Nacional de Justiça, ao Conselho da Justiça Federal e à Corregedoria Geral da Justiça Federal da Terceira Região, vai além da solidariedade ao juiz e deverá reavivar o debate sobre as formas de escolha de membros do STF.

Comentários dos leitores
O Pacificador (203) 26/11/2009 13h31
O Pacificador (203) 26/11/2009 13h31
"Eleições internas do PT confirmam volta de mensaleiros ao comando do partido..."
É surpresa isso?
A natureza é assim mesmo...
Veja só: Flor do Pântano cresce aonde?
Pois é, com eles não poderia ser diferente...
sem opinião
avalie fechar
joao michelini (82) 26/11/2009 11h31
joao michelini (82) 26/11/2009 11h31
A partir da ANISTIA E DAS DIRETAS JA.
Surge uma NOVA CLASSE SOCIAL BRASILEIRA.. A DOS POLITICOS ...e que nos dias de hoje supera as demais classes. BAIXA, MEDIA E ALTA.
A CLASSE DOS POLITICOS PODE SER CONSIDERADA ALTA-ALTA - transferências de propriedades, sem exceção, foram conseguidas através de tácticas mafiosas, de assassinatos, de roubos generalizados, de apropriação de recursos do ESTADO, MUNICIPIOS, UNIAO E ESTATAIS,PRIVATIZAÇOES. Apropriadas pelas máfias privadas dirigidas por PARTIDARIOS ALIADOS com a corrupção. Esses novos multimilionários saqueam ESTADOS MUNICIPIOS A UNIAO E GRANDES EMPRESAS ESTATAIS em milhões de dólares.O MEXICO E O BRASIL, são os dois países que privatizaram os monopólios públicos mais lucrativos, os maiores e os mais eficientes. Do total de 157,2 mil milhões de dólares nas mãos de 38 multimilionários latino-americanos, 30 são brasileiros. Alguns acumularam suas fortunas obtendo contratos governamentais, e outros através DE INFLUENCIA POLITICA BENEFICIANDO-SE de relações políticas e suborno de empresas públicas.
E O RESTO É RESTO
Classe alta - Classe média - Classe baixa - Miseráveis
E a CLASSE DE OTARIOS COMO NOS ELEITORES, QUE PAGAMOS POR TUDO ISSO..., QUE SE LASQUE, RECORRER A QUEM SE DOMINARAO TUDO.
EXECUTICO - LEGISLATIVO E ATE O JUDICIARIO COM O STF DANDO LHES COBERTURA...
-----VOTO NULO NAS PROXIMAS ELEIÇOES NESTA CASTA DE MALANDROS---
55 opiniões
avalie fechar
J. Pimentel (70) 22/11/2009 11h21
J. Pimentel (70) 22/11/2009 11h21
Aos poucos estão desqualificando os crimes cometidos no emblemático caso do Mensalão. O mensalão "oficialmente" é uma contribuição mensal para que os deputados votassem com o governo. Na prática foi a forma de reeembolsar os deputados para cobrir seus compromissos de campanha. Esse dinheiro saiu de um CAIXA DOIS, ou seja, fora da contabilidade oficial, do mesmo caixa que financiou grande parte das campanhas, não só do PT. O Operador pricipal foi Marcos Valério, através de suas agências de propaganda, mas não foi o único com certeza, porque a movimentação financeira é muito alta para ficar concentrada apenas nas agências denunciadas. São dois crimes, na verdade, que já ficou em apenas um e, depois de tanto tempo já se pode colocar este caso no rol de impunidades que assola a dignidade do país. Com o apoio popular que tem, Lula tem assegurado essa impunidade, inclusive negando o inegável, fingindo desconhecer o esquema que não foi criado por ele, mas é uma prática tradicional da politica brasileira. A descaração do PT e seus aliados, que continuam dando as cartas no partido e na politica brasileira, é apenas um desses atos vergonhosos com os quais os brasileiros se acostumaram e, pelo apoio que teem dado ao atual governo, também apoiam essa "maracutaia", termo consagrado na língua portuguesa pelo próprio presidente Lula. É bom que se esclareça que não foi o PT quem criou essas práticas. A decepção é que acreditavamos que o PT fosse acabar com elas e não utilizá-las também. 2 opiniões
avalie fechar
Comente esta reportagem Veja todos os comentários (2974)
Termos e condições
 

FolhaShop

Digite produto
ou marca