Dantas omitiu do governo operações suspeitas, diz PF
da Folha Online
Laudo do INC (Instituto Nacional de Criminalística) acusa o banqueiro Daniel Dantas de omitir movimentações financeiras suspeitas realizadas no banco Opportunity em nome do banqueiro, de familiares e de funcionários das empresas do grupo, informa nesta segunda-feira reportagem de Rubens Valente, publicada pela Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
Segundo a reportagem, a PF acusa o grupo de "dificultar e até inviabilizar" a fiscalização. Bancos devem informar ao Coaf (órgão de inteligência financeira do governo federal) movimentações consideradas atípicas nas contas dos clientes, como créditos muito acima dos ganhos declarados pelo correntista à Receita.
O laudo cita levantamento do Banco Central que teria apontado "irregularidades gravíssimas em nome de sócios, funcionários e parentes de pessoas supostamente ligadas ao grupo Opportunity e operacionalizadas pelo banco Opportunity".
Procurados pela Folha (íntegra para assinantes), o banco e o advogado de Dantas, Nélio Machado, não foram localizados. Foram deixados recados na secretária eletrônica do celular do advogado, mas não houve retorno até o fechamento desta edição.
Desde o início da Operação Satiagraha, o advogado Nélio Machado tem dito que não teve acesso ao inquérito que investiga seu cliente e que, por isso, não comentaria acusações e pontos específicos da operação. O inquérito tramita em segredo de Justiça na 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo.
Operação Satiagraha
Dantas foi preso por duas vezes na semana passada depois que a Polícia Federal deflagrou a Operação Satiagraha, que investiga os crimes de lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, evasão de divisas, formação de quadrilha e tráfico de influência para a obtenção de informações privilegiadas em operações financeiras.
Na operação foram presos Dantas, o investidor Naji Nahas, o ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta e mais 14 pessoas. Os acusados foram libertados pelo STF, beneficiados por habeas corpus de advogados.
O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmas Mendes, aceitou o primeiro pedido de liberdade por considerar "desnecessária" a prisão de Dantas, Nahas, Pitta e dos outros suspeitos.
Segundo a PF, as investigações começaram há quatro anos, com o desdobramento das apurações feitas a partir de documentos relacionados com o caso mensalão. A partir de documentos enviados pelo STF para a Procuradoria da República no Estado de São Paulo, foi aberto um processo na 6ª Vara Criminal Federal.
Na apuração foram identificadas pessoas e empresas supostamente beneficiadas no esquema montado pelo empresário Marcos Valério para intermediar e desviar recursos públicos. Com base nas informações e em documentos colhidos em outras investigações da Polícia Federal, os policiais apuraram a existência de uma organização criminosa, supostamente comandada por Daniel Dantas, envolvida com a prática de diversos crimes.
Para a prática dos delitos, o grupo teria possuído empresas de fachada. As investigações ainda descobriram que havia uma segunda organização, formada por empresários e doleiros que supostamente atuavam no mercado financeiro para lavagem de dinheiro. O segundo grupo seria comandado pelo investidor Naji Nahas.
Além de fraudes no mercado de capitais, baseadas principalmente no recebimento de informações privilegiadas, a organização teria atuado no mercado paralelo de moedas estrangeiras. Há indícios inclusive do recebimento de informações privilegiadas sobre a taxa de juros do Federal Reserve (Fed, o BC americano).
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